Física por prazer e vocação

Cientista e mãe de duas filhas, Andrea Latgé relembra sua trajetória em uma área predominantemente masculina, enfatiza a importância do amor pela profissão e destaca a necessidade de experimentar para encontrar o caminho certo.

A chegada dos 60 não matou a vontade de aprender, estudar, programar, interpretar, escrever e divulgar o trabalho. Tem sido assim há décadas, e tudo começou com a matemática, que sempre me encantou e foi minha disciplina predileta. Por conta disso, desde muito cedo, acreditei que minha carreira seria definida entre as engenharias, a arquitetura, a física ou algo afim que envolvesse um estudo mais avançado nessa área.
O mistério que define as aptidões ou as vocações de cada indivíduo é ainda matéria de muito estudo, mas tenho certeza de que os professores dos tempos de escola tiveram um papel fundamental na minha escolha pela física. Foram eles que acabaram me atraindo para a área e, principalmente, para a vida acadêmica.
A opção pela física, que provoca estranheza na maioria das pessoas, foi encarada sem grandes emoções no ambiente familiar. Meu pai, figura importante em minha vida, curtiu a opção desde o princípio. Dizia que os físicos eram pessoas interessantes, desprendidas do dinheiro e com espíritos inovadores e questionadores. Pessoas inteligentes por definição! Esse seria um caminho a trilhar, mais ou menos sem metas bem definidas.

Andrea Latgé

Instituto de Física,
Universidade Federal Fluminense

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