A valorização das representações espaciais

Os problemas se repetem e estamos sempre às voltas com a necessidade de encontrar soluções que possam dar conta da velocidade e precisão necessárias para o acompanhamento de fenômenos. Onde estaríamos sem o georreferenciamento?

Quando falamos que atualmente estamos inundados por dados georreferenciados representados de forma pontual ou aglomerada em unidades espaciais, isso não é bem uma novidade. Lembro-me de ter lido, no início dos anos 1990, um texto do pesquisador norte-americano Stan Aronoff que me surpreendeu bastante naquele momento. Ele afirmava que, em breve, teríamos mais de 90% das informações localizadas no espaço. Imaginem só! Há 30 anos o sistema de navegação GNSS (mais conhecido por GPS) estava apenas iniciando e ter acesso a dados georreferenciados não era nada trivial. Parecia ficção científica pura.

Embora, em nossa evolução histórica, tenhamos buscado referências que nos ajudassem na orientação espacial, até mesmo por sobrevivência, a possibilidade de nos localizarmos rapidamente foi algo conquistado lentamente. Não há dúvidas de que os sistemas de navegação por satélites foram fundamentais para esse avanço. Mas, repensando agora sobre a afirmação de Aronoff fez há quase três décadas, vejo que é necessário reconhecer o quanto essa previsão acabou se concretizando de forma muito mais contundente do que se podia imaginar. Afinal, hoje temos um percentual elevado da população mundial se deslocando, quase que o tempo todo, com um localizador ativo nos smartphones.

Carla Madureira Cruz

Departamento de Geografia
Instituto de Geociências
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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