Corais ameaçados pelas mudanças climáticas

Você sabe o que é um coral? Já ouviu falar em branqueamento de corais? Será que você pode fazer alguma coisa para ajudar?

Corais são seres vivos exclusivamente marinhos, parentes das águas-vivas e anêmonas. Ao mesmo tempo em que estão entre os animais mais simples do planeta, são também bastante sofisticados e, muitas vezes, sensíveis a mudanças ambientais. Uma das características mais interessantes dos corais é sua capacidade de se associar a microalgas, que lhes oferecem açúcar resultante da fotossíntese, em troca de abrigo em seus tecidos.

Mudanças ambientais, como o aumento de temperatura, podem desencadear uma resposta de estresse nos corais, que expulsam essas microalgas. Como a cor do coral muitas vezes depende dos pigmentos dessas algas, ao expulsá-las, o coral perde a cor e seu esqueleto branco, que fica abaixo do seu tecido transparente, torna-se visível. Por isso, essa resposta ao estresse é conhecida como branqueamento de corais e pode levar à morte desses animais.

Com mais de 7 bilhões de pessoas vivendo no planeta, as consequências das nossas atividades têm causado fenômenos de branqueamento de corais com uma frequência e intensidade jamais vistas antes. Em 2016, por exemplo, o branqueamento de corais chegou a atingir 80% dos corais na Austrália, trazendo consequências que vão muito além da morte desses organismos. Esse fenômeno foi muito bem documentado por pesquisadores na Austrália e em diversos outros locais do mundo, causando muita preocupação em relação ao futuro dos oceanos.

E no Brasil? Você já viu ou ouviu falar em branqueamento de corais por aqui? Sabe ou quer saber por que isso é importante? Como estudar o branqueamento de corais em um país do tamanho do Brasil? Será que você pode ajudar?

Apresente suas dúvidas e opiniões. Participe de chat da Ciência Hoje para construirmos um artigo sobre o tema, levando em conta as suas dúvidas e observações.

Guilherme Ortigara Longo
Universidade Federal do Rio Grande do Norte

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Matéria publicada em 09.04.2019

COMENTÁRIOS

  • Sergio Floeter

    Muito importante o tema prof Longo!

    Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

    • Isaías Amado

      Maravilhoso o tema, acho lindo os corais. Gostaria de ler também sobre a retirada deles de forma ilega por aquaristas e as espécies que vivem na bahia de guanabara.

      Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

      • Guilherme Longo

        Oi Isaías, os corais são demais mesmo! Muito legal você ter levantado os impactos da retirada dos corais dos ambientes naturais. Além de bonitos, os corais tem um papel importante no recifes de aumentar a complexidade do ambiente. Isso é importante pra gerar mais opções pra organismos se esconderem e se alimentarem. Quando os corais são retirados do ambiente, esse papel acaba se perdendo e prejudicando vários organismos. Quando os corais branqueiam em massa, por exemplo essa é uma das principais perdas. Seguimos conversando!

        Publicado em 9 de abril de 2019

    • Guilherme Longo

      Muito obrigado pelo comentário! Acompanhe as discussões no chat e dê sua opinião também.

      Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

  • Renata Vilela

    Gostaria de saber se há alguma atividade industrial que impacte sistematicamente os corais e cause o branqueamento. Quais são as leis necessárias para frear o processo no Brasil? Em nível mundial há algo sendo feito?

    Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

    • Anônimo

      Oi Renata! Obrigado pelo comentário!
      Bom, os corais estão sofrendo diversas ameaças que resultam de várias atividades humanas diferentes. Com a industrialização, passamos a emitir diversos gases na atmosfera que aumentam a intensidade do efeito estufa, ou seja esquentam a terra e os oceanos. Um desses gases é o dióxido de carbono que, além de aumentar o efeito estufa se dissolve na água do mar tornando-a mais ácida, o que prejudica o crescimento dos corais. Ou seja, atividades industriais em geral ou a simples queima de combustível de um carro ou avião já contribui pra que esse fenômeno aconteça. Aquecendo o mar, causamos branqueamento, Acidificando o mar, prejudicamos seu crescimento, Existem sim esforços e acordos internacionais, como o Acordo de Paris (http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/acordo-de-paris), onde diversos países se comprometeram a reduzir suas emissões de gases estufa. O Brasil, por exemplo, se comprometeu a reduzir as emissões a níveis 37% menores do o que tínhamos em 2005 e nossa meta é fazer isso até 2025. Para isso, os países devem adotar práticas de produção mais sustentáveis, como reduzir uso de combustível fóssil através de mudanças na matriz energética. É um longo caminho, mas possível e necessário. Você já tinha ouvido falar sobre isso ou já tinha imaginado que isso poderia afetar os corais? Seguimos conversando!

      Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

      • Guilherme Longo

        Ops! Esqueci de assinar o comentário acima! : – )

        Publicado em 9 de abril de 2019

    • Sávio Calazans

      Olá Prof. Guilherme, Parabéns pela iniciativa!! Para contribui, deixo então uma pergunta. Em quais condições os corais conseguem resistir e ou se recuperar do branqueamento?

      Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

      • Guilherme Longo

        Oi Sávio, obrigado pelo comentário e a pergunta. Bom, é uma questão bastante delicada, mas basicamente as chances de resistência e recuperação de corais dependem muito da intensidade e frequência dos impactos, mas também de quantos impactos simultâneos os corais estão sofrendo. Por exemplo, se há um aumento brusco de temperatura por um período curto em um local protegido de poluição, os corais provavelmente terão uma boa chance de resistir ou mesmo de se recuperarem após um branqueamento. Mas se além do estresse de temperatura, os corais ainda estiverem sob influência de poluição intensa, isso pode reduzir bastante essas possibilidades. Seguimos conversando!

        Publicado em 10 de abril de 2019

  • Vinicius Giglio

    Muito bom professor, fico feliz que cada vez mais os pesquisadores estão investindo esforços em se comunicar com a sociedade. Parabéns!

    Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Maravilha Vinícius! Seguimos nessa missão necessária! A ciência faz parte do dia a dia de tod@s, mesmo que às vezes a gente nem perceba. Por isso é cada vez mais importante falarmos sobre ciência, pra que a gente enxergue seu real valor no nosso cotidiano e de como a ciência torna nossa vida melhor. Seguimos conversando!

      Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

  • Carlos Ferreira

    Se todos ajudarem a monitorar vai ajudar a entendermos a escala dos eventos de branqueamento e melhor poderemos prever os proximos eventos.

    Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Exatamente Carlos! É por isso que estamos recrutando os milhões de olhos atentos que se voltam aos corais diariamente! Todos podem participar desse monitoramento através das redes sociais do #DeOlhoNosCorais. Com a costa Brasileira sendo tão longa, fica difícil poucos pesquisadores monitorarem tudo sozinho em tempo real. Eu diria impossível! Mas com todos ajudando, a gente entende melhor esses fenômenos com certeza! Seguimos conversando!

      Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

  • Pedro Pereira

    Massa! Parabéns pela iniciativa pessoal!

    Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Muito obrigado pelo comentário! Acompanhe as discussões no chat e dê sua opinião também.

      Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

  • MARCELA CRISTINA GARBOSA MEISSNER

    Alguns protetores solares podem afetar os corais né?

    Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Exatamente Marcela! Particularmente aqueles que tem oxibenzeno em sua composição. O interessante é que a maior parte das evidências para o efeito negativo do protetor solar e seus componentes químicos sobre a saúde dos corais vem de experimentos em laboratório. Algumas dessas substâncias podem causar branqueamento, outras afetar a formação e desenvolvimento das larvas dos corais, e até mesmo causar alterações no DNA que podem reduzir seu tempo de vida, comprometendo seu desenvolvimento e reprodução.
      A grande questão agora é qual é a concentração necessária desses compostos na água para que eles tenham tantos efeitos negativos. Onde e como atingimos essa concentração em situação natural? Ou seja, quantos banhistas cobertos de protetor solar são necessários para atingir a concentração que danifica os corais? Enquanto os cientistas buscam respostas exatas a essas perguntas, o melhor que temos a fazer é buscar marcas menos tóxicas disponíveis no mercado e evitar usar protetor solar quando entrar em pequenas poças ou piscinas de maré, comuns em diversas praias do nordeste por exemplo. Se a quantidade de água for muito pequena, o efeito negativo sobre os corais pode ser mais intenso e rápido.
      É sempre bom ficarmos atentos pra não aumentar ainda mais as ameaças aos corais! Obrigado pela pergunta e seguimos conversando!

      Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

  • Rafael Menezes

    Parabéns pela bela iniciativa Pro.f. Guilherme. Devemos centrar esforços a fim de entender as causas e consequências dos eventos de branqueamento ao longo da costa brasileira. Tais resultados servirão para o estabelecimento de políticas públicas e tomadas de decisão. Tâmo nessa #DeOlhoNosCorais”

    Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Oi Rafael, muito obrigado pela mensagem. Esse é exatamente o espírito colaborativo do #DeOlhoNosCorais. Quando todo mundo contribui para gerar uma informação, ela deixa de ser só uma notícia e passa a ser uma realidade reconhecida por todos. Nessa parceria, esses resultados produzidos em conjunto por cientistas e não cientistas estarão pautados na metodologia e rigor científicos, podendo sim ser importantes para informarmos ações de conservação. Muito legal saber que você já está #DeOlhoNosCorais! Juntos vamos aumentando o time. Seguimos conversando!

      Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

  • Juliana Müller

    Excelente iniciativa com a aproximação da sociedade e universidade !!

    Minha pergunta é ..qual a melhor forma para restringir o acesso livre das pessoas que transitam sobre os corais , especificamente aqui na Bahia ?

    Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Oi Juliana, obrigado pelo seu comentário e pergunta! Realmente o pisoteio de corais em recifes costeiros é uma ameaça grande, uma vez que os corais tem um tecido bem fininho e frágil sobre o esqueleto duro. Imagino que sua percepção desse impacto na Bahia acontece pela grande quantidade desses ambientes próximos a costa, em locais bastante acessíveis. Acho que existem diversas formas de evitar e reduzir o pisoteio. O ordenamento das atividades turísticas, por exemplo, é um bom começo. Temos bons exemplos de áreas no Brasil onde os condutores são capacitados para orientar os turistas a não tocarem ou pisarem nos corais, outros onde o turismo ocorre em áreas menos sensíveis, onde o uso de nadadeira é restrito entre outras medidas. Claro que essas medidas dependem bastante de fiscalização e do se fazer cumprir, o que é um grande desafio na nossa realidade. Então, ainda acho que um ótimo caminho pra reduzir o pisoteio é justamente falar mais sobre os corais, quem são, sua importância e por aí vai, O famoso caminho da conscientização. Muitos podem achar que é um ideal romântico, mas enquanto as pessoas não souberem que corais são organismos vivos e não pedras, é muito difícil de evitar o pisoteio. Por isso, acredito mesmo nesse caminho de aproximar a sociedade brasileira do mar e dos corais, pra que na hora de dar aquele passinho em cima de um coral a gente possa lembrar que está na verdade pisando em um animal vivo. Seguimos conversando!

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Erika Santana

    Iniciativa fantástica, Guilherme e cia!
    Levar o que produzimos dentro da universidade para a sociedade é algo super importante! faz com que as pessoas entendam e se sensibilizem sobre as consequências das mudanças ambientais nos ecossistemas.
    Até agora, algum local apresentou maior registro de corais branqueados que outro? Quais espécies foram as que mais apresentaram branqueamento? Fiquei curiosa!
    Bom, vamos continuar #deolhonoscorais

    Publicado em 9 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Oi Erika, obrigado pelo comentário e pela ótima pergunta! Através do #DeOlhoNosCorais, temos recebido informações de branqueamento em diversos estados (RN, PB, AL, SE, BA, RJ, SP, PR e SC). Mais recentemente, uma onda de calor atingiu fortemente a região de Abrolhos, Rio de Janeiro e São Paulo. Na região de Abrolhos, por exemplo, o coral de fogo (Millepora alcicornis) foi o que mais sofreu com essa onda de calor, enquanto que no sudeste (RJ e SP) os corais cérebro (Mussismilia hispida) foram os mais afetados. Outro registro comum de espécie branqueada é o do coral estrela ou moranguinho (Siderastrea sp.) ao longo de toda a costa. Interessantemente, esse coral parece ter uma boa capacidade de recuperação. Agora, além do branqueamento o #DeOlhoNosCorais está focado também em encontrar e registrar essas histórias de recuperação. Então, se tiver registros, não esqueça de compartilhar com a gente! Seguimos conversando!

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Millena

    Parabéns pela iniciativa!!
    Preservar os corais é de extrema importância para a manutenção do equilibrio dentro e fora do ambiente aquático. Além disso, divulgar o conhecimento cientifico ajuda na preservação, pois quem não conhece e passa a entender a importância dessses organismos para os ecossistemas, pode despertar o interesse em ajudar a preserva-los.

    Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Muito obrigado pelo comentário Milena! Concordo com você. Quanto mais a gente se aproximar do mar e dos organismos marinhos, mais empatia a gente tem e passa a reconsiderar algumas de nossas atitudes. Contamos com você pra participar do #DeOlhoNosCorais e divulgar essa ideia! Seguimos conversando!

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Anônimo

    Iniciativa incrível, parabéns! Tivemos dois eventos de branqueamento em massa de 2016 pra cá no Brasil (um em andamento). Em sua opinião qual seria o prognósticos para a saúde dos corais brasileiros até o fim do século?

    Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Ronaldo Francini Filho

    Iniciativa incrível, parabéns! Tivemos dois eventos de branqueamento em massa de 2016 pra cá no Brasil (um em andamento). Em sua opinião qual seria o prognósticos para a saúde dos corais brasileiros até o fim do século?

    Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Oi Ronaldo, obrigado pelo comentário e pela excelente pergunta! De fato, os eventos de branqueamento tem ficado mais intensos e frequentes. Dois eventos de 2016 pra cá, como você mesmo levantou, pode ser muito estresse para os corais e dificultar sua recuperação. Mas também existem indícios de que os corais no Brasil ainda podem ser resistentes e se recuperar bem. Por exemplo, um artigo publicado no mês passado mostra que houve bastante branqueamento na região de Abrolhos durante o evento de 2016, mas relativamente pouca mortalidade. O que até pode dar um certo alívio. Mas sabemos que está ocorrendo branqueamento novamente em Abrolhos nesse momento, então é importante monitorarmos essa mortalidade e recuperação. Pra isso, o #DeOlhoNosCorais está em uma parceria bem bacana com o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, e esperamos gerar bons indicativos.
      A questão principal pra gente tentar fazer um prognóstico para a saúde dos corais, na minha opinião, é que o branqueamento ligado à eventos climáticos não acontece isoladamente de outros impactos. Os corais tem que responder a esses eventos climáticos, mas também à poluição, esgoto, um sistema desequilibrado pela pesca e até com desastres ambientais como os que temos tristemente observado nos casos de rompimento de barragens. Ou seja, o prognóstico para a saúde dos corais depende muito das nossas ações em relação à essas outras ameaças também, Gosto de acreditar que se a gente conseguir reduzir esses impactos diretos e a emissão de gases estufa, os corais ainda podem resistir. Mas isso só vai acontecer se a gente mudar várias ações pra dar essa chance de resposta aos corais. Seguimos conversando!

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Diana

    Gui que iniciativa tão legal !!!
    Agora queria comentar e no final fazer uma pergunta.
    Em Arraial do Cabo parece que não existe uma fiscalização forte, várias escolas de mergulho parecem ter mergulhadores pouco preparados para levar outros; já que não fazem as recomendações necesarias de não tocar a vida marinha além de isso levam arrastando a pessoa (batismo) pelo fondo marinho damnificando os corais com certeza, tem fotógrafos que por ter uma boa foto do cliente deita e senta nos corais.
    E agora a pergunta tem algum órgão que consiga fiscalizar esos fatos além de exigir o bom comportamento dos mergulhadores frente a vida marinha?
    Obrigada Gui

    Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Oi Diana, obrigado pelo comentário e pela pergunta. O toque constante ou revolvimento de fundo podem trazer consequências negativas não apenas aos corais mas ao recife como um todo. É uma questão bastante delicada, já que a fiscalização, como você questiona, dependeria de pessoas que acompanhassem todas as operações de mergulho. Ou seja, inviável na pratica. Então, ainda acho que a melhor saída é a conscientização dos mergulhadores em relação aos potenciais efeitos negativos de tocar nos recifes e a capacitação dos condutores de mergulhos e fotógrafos submarinos. Temos evidências científicas, por exemplo, que indicam que uma explicação bem feita no barco (briefing) antes da atividade do mergulho, reduz bastante a conduta dos mergulhadores durante o mergulho. Então, acho que esse é o caminho mais viável. Seguimos conversando!

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Aristides Salgado G Neto

    Prezado Prof. Guilherme, com a recente proposta do governo em leiloar áreas de exploração petrolíferas próximas ao banco dos Abrolhos , poderia tecnicamente ser mobilizada a comunidade científica/acadêmica para tentar divulgar como um eventual vazamento de petróleo poderia afetar os corais e a área de maior diversidade marinha do atlântico sul, visando quem sabe evitar ou rever essa atividade em alguns locais mais sensíveis ?

    Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Oi Aristides, ótima pergunta! De fato a liberação da exploração de petróleo em uma área tão próxima de Abrolhos é realmente perigosa, particularmente pelo risco de vazamento como você levantou em seu comentário,. A ANP já vem tentando leiloar esses lotes pelo menos desde 2003, o que foi barrado depois de grande pressão popular baseado em informações geradas pela comunidade científica. A comunidade científica vem se articulando há anos e demonstrando os potenciais perigos dessa atividade na região, o que inclusive subsidiou o parecer técnico negativo à exploração que foi ignorado pelo IBAMA. Infelizmente as pressões na esfera política tem passado por cima de fatos e argumentos técnicos e científicos, de maneira bastante inconsequente em diversas decisões.

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Temos acompanhado o resultado desta prática, como por exemplo nos desastres do rompimento da barragem da SAMARCO em 2015 e da VALE em janeiro deste ano. Ainda assim, existem movimentos importantes que ainda buscam rever ou reverter a decisão de exploração de petróleo nessa região dos Abrolhos. O melhor de tudo é que todos nós podemos participar de alguma forma. A rede Pró UCs, por exemplo, lançou a campanha #NãoMatemAbrolhos nas redes sociais que orienta como entrar em contato com a ANP que receberá até hoje sugestões sobre a rodada de licitações de áreas de exploração de petróleo.

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

      • Guilherme Longo

        Complementando a resposta ao Aristides sobre o que fazer em relação ao leilão das áreas para exploração de petróleo próximo a Abrolhos, todos podemos mandar email para rodadas@anp.gov.br. nos posicionando a respeito. A carta deve incluir nome e CPF. Há também petições online contra essa atividade que podem ser acessadas aqui (act.350.org/sign/salve-abrolhos-do-petroleo). A briga é grande, mas a manutenção da biodiversidade vale muito mais, certamente. Seguimos conversando!

        Publicado em 10 de abril de 2019

  • Hudson

    Em casos em que ocorrem a construção de portos em áreas recifais e esses recifes retirados se fixam em outros tipos de substratos (inconsolidado, por exemplo) o quanto isso pode afetar a teia trófica no local?!

    Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Oi Hudson, obrigado pela pergunta. Com certeza a construção de portos sobre áreas de recifes trazem sérios impactos a todo o funcionamento desses ambientes, incluindo as teias tróficas. Temos evidências de mudança de uso do ambiente por diversos animais em decorrência da construção de portos, por exemplo tubarões. Em relação à relocar recifes inteiros, acredito que seja uma opção pouco viável. A melhor solução é um bom planejamento de onde instalar empreendimentos em zonas marinhas e costeiras, levando em conta impactos e benefícios ambientais, sociais e econômicos. Seguimos conversando!.

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Ricardo Carvalho

    Já existe corais resistente a acidificação dos oceanos?

    Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Oi Ricardo, excelente pergunta, Existem exemplos na literatura científica de comunidades de corais que ocorrem em águas naturalmente mais ácidas que o valor atual, porque ficam ao redor de fontes naturais de dióxido de carbono (CO2). Esse é o caso de alguns lugares em Palau (vale uma pesquisa no Google, o local é fantástico!). A questão é que esses corais se estabeleceram nessas áreas há anos, sendo adaptados à essa condição. A acidificação dos oceanos decorrente de ações humanas está ocorrendo muito rapidamente, então provavelmente não haverá tempo suficiente para que os corais se adaptem. Seguimos conversando!

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Anônimo

    O despejo de microplásticos tem algum efeito sobre os corais?

    Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Ótima pergunta! Essa é uma área de estudo recente, mas os estudos apontam que espécies diferentes de corais tem também uma resposta variável ao microplástico. A maioria deles ingere microplásticos, sendo que alguns permanecem tentando digerir por algum tempo enquanto outros rapidamente rejeitam essas partículas por reconhecerem sua indigestibilidade. Outras espécies, quando contactadas com microplástico, porém sem ingestão, aumentam sua produção de muco como uma forma de limpeza dos seus tecidos. O fato é que a maior parte dos corais em contato com microplásticos exibiram branqueamento pontual ou necrose de tecido. Embora a gente ainda precise estudar bastante o tema, aparentemente nem os corais fogem do microplástico. Seguimos conversando!

