Existem montanhas de água no meio do oceano?

Um dos processos mais fascinantes do mar são as ondas de superfície. Elas são produzidas pelo vento que transfere sua energia para a superfície do mar. A força restauradora das ondas é a da gravidade. Ondas sob ação de um vento são chamadas de vagas ou sea em inglês. Já aquelas que escapam dessa ação e se propagam a grandes distâncias no mar são chamadas de ondulação, marulho ou swell e são as mais apreciadas pelos surfistas. Ventos muito fortes atuando sobre grandes extensões de mar (pista) podem gerar ondas muito grandes.

No mar do Norte, já foram medidas ondas de até 30 m de altura (distância entre uma crista e o cavado subseqüente). A probabilidade de ocorrência dessas ondas extremas depende da intensidade do vento e da extensão da pista. O conhecimento desses possíveis valores extremos é necessário para o projeto e a operação dos navios e sistemas oceânicos.
 

Há uma categoria de ondas (gigantes, transientes, anormais ou montanhas de água, como se refere o leitor) que foge a essa relação mencionada e é de difícil previsão. Tais ondas são chamadas de freak waves e acontecem nos oceanos em virtude de interações não lineares entre ondas e correntes. Na verdade, o processo ainda não é muito bem compreendido. Há relatos de grandes acidentes com navios, produzidos pelas freak waves. Em sua tese de mestrado no Programa de Engenharia Oceânica da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ, o engenheiro Uggo Pinho detectou a presença de onda de quase 12 m em uma tempestade no litoral do Rio de Janeiro.

Carlos Eduardo Parente
Programa de Engenharia Oceânica,
Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia,

Universidade Federal do Rio de Janeiro.
 

 

 

Matéria publicada em 01.06.2005

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