A matemática da diversidade

Professora da UFRJ e mãe de dois filhos, Cecília Salgado reconhece os obstáculos de sua área para minorias: “É impossível falar em meritocracia, quando todos não temos as mesmas condições”.

Bailarina, diplomata, médica, astronauta e, finalmente, matemática. Quis ser muitas coisas na vida, mas a questão “o que você quer ser quando crescer?” nunca me assombrou. Pensava nisso de vez em quando, porque sempre aparece alguém que nos faz a pergunta quando somos crianças ou adolescentes. Mas tive sorte de ter pais que nunca me pressionaram sobre qual caminho seguir e fizeram de tudo para me mostrar que eu tinha diversas opções. Apesar disso, ao escolher a matemática (e o fiz com convicção), não tinha ideia do que me esperava. Escolhi simplesmente por achar que era o curso mais versátil e que, no futuro, me abriria portas, caso eu quisesse mudar para outra área de exatas.

De cara senti que era a área em que eu queria estar. Interessei-me rapidamente por álgebra e logo comecei a fazer iniciação científica. A continuidade para o mestrado me pareceu, naquele momento, um passo natural, assim como o doutorado. Fui para a França estudar geometria aritmética, área que lida com problemas da teoria dos números por meio de métodos da geometria algébrica. Esta última, por sua vez, trabalha com equações polinomiais, as mais simples na matemática, interpretando seus conjuntos de soluções como objetos geométricos e estudando suas propriedades.


Meu foco atual são as superfícies, objetos bidimensionais, o passo natural após as curvas. Para esses, temos conjecturas, mas a área ainda está longe de comprovar a tese de que a forma determina a solução (racional).

Cecília Salgado

Instituto de Matemática,
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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