A ciência contra o racismo e o preconceito

Como a herança e o conhecimento africano podem ajudar a construir um diálogo permanente no combate ao preconceito e a discriminação que tenham origem no racismo?

A UFRJ tem um projeto chamado Herança e Conhecimento Africano, cujo objetivo é debater os temas de preconceito e discriminação com origem no racismo. A ideia central é estabelecer um diálogo permanente entre a universidade, escola e sociedade, no que diz respeito as questões étnicas e raciais, com proposta de ações antirracistas. Entre as atividades realizadas temos a ‘contação’ de história para crianças e debates e seminários para o ensino médio e a universidade. Você conhece alum projeto similar? Acha que é um tema importante a se discutir na realidade atual? Tem dúvidas? Sugestões? Venha conversar comigo no chat da Ciência Hoje. Como resultado desse debate, vou redigir um artigo a ser publicado na revista. Use a seção abaixo para interagir!

Eduardo Maia
Departamento de Geografia/UFRJ

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Matéria publicada em 25.09.2019

COMENTÁRIOS

  • Atlas Corrêa Neto

    Sim, super importante! Que se divulgue a rica história da África, suas civilizações que nos são desconhecidas. Figuras como Mansa Mussa, mais marcante do que inúmeros monarcas europeus, devem ser resgatadas.

    Publicado em 25 de setembro de 2019 Responder

    • Eduardo Maia

      Caro Atlas, agradeço ao comentário e a suas sugestões. A ideia é dar visibilidade a temas e personalidades que foram excluídos da história.

      Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Rodrigo Fernandes da Mota

    Sim, é muito importante, assim erradicando esse estereótipo e estigma em ralação aos povos africanos.

    Publicado em 26 de setembro de 2019 Responder

    • ejpmaia@gmail.com

      Sem dúvida Rodrigo! A sua manifestação, valorizando a importância do projeto nos ajuda a mantermos firmes em nossas ações.

      Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Ferreira

    Como tudo, essa questão tem a ver com manifestações narcisicas, onde um sujeito uso os outros como objeto para obter prazer ou negar o desprazer de sua condição de ser e de vida.
    Racismo e discriminação não é nada pessoal, e todos nós o praticamos de modo velado em certas situações.

    Quer que desenhe ?? Esta no livro
    Psicanálise Relacional e a Teoria da Gangorra – A Fórmula da Mente.
    Se tiver coragem de abordar o assunto por esse aspecto me disponho a contribuir.

    Publicado em 26 de setembro de 2019 Responder

    • Eduardo Maia

      Caro Ferreira, agradeço a sua contribuição ao debate!

      De fato, existem muitas abordagens possíveis, uma delas é justamente partir do preconceito, suponho que seja o que chama de manifestação narcísicas. As pessoas tem preconceitos e, por isso, constroem teses racistas e discriminam. Porém, o nosso foco, ainda está na expressão dos efeitos e resultados do preconceito: o racismo e a discriminação. A sugestão do livro foi anotada e espero que com o artigo completo podemos ampliar nosso diálogo.

      Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Ana Maria

    O que acha da lei o presente da Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio? Acredita que pode ajudar a combater o racismo?

    Publicado em 26 de setembro de 2019 Responder

    • Eduardo Maia

      Ana Maria!

      As leis são fundamentais, mostram o estado de maturidade da sociedade e reconhece, em parte, os erros cometidos no passado. São importantes para garantir que os anseios da sociedade se façam valer e conferem a escola o lugar privilegiado de popularização desses conhecimentos. Agradeço os comentários e irei dar ênfase as Leis 10.639/03 e 11.645/08 no Artigo completo.

      Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • leandro

    Esse grupos de crianças e jovens são formados apenas por pessoas negras e pardas? Acha importante criar uma cultura antirracista nos brancos também? Como?

    Publicado em 26 de setembro de 2019 Responder

    • Eduardo Maia

      Boa tarde Leandro!

      Agradeço a contribuição. Sim, trabalhamos basicamente com crianças pretas e pardas. No entanto, temos algumas experiências com crianças brancas. Os resultados tem sido surpreendentes, temos conversado com uma geração, que sabe reconhecer os erros do passado e, estão dispostas a construir uma pauta antirracista. É super necessário envolver os brancos na discussão, considerando a história do povo branco com a escravidão e nas manifestações de racismo, preconceito e discriminação. Ainda é um desafio! Nós brancos e privilegiados temos dificuldade de aceitar que somos racistas e preconceituosos.

      Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Soraia dos Santos (via Facebook)

    Combate-se o preconceito enaltecendo a riqueza cultural de um povo.Sua arte,comida,vestuario e musica.E como sua cultura influenciou a todos nos no nosso dia a dia.Nos brasileiros temos influencias de varias culturas nao so a ocidental.

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

    • Eduardo Maia

      Sim Soaria! A sua contribuição foi muito importante. Precisamos ampliar a valorização da cultura dos povos, aqui no nosso projeto fazemos com os povos de países do continente africano, porém, temos influência de outros povos e culturas que sofrem, guardadas as devidas proporções, o preconceito e a discriminação.

      Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

      • Eduardo Maia

        Correção: Soraia!

        Publicado em 27 de setembro de 2019

  • Roberto Melo (via Facebook)

    Só existe uma raça, a Humana. O que existe entre os Humanos são preconceitos, xenofobia, inveja, orgulho, olho gordo, etc….

