E quando o cérebro começa a falhar?

O aumento da expectativa de vida traz grandes desafios para a ciência, entre eles o entendimento e tratamento de doenças neurodegenerativas

O nosso cérebro é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos, armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade de manifestarmos a nossa forma humana.

As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência. Seu exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas doenças se desenvolvem e em identificar potenciais formas de tratá-las.

O que você sabe sobre doenças neurodegenerativas? O que gostaria de saber? Dê a sua opinião. Participe do chat no site da Ciência Hoje para que possamos construir um artigo levando em conta as suas dúvidas e observações. Use a seção abaixo para interagir com o cientista!

Mychael Lourenço
Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis/UFRJ

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Matéria publicada em 07.05.2019

COMENTÁRIOS

  • Ana Paula Legey

    Olá! Sou Ana Paula Legey. Minha mãe tem Alzheimer. Começamos a perceber esquecimentos faz uns 5 anos, E, hoje, está evoluindo muito rápido. Ela não realiza mais sozinha atividades cotidianas e nem de higiene sozinha. Mas sempre fiquei curiosa com uma questão, que já procurei respostas e não achei. Em 2014 minha mãe foi internada, às pressas, e descobrimos uma grave crise de hiponatremia. Uma queda brusca de sódio no organismo. E ela é dependente de cápsulas de sódio para viver ou seja para as suas funções vitais. Estaria a hiponatremia associada ao Mal de Alzheimer? Já que o sódio e tão importante para o funcionamento celular!?
    Uma outra curiosidade é: porque a música fica tão presente nos portadores e não esquecem as letras? Dizem que são importantes no tratamento. Isso é verdade?
    Obrigada e parabéns pela abordagem tão atual e necessária de ser esclarecida a população!
    Ana Paula

    Publicado em 7 de maio de 2019 Responder

    • Mychael Lourenco

      Olá, Ana Paula! Obrigado pelo comentário. Existe sim uma associação entre hiponatremia e um risco aumentado de desenvolver doença de Alzheimer, mas no caso específico da sua mãe não há como ter certeza de que a hoponatremia detectada há cinco anos é a causa do Alzheimer. Hoje sabemos que as mudanças degenerativas começam a acontecer no cérebro dos pacientes muito antes dos primeiros sintomas aparecerem. No entanto, é possível que a ocorrência de hiponatremia crônica, não detectada sensívelmente antes de 2014 no caso da sua mãe, tenha se associado a outros fatores que culminaram no aparecimento da doença de Alzheimer. E você tem toda razão em dizer que o sódio é essencial para o funcionamento do organismo. Pequenas alterações na concentração celular e sanguínea de sódio podem trazer problemas.
      Sobre a questão da música, ela parece sim uma estratégia interessante para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A música ativa circuitos bastante complexos no cérebro, mas ativa consideravelmente circuitos emocionais (límbicos) que são preservados em estágios iniciais e moderados da doença. Embora não seja a cura, alguns estudos já mostraram como a qualidade de vida dos pacientes se torna melhor quando eles são constantemente estimulados com músicas que gostam.

      Publicado em 7 de maio de 2019 Responder

      • Ana Paula Legey

        Muito obrigada pela resposta!!’
        Procuramos fazer atividades com fonoaudióloga que a estimula com atividades lúdicas e inclui a música! Vamos insistir nesta questão. Ela realmente tem ficado muito feliz!
        Também é estimulada com alguns exercícios pelo fisioterapeuta, para melhorar circulação e evitar a perda da massa muscular. O que percebi que é comum!
        Ela hoje usa os adesivos como medicamento, receitado pela Neurologista. não deglute com facilidade. É uma dica que dou nestes casos, claro que orientado por médicos especialistas. E trabalhar a musculatura da deglutição desde muito cedo, pelo fonoaudiólogo! O que não fizemos. A perda foi Rápida demais. Custamos a atinar sobre esta necessidade.
        Obrigada mais uma vez e que mais pesquisas sejam realizadas nesta área do conhecimento. E que vocês continuem neste caminho da divulgação científica nos ensinando e estimulando a ser mais Curiosos e multiplicadores!
        Forte abraço e sucesso! 😊
        Ana Paula

        Publicado em 7 de maio de 2019

  • jose carlos de oliveira

    Fui diagnosticado, há 10 meses atras, como padecendo de polimialgia, uma doença auto imune. Tinha dores nos ombros e só melhores após iniciar a tomar medicamento a base de prednisolona (PredSim). Porém, mesmo tomando já a muito tempo (desde agosto de 21018), se diminuo a dose (5mg por dia), as dores começam a dar sinais e, suponho que se parar elas voltarão com todas as consequência da inflamação. Gostaria de saber se a polimialgia tem cura, quais of efeitos colaterais do medicamento e por quanto tempo será possível manter a dose sem muito prejuízo para a saúde. Devo dizer que sou octogenário e que operei o intestino grosso (colon), em julho de 2016, sendo ostomizado desde então. Agradeço sua atenção. Jcarlos

