As quatro vidas de uma historiadora

Com uma vitoriosa carreira acadêmica dedicada a dar voz aos que foram silenciados no passado, Hebe Mattos faz um retrospecto das diferentes fases de seu trabalho, que extrapola os muros da universidade com a produção de livros e filmes historiográficos.

Quase quatro décadas depois de ter ingressado na graduação da Universidade Federal Fluminense (UFF), começo a minha quarta vida acadêmico-científica como professora titular livre da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Explico. Aprendi que história é ciência social e que eu queria ser historiadora com Maria Yedda Linhares (1921-2011), minha orientadora desde a iniciação científica. Ela me deu meu primeiro problema de pesquisa: conhecer o ‘lado oculto da lua’ da estrutura agrária brasileira no século 19. Sem saber, ela me despertou para os silêncios sobre o passado como problema mais amplo, questão de fundo que percorre e unifica minha trajetória científica desde então.

Yedda foi uma das mulheres pioneiras da pesquisa histórica no Brasil, mas se pensava enquanto cientista sem problematizar questões de gênero. Olhando em retrospectiva, hoje eu penso que foram a experiência e a identidade femininas que a levaram a formular a questão sobre ‘o lado oculto da lua’ e, a mim, a pensar os silêncios como questão de pesquisa. Foi uma maneira indireta de refletir sobre um silêncio que, de certa forma, também nos definia.


Hoje eu penso que foram a experiência e a identidade femininas que levaram Maria Yedda Linhares a formular a questão sobre ‘o lado oculto da lua’ e, a mim, a pensar os silêncios como questão de pesquisa. Foi uma maneira indireta de refletir sobre um silêncio que, de certa forma, também nos definia

Hebe Mattos

Departamento de História,
Universidade Federal de Juiz de Fora

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