Efeitos psiquiátricos dos anabolizantes

O uso de esteroides para ganho de massa muscular pode causar dependência e desencadear transtornos psiquiátricos como a depressão

Você sabia que o Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de esteroides anabolizantes? Em busca de um corpo “sarado”, homens e mulheres vêm utilizando essas substâncias sem indicação médica, com diversos riscos à saúde.

O que poucas pessoas sabem é que além de problemas cardiovasculares, hepáticos e endócrinos, os anabolizantes podem causar dependência e vários outros sintomas psiquiátricos. Você conhece alguém que já passou por isso? Gostaria de saber mais sobre como prevenir e tratar esses sintomas? Qual é a sua opinião sobre o uso de anabolizantes, dentro e fora do esporte? Venha conversar comigo no chat da Ciência Hoje. Juntos vamos escrever um artigo sobre os efeitos psiquiátricos dos esteroides anabolizantes. Use a seção abaixo para interagir!

Julio Xerfan
Médico/Mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria/UFRJ

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Matéria publicada em 10.07.2019

COMENTÁRIOS

  • Rosa Maria Tamer Xerfan

    Muito boa essa matéria e de interesse não somente pra os esportistas como também para a população de modo geral.
    Parabéns Dr. Júlio Xerfan

    Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Obrigado, Rosa. De fato, muitas pessoas ainda pensam que o uso de anabolizantes é algo restrito aos atletas de elite. Desde a década de 1980, o uso por homens e mulheres, atletas ou não, vem aumentando. Por isso é importante sabermos como essas substâncias funcionam e os riscos de seu uso. Obrigado pela sua participação!

      Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

  • Rosa Maria Tamer Xerfan

    Muito boa essa matéria e de interesse não somente pra os esportistas como também para a população de modo geral.
    Parabéns Dr. Júlio Xerfan

    Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

  • Henrique

    Qual o risco real de desenvolvimento de problemas psiquiátricos por uso de anabolizantes? Trata-se de um problema comum ou são raros os casos?

    Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Olá Henrique! Alguns efeitos são muito comuns, como insônia e agitação. Muitos usuários de anabolizantes relatam sensações de euforia e aumento da disposição, o que pode levar à intensificação do uso e ao desenvolvimento de síndrome de dependência. Quando as doses são interrompidas, é comum que os usuários relatem sintomas depressivos, por terem perdido a energia “extra” fornecida pelos anabolizantes. Existem casos mais raros de agressividade extrema, sintomas psicóticos e tentativas de suicídio. Mesmo sintomas brandos podem levar o usuário recorrer a outras substâncias para compensar os efeitos indesejados – como usuários de anabolizantes que se tornaram dependentes de sedativos e de álcool na tentativa de controlar a insônia.
      Muito obrigado pela sua participação!

      Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

  • Eduardo Lunas

    É notório que cada vez mais as mulheres estão usando esteroides. As consequências são iguais para ambos os sexos?

    Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Olá Eduardo. Alguns estudos sugerem que as mulheres são mais sensíveis aos riscos cardiovasculares e comportamentais dos anabolizantes. Estamos falando de esteroides androgênicos, que são derivados sintéticos da testosterona. Mesmo os “design steroids” (substâncias desenvolvidas em laboratório que buscam reduzir os efeitos androgênicos e potencializar os anabólicos) trazem o risco do desenvolvimento de características sexuais masculinas. Nas mulheres, isso se manifesta como hirsutismo (crescimento de pêlos em, locais indesejados), engrossamento da voz e hipertrofia do clitóris. Sintomas ansiosos durante o “ciclo” e depressão durante a fase de interrupção também são comuns. A calvície, comum em ambos os sexos, também constuma ser um efeito que traz mais desconforto às mulheres. Obrigado pela sua participação!

      Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

  • Roberto Xerfan Júnior

    Parabéns! Isso é algo muito atual que afeta milhares de pessoas.

    Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Olá Roberto. Sim, na verdade é difícil termos uma ideia real do tamanho do problema. Estudos epidemilógicos em diferentes região do Brasil mostraram uma incidência de uso que varia a 3% a 25%, dependendo da população estudada e da região do país. Também parece haver uma redução na idade de início do uso dessas substâncias. Estudos norte-americanos já mostraram uma grande prevalência de uso de anabolizantes entre estudantes a partir dos 12 anos de idade! Isso traz inúmeros riscos para o desenvolvimento, além de expor os jovens ao uso abusivo de outras substâncias, contaminação por seringas compartilhadas e outros problemas. Obrigado pela sua participação!

      Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

  • ana

    Olá, eu já tinha ouvido falar sobre a agressividade exagerada dos consumidores de anabolizantes, mas não sobre esses outros efeitos. Como é feita essa pesquisa? Nos casos de suicídio, de que forma é possível associar com precisão ao consumo dessas drogas?

    Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Olá Ana. Experiências controladas com animais mostraram uma relação direta entre o uso de anabolizantes e aumento da agressividade e da ansiedade. Um estudo dessa forma seria eticamente impensável com humanos – não podemos adminstrar uma substância nociva em doses suprafisiológicas em sujeitos humanos para observar os efeitos adversos! Por isso, muitos estudos se baseiam em relatos de casos, em que um(a) usuário(o) de anabolizantes tentou ou cometeu suicídio. Um estudo interessante, realizado com o apoio do Deprtamento de Medicina Forense de Sidney, Austrália, observou as causas de morte não-natural dos cadáveres nos quais foi detectado o uso de anabolizantes, Destes, 54,2% haviam morrido devido à intoxicação por outras drogas em uso (como opioides e psicoestimulantes). Em segundo lugar, vinha o suicídio, responsável por 16,7% das mortes. É claro que o suicídio é uma questão multifatorial, sendo difícil termos certeza de outros problemas essas pessoas enfrentavam antes de começarem a usar anabolizantes – como um quadro prévio de depressão, por exemplo. Como no caso de qualquer outra droga de abuso, é difícil prever a vulnerabilidade de cada um aos efeitos da substância. Além disso, o uso de anabolizantes provoca riscos secundários – como o abuso de outras drogas, afastamento de funções laborais e sociais a fim de concentrar as atividades no treinamento físico e gastos excessivos em drogas para controle da imagem corporal. Todos esses fatores podem levar a um aumento do risco de suicídio. Muito obirgado pela sua participação!

      Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

  • João Raphael

    Pode relatar algum caso de um atleta conhecido que tenha sofrido com os problemas psiquiátricos provocados pelos anabolizantes?

    Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Olá João. Estudos científicos possuem um compromisso ético de manter sigilo sobre a identidade dos sujeitos da pesquisa. Alguns relatos que vemos na mídia fazem especulações sobre o comportamento agressivo de atletas que supostamente teriam usado anabolizantes. Mas não podemos nos basear nessas notícias para formar uma opinião séria sobre o assunto. Contudo, a sua pergunta traz um tema interessante para a discussão. Alguns atletas que utilizam anabolizantes têm acesso a um amplo suporte técnico para escapar dos controles antidoping, além de se submeterem a exames regulares para prevenir e tratar eventuais efeitos adversos dos anabolizantes. O que vocês acham disso? Com esse tipo de suporte é possível usar anabolizantes sem risco?
      Obrigado pela participação!

      Publicado em 11 de julho de 2019 Responder

  • Jaciara

    Boa noite! Tenho muitas dúvidas sobre o assunto. Minha mãe vem utilizando esteroides a dois anos em busca do corpo “ideal”, estou muito preocupada, pois ela ficou mais agressiva e fria como passar do tempo, além disso, alguns coágulos começaram a aparecer na perna. Ela trabalha na área de enfermagem e sempre que eu questiono seu exagero, tenho a resposta: “Você acha que é pior do que injeções mensais de anticoncepcionais aplicadas durante anos? Quanto se controla os ciclos de aplicação dos anabolizantes não tem problema….” ´Parabéns pela iniciativa!

    Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

    • Jaciara

      Ela também passou num Ortomolecular que disse: “não aprovo, nem desaprovo o uso”.

      Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

      • Dr Julio Xerfan

        Olá Jaciara. Vamos lembrar que os anabolizantes, de forma geral, são substâncias hormonais, destinadas ao tratamento de quadros de hipogonadismo masculino, anemia grave e perda de massa muscular (sarcopenia) em pacientes soropositivos para o HIV (entre outras aplicações clínicas). Como qualquer fármaco (entre eles os anticoncepcionais), o seu uso é justificado caso o risco do uso seja menor do que o risco da pessoa permanecer sem tratamento – porque todo fármaco possui o risco de efeitos adversos. Quando a pessoa não possui nenhuma condição médica que indique o uso de anabolizantes, ela está se expondo a um risco voluntariamente, a fim de obter características físicas que considere desejáveis (mais músculo, menos gordura) ou aumentar seu desempenho esportivo, por exemplo. Nessa hora, nós entramos na delicada questão da abstinência “versus” redução de dano. Caso um paciente abandone totalmente o uso de anabolizantes (o que também deve ser feito sob supervisão, para evitar sintomas de abstinência), ele/ela deixa de se expor aos riscos, mas também deixa de obter os benefícios que sentia com a droga. Nessa hora, um profissional como um endocrinologista, um médico do esporte ou mesmo um psiquiatra podem ajudar a pessoa a obter os efeitos desejados de forma mais saudável e natural (perda de peso, ganho de massa muscular, melhora do humor).

        Caso a pessoa não se sinta pronta para interromper totalmente o uso, recomendo que ao menos ela mantenha o maior controle possível sobre os efeitos a que está se expondo. Um endocrinologista deveria acompanhar suas taxas hormonais, função renal, cardiovascular e hepática. A presença de coágulos sugere a formação de trombos, que podem estar associados ao aumento do hematócrito (volume de hemácias no sangue), provocado pelos anabolizantes. Isso aumenta o risco de infarto do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais e trombose venosa profunda. Alterações do comportamento precisam ser acompanhadas por um médico psiquiatra, que pode indicar fármacos e/ou psicoterapia para lidar com esses efeitos e ajudar o(a) usuário a se questionar: que papel o anabolizante desempenha na sua vida? você se sente infeliz com o seu corpo? você está pronta para suspender o uso no caso de um sintoma grave? Existem muitos relatos de usuários(as) de anabolizantes que agridiram seus/suas parceiros(as) e filhos(as) após um descontrole emocional. Logo, não é apenas o(a) usuário(a) que se expõe aos riscos…

        Muito obrigado pela sua participação!

        Publicado em 11 de julho de 2019

  • Suellen Giovanoni

    Qual a forma mais comum das pessoas adquirirem esses anabolizantes no Brasil? De q forma é comercializado e o q a Anvisa regulamenta?

    Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Olá Suellen. Na verdade, quando falamos em “anabolizantes” estamos falando de um grupo de dezenas de substâncias diferentes, que têm em comum o fato de serem esteroides androgênicos anabolizantes, ou seja: derivados sintéticos do hormônio testosterona, de seus precursores ou metabólitos ativos.

      Muitos deles são vendidos em farmácias comuns, mediante receitas médicas que justifiquem a condição clínica que está sendo tratada. Outros são produtos veterinários, utilizados para aumentar a musculatura de cavalos e bovinos. Alguns usuários compram produtos produzidos em laboratórios clandestinos, que podem conter literalmente “qualquer coisa”, além dos anabolizantes – como opioides, estimulantes, etc. Hoje em dia é possível comprar anabolizantes pela internet, além do tradicional boca-a-boca nas academias.

      A ANVISA regulamenta a venda dos anabolizantes vendidos legalmente, e procura apreender cargas e laboratórios clandestinos, a fim de reduzir os riscos a que os usuários dessas substâncias se expõem.
      Obrigado pela sua participação!

      Publicado em 11 de julho de 2019 Responder

  • Cristina Toscano

    Parabéns pela matéria.

    Publicado em 10 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Muito obrigado Cristina. Continue acompanhando a discussão e outras matérias da Ciência Hoje.
      Um abraço!

      Publicado em 11 de julho de 2019 Responder

  • Leidiana

    Eu gostaria de saber como os anabolizantes atuam para causar esses efeitos psiquiátricos e também como e se eles podem ser usados de forma menos nociva ao corpo com o objetivo de ganho de massa muscular.
    Muito obrigada pela discussão.

    Publicado em 11 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Olá Leidiana. Vamos falar um pouco da neurociência dos anabolizantes. Existem algumas hipóteses a respeito dos mecanismos por meio dos quais os anabolizantes podem causar ansiedade e agressividade, por exemplo.

