Antipartículas conduzem à antigravidade?


Como deve ser do conhecimento do leitor, a gravidade manifesta-se pela atração entre corpos massivos, ou seja, resulta do fato de os corpos possuírem massa. Uma vez que a interação gravitacional entre corpos sempre manifestou-se atrativa, existe apenas uma espécie de massa, de tal modo que à sua medida foi atribuído um número positivo.

Por outro lado, a interação eletromagnética entre corpos eletrizados, mesmo em repouso, pode ser atrativa ou repulsiva. Assim, à propriedade responsável pela interação eletromagnética, denominada carga, atribuíram-se duas espécies de medidas, que convencionalmente podem ser positivas ou negativas.

Em analogia com a eletricidade, uma repulsão gravitacional estaria associada à existência de partículas de massas de medidas de sinais opostos, ou seja, partículas às quais poderíamos atribuir uma medida negativa de massa.

Em princípio, o conceito de antipartícula diz respeito à associação de cada partícula carregada a uma outra partícula de carga elétrica oposta. Por exemplo, a antipartícula do elétron (carga -e) é uma partícula de massa de mesmo sinal e carga elétrica positiva (+e), denominada pósitron. Desde que nessa associação, denominada conjunção de carga (operação que inverte o sinal de todos os chamados números quânticos aditivos associados a uma partícula), o sinal da massa mantém-se inalterado, a interação gravitacional entre as partículas e suas respectivas antipartículas também é atrativa, não dando origem a uma possível antigravidade, ou repulsão gravitacional.

Ciência Hoje 167, dezembro 2000 

Vitor Oguri, 
Departamento de Física Nuclear e Altas Energias, 
Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

 

      

Matéria publicada em 15.12.2000

COMENTÁRIOS

Os comentários estão fechados

CONTEÚDO RELACIONADO

A vitória da alimentação

Nutrição voltada para atletas de alto nível exige aperfeiçoamento constante para acompanhar evolução das ciências do esporte.

O negócio da educação

Grandes empresas da área vêm ocupando o espaço das políticas públicas no ensino básico, mas sem resultar em melhoria da qualidade.