A arte de conservar a arte

Ao visitar um museu, uma galeria de arte ou uma exposição, pode ser difícil perceber o quanto de ciência há em vários detalhes desses espaços. De imediato, pensamos em condições adequadas de umidade, temperatura e iluminação para conservar os objetos exibidos, entre outras medidas preventivas para evitar sua degradação. Mas há muitos outros aspectos envolvidos. Que tal conhecer um pouco da química presente nas técnicas de pintura e da ciência contida na conservação das obras?

As condições de iluminação de museus e outros espaços de exposição são sempre pensadas de forma a não contribuir para a degradação dos vernizes de algumas pinturas. De forma semelhante, a umidade relativa do espaço onde são exibidas obras de arte precisa ser monitorada e controlada constantemente. Do contrário, objetos em metal, como esculturas de bronze, podem desenvolver oxidação em suas superfícies. Há casos, entretanto, em que as medidas preventivas de conservação são insuficientes, e a degradação dos materiais pode chegar a comprometer a intenção do artista, requerendo um tratamento de restauração.

Consenso ou não, as pinturas estão entre as formas mais populares da expressão artística. Nos espaços de exposição, encontramos uma grande variedade de pinturas produzidas por diferentes técnicas. A maneira de pintar foi sendo alterada ao longo da história, e as técnicas com as quais os artistas representam suas expressões também. Se, outrora, os homens desenhavam em paredes de cavernas com terras ricas em óxidos de ferro, obtidos diretamente da natureza, hoje os artistas manuseiam latas de tinta em spray para representar, em muros, motivos semelhantes. É o caso do beijo, que vem inspirando a humanidade desde tempos remotos.

Daniel Aguiar

Laboratório de Estudos em Ciências da Conservação,
Escola de Belas Artes,
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Edição Exclusiva para Assinantes

Para acessar, faça login ou assine a Ciência Hoje