      A ansiedade é compreendida como uma forma sustentada de medo e excitação, relacionada a disfunções na amídala extendida – um circuito neural do sistema límbico que envolve a amídala central, o nucleus accumbens e o núcleo adjacente da stria terminalis. Os neurônios dessas estruturas expressam neurotransmissores como GABA, glutamato, serotonina e dopamina, bem como peptídeos neuromoduladores que incluem o fator liberador de corticotropina, o fator neurotrófico derivado do cérebro e o neuropeptídeo Y, todos envolvidos na expressão da ansiedade. A exposição crônica aos anabolizantes altera a expressão gênica daquelas moléculas, levando ao desfecho comportamental de ansiedade.

      O traço de agressividade pode ser descrito como uma combinação de baixa capacidade de controle de impulsos, com quatro componentes subjacentes: agressão física e verbal, raiva e hostilidade. A exposição aos anabolizantes promove níveis elevados de agressão ofensiva, como tem sido demonstrado em modelos animais e humanos. A interface neuropsicológica entre o uso de anabolizantes e agressão é exemplificada por alterações nas sinalizações serotonérgicas, glutamatérgicas e dopaminérgicas na área hipotalâmica lateral e em outras estruturas límbicas envolvidas em comportamentos de ataque.

      Como os anabolizantes podem ser usados de forma menos nociva? O menor risco está em não usá-los, mas existem algumas medidas que podem prevenir o agravamento de sintomas clínicos e psiquiátricos relacionados aos anabolizantes. A primeira é procurar acompanhamento médico especializado, buscando a redução e o espaçamento das doses e, se possível, substituindo os anabolizantes por outras estratégias de ganho de massa muscular. Fazer exames regularmente para avaliar as funções cardiovasculares, hepáticas, metabólicas e endócrinas. Procurar um médico psiquiatra no caso de sintomas comportamentais e NUNCA se auto-medicar. Não recorrer a drogas de abuso para tentar lidar com os sintomas indesejados (como ingerir álcool para conseguir dormir, por exemplo). Informar à família que se está utilizando anabolizantes, respeitando os alertas de mudança de comportamento. Muitas vezes os sintomas reduzem a percepção do usuário sobre seu próprio comportamento: ele/ela passa a sentir muito animado(a), cheio(a) de energia, e pode não perceber que está mais agressivo(a), impaciente, gastando muito dinheiro com anabolizantes ou deixando de trabalhar e estudar para se dedicar excessivamente ao treinamento físico.

      Muito obrigado pela sua participação!

      Publicado em 12 de julho de 2019 Responder

  • Vilma Ramos

    .Parabéns pelo artigo e pelo esclarecimento sobre o assunto .É incrível como aumentaram o números de lojas que vendem esses produtos , e, especialmente os jovens ,na ilusão de ganharem um “ corpo sarado “ devem comprar e fazerem uso , sem nenhum controle.

    Publicado em 11 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Olá Vilma. O uso de anabolizantes sem indicação médica realmente vem crescendo em todo o mundo, e já é considerado um problema de saúde pública. Mas é importante diferenciarmos os anabolizantes de outras substâncias destinadas ao controle da imagem corporal e melhora do desempenho esportivo. O que chamamos de esteroides androgênicos anabolizantes são derivados do hormônio testosterona, seus precursores ou metabólitos ativos. Podem ser utilizados por via tópica (como cremes aplicados sobre a pele), oral ou por injeção intramuscular.

      A maioria das lojas de suplementos e de produtos para praticantes de esportes não vende anabolizantes (apesar dos modelos das embalagens desses produtos provavelmente terem usado…). Suplementos alimentares, estimulantes e vitaminas, apesar de possuírem seus próprios riscos, não fazem parte do grupo de substâncias que estamos discutindo aqui. Mas você tem toda razão. A busca pelo biotipo musculoso e com pouca gordura é um fenômeno social. Como veremos no artigo da Ciência Hoje, muitos autores acreditam que a popularização dos anabolizantes contribuiu para a criação desse novo “corpo ideal”. Basta você comparar os modelos de beleza masculina e até os brinquedos das décadas de 1960 e 1970 com os super-herois dos dias de hoje.

