Ciência, substantivo feminino

Apesar de serem maioria nas universidades, mulheres ainda enfrentam barreiras em etapas fundamentais para avançar na carreira científica; artigo na revista Nature aponta a influência do sexo e do gênero nos resultados de pesquisas científicas.

A questão da presença da mulher na ciência brasileira não é nova. Há mais de 50 anos, Bertha Lutz (1894-1976), uma das cientistas pioneiras no país, enfrentou obstáculos notáveis ao tentar avançar na carreira de bióloga. Foi proibida, por ser mulher, de se inscrever no concurso para a área de biologia do Museu Nacional. Precisou recorrer à Justiça para participar e, ao ser aprovada em primeiro lugar, tornou-se a segunda mulher a entrar para o serviço público no país.

De lá para cá, muita coisa mudou. No Brasil e em grande parte dos países ocidentais, nós, mulheres, conquistamos liberdades e direitos: podemos votar e ser votadas; temos igualdade de direitos como mães e esposas, com a queda do pátrio poder; podemos ser proprietárias e ter independência financeira; temos a Lei Maria da Penha para punir severamente a violência doméstica; desfrutamos de plena igualdade no acesso a estudo e conhecimento. No entanto, quando se olha a posição da mulher na ciência, persistem importantes desafios.

Alice Rangel de Paiva Abreu

Instituto de Filosofia e Ciências Sociais
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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