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Vinicius Cruz

    Parabéns pelo trabalho! Maravilhosa iniciativa que conta com a ajuda de todos!

    Minha dúvida é a seguinte: a recuperação de um branqueamento é possível, mas chega a ser viável atualmente? Quais ações diretas/indiretas podemos tomar pra tentar reverter esses impactos negativos? Ainda mais pensando em grandes casos como esse da Austrália que atingiu 80% do corais.

    Seguimos #DeOlhoNosCorais

    Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Oi Vinícius, obrigado pelo comentário e a pergunta. A recuperação após o branqueamento, na minha opinião, é ainda viável se conseguirmos controlar os demais impactos em escalas locais. Penso isso baseado em exemplos científicos que apontam, por exemplo, que embora tenha havido um grande evento de branqueamento em Abrolhos no ano de 2016, a mortalidade foi relativamente baixa, indicando que os corais podem se recuperar. Mesmo na Austrália, diversos recifes conseguiram se recuperar após esse evento massivo. Em relação ao que podemos fazer, acho que efetivamente é reduzir impactos locais como esgoto, poluição, pisoteio, coleta, sobrepesca, entre outros, além de diminuir nossas emissões de gases estufa. Essas ações pelo menos darão uma chance melhor aos corais. Por outro lado, a ciência já está correndo em paralelo criando técnicas para remediar branqueamento (probiótico que auxilia na recuperação) e outras para gerar corais mais resistentes. Embora promissoras, essas ações ainda estão um pouco distantes e precisamos agir agora. Seguimos conversando!

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Anônimo

    A relação entre algas e corais pode ser harmônica, quais fatores podem estimular a expulsão das algas pelos corais?

    Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Interessante! Os corais fazem essa relação harmônica com as microalgas (dinoflagelados), onde a alga ganha abrigo e o coral parte dos produtos da fotossíntese realizada pelas microalgas. Em geral, temperatura e incidência de luz elevadas provocam a expulsão dessas microalgas. A hipótese fisiológica para esse fenômeno é baseada no estresse oxidativo e diz basicamente que o aumento de temperatura estimula a reprodução das algas, que tornam-se mais numerosas nos tecidos dos corais, e que a alta incidência de luz aumenta a fotossíntese. Um dos produtos da fotossíntese é o oxigênio, aquele mesmo que está na água oxigenada que borbulha e faz arder os machucados. Assim como a gente sente esse incômodo, derivado do estresse oxidativo, o aumento da liberação de oxigênio também irritaria o coral sendo o gatilho para a expulsão das microalgas. Além disso, a competição com outros organismos como algas, eventos de soterramento e infecções por patógenos também podem resultar em branqueamento. Obrigado pela pergunta e seguimos conversando!

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Yohran

    Que tipo de proposta tem sido feita para correlacionar o monitoramento via imagens ao monitoramento de qualidade da água?

    Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Oi Yohran, obrigado pela pergunta. O nosso monitoramento cidadão é baseado nas imagens postadas pelos cientistas-cidadãos, acompanhadas de informações de localização. Monitorar a qualidade da água, in situ, seria fantástico porém um desafio grande! Por isso, temos utilizado dados derivados de satélite disponíveis em reposítórios públicos. Com essa abordagem, por exemplo, o #DeOlhoNosCorais compartilhou um alerta de branqueamento emitido pelo NOAA (agência nacional norte-americana responsável pelos oceanos e atmosfera) baseado em uma onda de calor que atingiu parte da região nordeste (Abrolhos) e a região sudeste (RJ e SP). A partir deste alerta, os cientistas-cidadãos compartilharam diversas imagens que nos permitem correlacionar com os dados de temperatura de satélite. Existem também outros parâmetros disponíveis que serão de grande valor pra análise dos dados obtidos. Seguimos conversando!

      Publicado em 10 de abril de 2019 Responder

  • Kelly

    Olá, prof Guilherme!!
    Adorei o projeto!!!
    Pra colaborar, posto uma foto de coral, indicando o local e a data do registro e marcando a #deolhonoscorais, certo?
    A partir daí tenho duas dúvidas:
    – e se eu não tiver uma câmera à prova d’água ou não consiga registrar em foto/vídeo o coral, como faço pra colaborar? Posso somente comentar sobre o que vi?
    – como esses dados serão utilizados? Pra onde eles vão depois que postamos?
    – ás vezes vejo corais com areia, bichos e/ou poluição em cima deles; devo retirar?