    Publicado em 7 de maio de 2019 Responder

    • Mychael Lourenco

      Boa noite, José Carlos. Não sou médico nem especialista nessa área específica, mas sendo uma condição autoimune, costuma-se realmente recomendar o uso de corticosteróides, como é o caso da prednisolona. Até onde sei, realmente é necessário usar o medicamento continuamente em polimialgia reumatóide. Uma consequência ruim do uso continuado poderia ser a dificuldade em controlar algumas infecções, mas para maiores detalhes, sugiro entrar em contato com um reumatologista. Desejo saúde a você.

      Publicado em 7 de maio de 2019 Responder

  • Ana Maria

    A pesquisa de brasileiros que mostra que exercícios físicos podem atenuar os efeitos do Alzheimer são uma pista para sonharmos com uma cura para a doença no futuro?

    Publicado em 8 de maio de 2019 Responder

    • Mychael Lourenco

      Olá, Ana Maria! Nosso trabalho feito na UFRJ indica mecanismos que o exercício dispara no corpo que podem, no futuro, ser testados em humanos sim. Esse foi um avanço importante, ao destacar um mecanismo que o exercício físico exerce para proteger o cérebro. Esse trabalho tem o potencial de explicar, em parte, como o exercício regular protege o cérebro do Alzheimer e também dá bases para testarmos mais a fundo o papel do hormônio irisina, liberado pelo exercício, na doença. Isso não quer dizer que será uma cura, necessariamente, mas muitos estudos tem sido feitos em diversos laboratórios do Brasil e do mundo para se entender os mecanismos do Alzheimer e buscar por uma cura. Há certamente esperança, mas o caminho ainda deve ser longo. Outra coisa que precisa avançar é a identificação precoce da doença, uma vez que talvez seja relativamente tarde intervir nos pacientes quando eles já apresentam sintomas. Muitas coisas acontecem no cérebro antes dos problemas iniciais de memória começarem a aparecer. Mas, com pesquisa e investimento na área, há o potencial de se chegar a uma cura no futuro sim.

      Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

  • Everton de Souza

    Já li reportagens sobre como nossos hábitos podem influir em termos doença de Alzheimer e outras demências na velhice. Falta de sono, comida gordurosa, não tratar o colesterol alto… Essas são só suposições? Mudar o estilo de vida quando já estamos mais velhos pode ajudar na prevenção ou somente na juventude?

    Publicado em 8 de maio de 2019 Responder

    • Mychael Lourenco

      Olá Everton! Você tem toda razão! Diversos estudos indicam que hábitos de vida pouco saudáveis aumentam sim o risco de se desenvolver a doença de Alzheimer. Dentre estes hábitos, encontram-se alimentação desbalanceada, poucas horas de sono, sedentarismo, etc. Nunca é tarde para se mudar os hábitos de vida e prevenir não só Alzheimer, mas várias outras doenças, incluindo doenças coronarianas, câncer, etc. De fato, intervenções multidomínio nestes diferentes componentes da vida parecem estar associados a um menor risco de desenvolver Alzheimer. Assim, mãos à obra! Abraços.

      Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

  • Ricardo Rocha de Castro

    Acho a doença de Alzheimer terrível e que produz sofrimento a todos os envolvidos, em especial ao doente, propriamente dito. A alimentação equilibrada pode nos preservar do desenvolvimento dessa moléstia!? Alguns exercícios específicos, para o cérebro interferem de maneira positiva!? Pintar essas revistas de colorir auxiliam a manter o cérebro saudável!? Seriam essas as minhas perguntas.

    Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

    • Mychael Lourenco

      Bom dia, Ricardo! Claro que não dá para garantir que alguém com alimentação saudável e hábitos adequados de vida não terá Alzheimer. Mas existem evidências de estudo em humanos mostrando que alimentação balanceada, prática regular de exercício físico, sono apropriado e exercícios cognitivos para o cérebro podem diminuir a chance de se desenvolver Alzheimer sim. Abraços.

      Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

  • Rosa (via facebook)

    Com está o desenvolvimento de novas drogas para tratamento das doenças neurodegenerativas?

    Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

    • Mychael Lourenco

      Olá Rosa, Muitos testes clínicos tem sido feitos em pacientes para as diferentes doenças neurodegenerativas que existem. Esses estudos tem focado em dois grupos: o teste de novas drogas desenvolvidas recentemente com alvos específicos e outro em que drogas que já são aprovadas para uso em outras doenças, mas que tem potencial para funcionarem em doenças neurodegenerativas. Infelizmente, muitas das drogas recentemente tem apresentado resultados negativos nos testes com pacientes, mas há boas razões para se animar e ter esperança. Recentemente, uma nova droga se mostrou eficaz em reduzir o marcador molecular da doença de Huntington, e vários resultados sugerem que estamos no caminho certo em entender o que acontece em doenças mais comuns, como doença de Alzheimer e Parkinson. O caminho até remédios efetivos disponíveis na farmácia pode demorar, mas o futuro é promissor.

      Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

  • Eliane (via facebook)

    Essa doença me parece ligada a emoções de inadaptação a realidade. Há níveis de intensidade que variam de acordo com as características pessoais…e com a idade.

    Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

    • Mychael Lourenco

      Olá Eliane, existem diversos fatores associados ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. Acredita-se que não tenha uma causa única para ela. A idade é, de fato, o principal fator de risco. Muitos mecanismos tóxicos no cérebro começam a acontecer anos antes que os sintomas sejam detectados e, por isso, é tão difícil tratar.

      Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

  • Rosa de Paula

    Gostaria de saber como estão os desenvolvimentos das pesquisas no mundo para tentar reverter as doenças neurodegenerativas do cérebro?

    Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

    • Mychael Lourenco

      Olá Rosa, Muitos testes clínicos tem sido feitos em pacientes para as diferentes doenças neurodegenerativas que existem. Esses estudos tem focado em dois grupos: o teste de novas drogas desenvolvidas recentemente com alvos específicos e outro em que drogas que já são aprovadas para uso em outras doenças, mas que tem potencial para funcionarem em doenças neurodegenerativas. Infelizmente, muitas das drogas recentemente tem apresentado resultados negativos nos testes com pacientes, mas há boas razões para se animar e ter esperança. Recentemente, uma nova droga se mostrou eficaz em reduzir o marcador molecular da doença de Huntington, e vários resultados sugerem que estamos no caminho certo em entender o que acontece em doenças mais comuns, como doença de Alzheimer e Parkinson. Muitos estudos tem sido feitos em modelos animais do Alzheimer, o que é uma etapa importantíssima para que achemos a cura em humanos. O nosso laboratório aqui no Brasil tem feito pesquisa básica de grande relevância, inclusive. O caminho até remédios efetivos disponíveis na farmácia pode demorar, mas o futuro é promissor.

      Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

  • regimota06 (via instagram)

    Muitos anos de consumo de álcool eleva os riscos de alzheimer????

    Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

    • Mychael Lourenco

      Olá! Poucos estudos ainda associam especificamente o consumo de álcool ao desenvolvimento de Alzheimer, mas sabe-se, de forma geral, que hábitos de vida pouco saudáveis elevam sim o risco de desenvolver Alzheimer. Portanto, mantenha uma vida saudável, com alimentação equilibrada, exercício físico e consumo moderado de álcool.

      Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

  • Arthur

    Eu não conheço um panorama geral da dificuldade de resolver outros problemas físicos, mas por que a resolução desses problemas associados ao cérebro (ex: Alzheimer, Parkinson e etc) são difíceis de se resolver? A ciência já trabalha nesse problema há muito tempo, então quais são as principais barreiras nessa problemática?

    Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

    • Mychael Lourenco

      Olá Arthur! Obrigado pelo comentário. Achar tratamentos para qualquer doença humana não é fácil, mas o cérebro tem dificuldades adicionais. O nosso cérebro é muito complexo e pesquisas intensas ao longo dos anos tem tentado entender essa complexidade e, especialmente, o que acontece de errado nas doenças neurodegenerativas. Além disso, manipular o cerebro humano é um processo invasivo, de forma que os estudos mais recentes e tecnologias tem tentado achar formas de estudar e modular o cérebro de forma pouco invasiva. Mas progresso tem sido feito e estamos avançando!

      Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

  • Mychael Lourenco

    Olá Arthur! Obrigado pelo comentário. Achar tratamentos para qualquer doença humana não é fácil, mas o cérebro tem dificuldades adicionais. O nosso cérebro é muito complexo e pesquisas intensas ao longo dos anos tem tentado entender essa complexidade e, especialmente, o que acontece de errado nas doenças neurodegenerativas. Além disso, manipular o cerebro humano é um processo invasivo, de forma que os estudos mais recentes e tecnologias tem tentado achar formas de estudar e modular o cérebro de forma pouco invasiva. Mas progresso tem sido feito e estamos avançando!

    Publicado em 9 de maio de 2019 Responder

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