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

    • Eduardo Maia

      Olá Roberto! A sua contribuição foi muito gratificante, pois permite construir um diálogo profícuo.

      Sim, concordamos que só existe uma raça. Essa discussão devia estar superada, mas a humanidade não se convenceu disso. Cada vez menos o preconceito tem se sustentado com teses racistas, mas elas existem. Assumimos que não somos racistas, mas produzimos cada vez mais violências contra o negro, que é gradual e proporcional quanto a intensidade da sua cor, da tessitura e forma de seu cabelo e da sua orientação religiosa, etc. Isso paradoxal, grande parte da sociedade concorda que existe racismo, nas formas de preconceito e discriminação. Esse mesmo grupo conhece algum episódio racista, mas quando se pergunta, se essa grande parte é racista, a resposta é não, imagina … tenho até um amigo preto.

      Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Jo DP (via Facebook)

    é impressionante que no mundo de hoje, com todos tão conectados tecnologicamente com o mundo todo; com todos os avanços da ciência; com informação sobre tudo e AINDA TEM GENTE QUE SE PREOCUPA COM A COR DE SEU SEMELHANTE!!!

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

    • Eduardo Maia

      JO DP agradeço o seu comentário!

      Por incrível que parece, tem muita gente que se preocupa e dedica a vida em destruir o seu semelhante pela sua COR. A própria tecnologia, via redes sociais nos tem mostrado isso. A nossa intenção, acredito que você também compartilha, é trabalhar por uma sociedade livre de racismo e preconceito.

      Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Ricardo Ferreira (via Facebook)

    Não tem nada há se fazer! O negro tem direito de não gostar e evitar o branco, e vice e versa. Na vida, tudo são escolhas. Havendo respeito, tá tudo certo.

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

    • Eduardo Maia

      Olá Ricardo!

      O direito de gostar é livre e deve ser respeitado. Mas a questão não é essa, pois não é uma questão pessoal. O debate que nos move aqui trata de uma construção social do outro diferente e inferior. As teses que são sustentadas para justificar um número cada vez maior de injurias e violência ao povo negro. Por isso, devemos ampliar nossos horizontes de conhecimento e nos libertar dos preconceitos. A educação e a escola são bons caminhos, quando descobrimos coisas novas estamos dispostos a fazer mudanças e a respeitar as diferenças. Podemos fazer escolhas melhores.

      Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Vivian Viera (via Facebook)

    Ricardo Figueira de Oliveira é aí que você se engana. A ciência no que diz respeito a construcão de conhecimento negou e contribuiu para o apagamento dessa população. Os livros de história sao um exemplo disso. A forma como a história do negro foi contada durante muito tempo reforçou preconceitos e alimentou o racismo. Portanto a ciência tem sim muito a se fazer, até como uma forma de se redimir.

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Eduardo Maia

    Olá Vivian!

    Agradeço a sua contribuição ao trabalho e o diálogo com o Ricardo. Esse é o caminho, mostrar que a mesma ciência que negou, pode e deve ser contestada. Trazer referências e histórias que foram escondidas é fundamental. Vamos ampliar e mostrar como a ciência tem feito na atualmente para se redimir.

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Carla Madureira

    Oi Eduardo, parabéns pela pesquisa. A temática é super necessária. Queria saber contigo que resultados estão sendo obtidos e de que forma são medidos.

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Pedro Ivo Hubner Fajardo

    Achei a iniciativa excelente, existe algum cronograma ou já dentro do calendário de vocês ir à escolas públicas para tratar desses assuntos?
    Em novembro temos na minha escola diversos eventos sobre a consciência negra. Seria muito legal se esse projeto pudesse ir dialogar com meus alunos.

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

    • Eduardo Maia

      Oi Pedro! Sempre temos a satisfação de incluir novos interlocutores, mas a ideia estimular que os temas racismo, preconceito e discriminação não seja tabu. É importante estimular leituras que tenham como referência autores e autoras negras. Trazer para as aulas mais conteúdos de África, também ajudam.

      Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Eduardo Maia

    Obrigado pela questão!

    É muito interessante os resultados. Temos resultados de natureza qualitativa e quantitativa. As mudanças de comportamento dos estudantes são relatados por professores. Há mudança no discurso, com argumentos consistentes, os estudantes perdem o medo de questionar. As famílias têm mostrado interesse nos temas e apoiado aos estudantes. Temos aumentado o número das pesquisas. E o número de convites para discutir os temas nas escolas.

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Eduardo Maia

    Oi Pedro! Sempre temos a satisfação de incluir novos interlocutores, mas a ideia estimular que os temas racismo, preconceito e discriminação não seja tabu. É importante estimular leituras que tenham como referência autores e autoras negras. Trazer para as aulas mais conteúdos de África, também ajudam.

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Alessandra

    Acho muito importante que esse debate esteja inserido na universidade e na formação de professores.
    Parabéns pela iniciativa!

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

    • Alessandra

      Gostaria tbm de dizer o quanto é importante os brancos façam parte do projeto. Mas não como liderança… uma participação para aprendizagem. Esses debates trazem a tona muitos comportamentos racistas que temos diariamente sem nos darmos conta, muito porque o racismo é negado e ao mesmo tempo naturalizado na nossa sociedade.

      Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

  • Eduardo Maia

    Obrigado pelo incentivo!
    Iremos continuar e estimular mais debates. Em breve o artigo completo irá ajudar nos diálogos e pesquisas.

    Publicado em 27 de setembro de 2019 Responder

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