Como e por que identificar emissões de calor?

Usando imagens do termal é possível perceber o estresse em plantas, anomalias na água, variações no microclima nas cidades, focos de incêndio e muito mais.

É sabido que a energia se propaga na forma de ondas, que normalmente são dimensionadas por valores de sua frequência ou de seu comprimento. Em ‘sensoriamento remoto’ a energia refletida ou emitida pelos diferentes alvos é registrada nas imagens digitais em intervalos de valores de comprimento de onda, as chamadas bandas espectrais. Isso é muito comum no caso de sensores orbitais, por exemplo. Muitos desses intervalos são bastante conhecidos por estarem inseridos de diferentes formas em nosso cotidiano – é o caso das faixas do ultravioleta, do infravermelho e das micro-ondas.

O objetivo aqui é chamar a atenção para uma faixa que, apesar de muito utilizada, não tem sua função e características bem reconhecidas. Este intervalo, denominado termal (que vai de 3mm a 14mm), corresponde à parte final da janela do infravermelho. Ao observarmos a escala energética apresentada no espectro eletromagnético, é possível localizar todas estas bandas espectrais (veja a figura) e perceber como se aproximam ou se distanciam do visível – aquela faixa bem estreita que corresponde ao intervalo de comprimentos de onda que nossos olhos são capazes de perceber e que se encontra entre 0,4mm a 0,7mm. Isso significa que, como o termal fica bem distante do visível, não somos capazes de enxergar essas ondas, sendo necessário o uso de sensores artificiais para registrá-las, a fim de que possamos interpretá-las e atender a diferentes demandas.

Paula Maria Moura de Almeida e Carla Madureira Cruz

Departamento de Geografia, Instituto de Geociências
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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