Recordações de Einstein no Rio de Janeiro

A foto acima é um dos registros da passagem de Albert Einstein (1879-1955) pelo Rio de Janeiro em 1925. Ela foi tirada no dia 6 de maio no Palácio do Catete, em encontro do físico de origem alemã com o então presidente da República, Artur Bernardes, e representantes da comunidade judaica, cientistas e políticos. Um dia depois, há exatos 90 anos, Einstein fez uma breve palestra na Academia Brasileira de Ciências (ABC), com o título ‘Observações sobre a situação atual da teoria da luz’. Nela, adiantou resultados preliminares que poderiam colocar fim à controversa questão da existência das partículas de luz.

Essas e outras recordações da estada de Einstein na cidade maravilhosa, entre 4 e 12 de maio de 1925, podem ser vistas a partir de hoje (7/05) na exposição ‘Einstein no Brasil’, no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro. A mostra reúne 15 imagens, que exibem manchetes de jornais e revistas da época e registram momentos da visita, além da reprodução do manuscrito da palestra na ABC – o original, em alemão, foi descoberto por historiadores da ciência brasileiros em 1996.

Manuscrito de Einstein
Reprodução do manuscrito da palestra ‘Observações sobre a situação atual da teoria da luz’, proferida por Einstein na Academia Brasileira de Ciências em 7 de maio de 1925. (foto: Thaís Fernandes)

Essa palestra se deu em um momento de transformação na física. A ideia de que a luz se comportava como uma partícula (o fóton) – e não como uma onda, conforme acreditava a maioria dos físicos desde o início do século 19 – havia sido lançada por Einstein em 1905 e foi recebida com ceticismo pela comunidade científica. Mas, em 1923, um experimento do físico norte-americano Arthur Compton (1892-1962) mostrou que a luz se comportava como um feixe de partículas ao se chocar com elétrons.

No entanto, uma teoria alternativa, que continuava tratando a luz como uma onda, foi proposta em 1924 pelos físicos dinamarqueses Niels Bohr (1885-1962) e Hendrik Kramer (1894-1952) e pelo norte-americano John Slater (1900-1976) para explicar esses resultados. Os físicos alemães Hans Geiger (1882-1945) e Walther Bothe (1891-1957) decidiram então testar as previsões dessa teoria. Seus experimentos, assim como um novo teste realizado por Comptom, confirmaram a existência dos fótons e foram publicados em abril de 1925.

Momento histórico

Foi em meio à realização desses experimentos que Einstein partiu rumo à América do Sul. A palestra na ABC deixou claro que ele estava a par dos resultados preliminares de seus colegas. Segundo consta na exposição no CBPF, não se tem notícia de que o físico tenha voltado a escrever sobre a teoria da luz, o que reforça a importância histórica do manuscrito.

Além disso, a palestra foi feita em um momento considerado divisor de águas: meses depois, o físico alemão Werner Heisenberg (1901-1976) publicou um artigo em que inaugurava uma nova fase da teoria quântica, área da física que lida com os fenômenos atômicos e subatômicos.

Exposição 'Einstein no Brasil'
Manchetes de jornais e revistas e fotos da época da visita de Einstein ao Rio de Janeiro integram a exposição ‘Einstein no Brasil’, montada no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. (foto: Thaís Fernandes)

A passagem de Einstein pela América do Sul, que incluiu também paradas na Argentina e no Uruguai, teve grande repercussão na imprensa brasileira. O físico era tratado como um mito, especialmente após a comprovação, em 1919, da sua teoria da relatividade geral – feito, aliás, obtido a partir da observação de um eclipse em Sobral, no Ceará, e na costa ocidental africana. Sua exaustiva jornada – com visitas a diversas instituições, recepções, passeios turísticos e palestras – foi bastante documentada.

A exposição ‘Einstein no Brasil’, organizada pelo físico Ivan dos Santos Oliveira, ficará instalada no corredor principal do andar térreo do prédio novo do CBPF por tempo indeterminado.

Exposição ‘Einstein no Brasil’
Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas
End.: Rua Dr. Xavier Sigaud, 150, Urca, Rio de Janeiro
De segunda a sexta, das 9hs às 17hs
Entrada gratuita

Thaís Fernandes
Ciência Hoje On-line

Matéria publicada em 07.05.2015

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