A literatura do maravilhoso

Os contos de fadas permitem compreender o imaginário do homem medieval e moderno e o contexto em que ele viveu.

 

As narrativas maravilhosas, também conhecidas como contos de fadas, que, durante séculos, embalaram o sono de crianças das mais diversas culturas e contextos, podem e devem ser analisadas como um material bastante significativo para a nossa compreensão do que foi o imaginário do homem medieval e moderno.

Contos maravilhosos são as narrativas nas quais a introdução de um elemento mágico é capaz de promover a ruptura da ordem e da previsibilidade do cotidiano das personagens da trama, como nos explica o historiador medievalista Jacques Le Goff, em um dos seus mais famosos estudos sobre o tema. Para ele, o adjetivo ‘maravilhoso’, longe de quantificar a beleza e a perfeição do mundo, serve para nomear o insólito, o espantoso; aquilo que não se pode explicar à luz da racionalidade e cuja função principal seria a de servir de contrapeso à banalidade e à regularidade do cotidiano.


Por trás da fantasia e do divertimento escapista dos contos populares, existe um substrato de realismo social, uma denúncia das condições miseráveis da vida dos homens medievais e modernos

Georgina Martins

Programa de Mestrado Profissional em Letras (Profletras)
Curso de Especialização em Literatura Infantil e Juvenil, Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Escritora de livros para crianças e jovens

Edição Exclusiva para Assinantes

Para acessar, faça login ou assine a Ciência Hoje

CONTEÚDO RELACIONADO

Leite materno, fígado e sistema imune: relação íntima

Interromper a amamentação pode prejudicar uma função pouco conhecida do fígado de bebês e torná-los mais suscetíveis a doenças medicamentosas ao longo da vida

Mary Anning, a caçadora de fósseis

Paleontóloga inglesa foi pouco considerada por seus pares, apesar de acumular em seu currículo um grande número de achados jurássicos e da importância de suas descobertas para a ciência.