    No mais, seguirei #deolhonoscorais e ansiosa pelo artigo!!

    Publicado em 11 de abril de 2019 Responder

    • Guilherme Longo

      Oi Kelly, muito obrigado pelo comentário! Exatamente, você descreveu certinho como fazer para participar! Agora vamos às suas dúvidas: Caso você não consiga fotografar ou filmar pelos diversos motivos que levantou, ainda vale usar a hashtag #DeOlhoNosCorais para compatilhar suas impressões sobre o ambiente. Se souber, pode dizer quais espécies viu, se elas estavam branqueadas, entre outros. Essas fotos e relatos são compiladas pela nossa equipe que faz a identificação da espécie e um diagnóstico de saúde do coral baseado na imagem. A partir disso, esse registro passa a fazer parte de um banco de dados que vai nos permitir avaliar a saúde dos corais em toda a costa brasileira e praticamente em tempo real! A melhor conduta durante a visita é não tocar o fundo ou os animas. Claro que se houver uma sacola plástica enrolada em um coral, por exemplo, o seu esforço para retirá-la cuidadosamente pode fazer a diferença. Mas interferência apenas em casos como esse e sempre com muito cuidado. Obrigado por acompanhar e participar do #DeOlhoNosCorais! Seguimos conversando.

      Publicado em 11 de abril de 2019 Responder

  • Eddie

    Excelente iniciativa Prof. Guilherme! A equipe do projeto está de Parabéns!
    É muito importante gerar aproximação entre a comunidade científica e a sociedade. Só assim teremos mais responsabilidade com o ambiente, valorização e entendimento da ciência. Com certeza todos podem ser cientistas!
    Já que um dos focos do projeto é de que todos podem ajudar a monitorar os corais no Brasil, fiquei curioso com uma coisa. Vocês tem uma ideia de como os dados que estão sedo gerados pelos cientistas-cidadãos complementam ou se aproximam dos dados que os pesquisadores geram? Além disso, existe alguma orientação de como as fotos devem ser tiradas para melhorar a obtenção dos dados pela equipe do projeto?

    Publicado em 11 de abril de 2019 Responder

  • Guilherme Longo

    Oi Eddie, muito obrigado pelo comentário! O #DeOlhoNosCorais é um trabalho em equipe que envolve pesquisadores em diversas etapas da sua careira, desde a graduação até o pós-doutorado, Sem o comprometimento da equipe e sem os cientistas-cidadãos dispostos a participar, não haveria #DeOlhoNosCorais! = )
    Respondendo suas perguntas, fizemos um levantamento rápido no início desse ano e os registros compartilhados por cientistas cidadãos já atingiram 40% do conhecimento científico, confirmando padrões de ocorrência de diversas espécies inclusive. Os dados são bastante complementares principalmente porque enquanto pesquisadores visitam suas áreas de estudo com frequência limitada, ao formarmos uma rede com cientistas-cidadãos todos os dias alguém estará #DeOlhoNosCorais. Isso aumenta muito a frequência de monitoramento, nos permitindo detectar e responder à mudanças rápidas que talvez fossem perdidas pelos registros menos frequentes. Sobre as fotos, é bem importante pra nós que o coral seja o foco da foto, apareça por inteiro, sem sombra ou muita sedimentação na água. Quanto mais o cientista-cidadão caprichar na foto, mais informações conseguimos obter e de maneira mais precisa. Na dúvida, compartilhe mais de uma foto do mesmo coral que a gente faz a seleção no laboratório. Obrigado por acompanhar e participar do #DeOlhoNosCorais! Seguimos conversando.

    Publicado em 11 de abril de 2019 Responder

  • Paula

    Muito interessante!!! Legal perceber que qualquer pessoa pode ser um cientista e ajudar com essa coleta de dados! A gente tende a pensar que fazer ciência é algo muito complexo, mas projetos como esse mostram que nós temos as ferramentas necessárias pra trabalhar em conjunto e conseguir resultados relevantes que nos ajudem a compreender melhor as consequências do que estamos passando! Parabéns pela iniciativa, e vamos seguir juntos #DeOlhoNosCorais :)))

    Publicado em 12 de abril de 2019 Responder

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