      Obrigado pela sua participação!

      Publicado em 12 de julho de 2019 Responder

  • Maiara

    É verdade que o uso de anabolizantes em conjunto com antidepressivos pode causar efeitos extremos e surtos psicóticos? Há relatos ou estudos que descrevam o tipo de efeito que pode advir da interação entre esses dois tipos de substâncias?

    Publicado em 12 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Olá Maiara. Tanto “os anabolizantes” quanto “os antidepressivos” representam grupos de substâncias muito diversas, com efeitos adversos distintos. Na verdade, quando utilizados corretamente e com supervisão de um médico psiquiatra, alguns antidepressivos podem reduzir os sintomas ansiosos dos usuários de anabolizantes, além de ajudá-los a lidar com sintomas depressivos quando estão abandonando os anabolizantes.

      Infelizmente, muitos usuários de anabolizantes recorrem a diversas drogas (como sedativos, antidepressivos, psicoestimulantes) de maneira experimental, por auto-medicação ou se baseando em sugestões de outros usuários obtidas no boca-a-boca ou em grupos de discussão on-line. Isso aumenta muito o risco do surgimento e agravamento de sintomas psiquiátricos, entre eles os sintomas psicóticos que você mencionou.

      Obrigado pela sua participação!

      Publicado em 12 de julho de 2019 Responder

  • Kley. Karolyna da Silva (via Instagram)

    Por quanto tempo uma pessoa pode consumir esse produto?

    Publicado em 12 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Olá Karolyna. Não existe um nível seguro para o uso de anabolizantes sem prescrição médica. A exposição prolongada aumenta o risco dos sintomas adversos, mesmo que uma dose incialmente “inofensiva” seja mantida. Isso acontece porque o organismo da pessoa vai mudando com o tempo, e eventualmente ela pode ter sintomas. Por exemplo: os anabolizantes aumentam o nível de colesterol LDL. Isso não quer dizer que a pessoa vai desenvolver uma placa de ateroma na primeira semana de uso de anabolizantes, mas não é raro que homens jovens, usuários de anabolizantes, tenham infartos fatais antes dos 40 anos, devido, entre outros fatores, à obstrução das artérias coronarianas pelo colesterol.

      Obrigado pela sua participação!

      Publicado em 12 de julho de 2019 Responder

  • Sabino (via Instagram)

    Por que há pessoas q usam de forma descontrolada e não acontece nada?

    Publicado em 12 de julho de 2019 Responder

    • Dr Julio Xerfan

      Excelente pergunta, Sabino! Para respondê-la, vamos pensar em 3 cenários:

      1. Vulnerabilidade individual: de fato, algumas pessoas parecem ser menos sensíveis a alguns efeitos adversos dos anabolizantes. Alguns homens apresentam ginecomastia (crescimento das mamas) rapidamente, enquanto outros usuários – usando a mesma dose da mesma substância – não têm esse sintoma, mas podem ter outros. Ainda não se conhecem todas as variáveis genéticas que poderiam explicar essas diferenças, mas isso vem sendo estudado.

      2. Medidas de controle de dano: muitos usuários sofrem, sim, efeitos adversos, mas tomam medidas de prevenção ou tratamento para poderem continuar usando os anabolizantes. Isso inclui: o uso de inibidores da aromatase, para prevenir a conversão da testosterona em estrogênio; estatinas para reduzir os níveis de colesterol LDL; abstinência alcoólica para reduzir a agressão ao fígado; sedativos para controlar a insônia, e muito mais…

      3. Viés de observação: a famosa “fotografia feliz”. Muitos ex-usuários de anabolizantes que agora estão hospitalizados ou em tratamento psiquiátrico já tiveram sua “lua-de-mel” com as drogas. Por um tempo tudo vai bem, até que os problemas começam a aparecer. Como se diz por aí, “um dia, a conta chega”…

      Muito obrigado pela sua participação!

      Publicado em 12 de julho de 2019 Responder

  • Sabino (via Instagram)

    Por que há pessoas q usam de forma descontrolada e não acontece nada?

    Publicado em 12 de julho de 2019 Responder

  • Dr Julio Xerfan

    Ver resposta acima.

    Publicado em 12 de julho de 2019 Responder

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