Geonímia – O que dizem os nomes dos lugares nos mapas?

Mossoró, no Rio Grande do Norte, tem praças, colégios, ruas e outros pontos nomeados em homenagem à família Rosado, que domina a política local há décadas. São Petersburgo, segunda cidade mais importante da Rússia, já se chamou Leningrado, em referência ao líder bolchevique Vladimir Lenin. A América não foi batizada de Colômbia porque um cartógrafo preferiu saudar Américo Vespúcio, em vez de Cristóvão Colombo, e registrou sua decisão em um mapa.
Essas curiosidades sobre a denominação dos lugares carregam muito conteúdo histórico, etimológico e geopolítico. Apesar disso, as áreas do conhecimento que estudam os nomes próprios dos lugares e dos acidentes geográficos são quase inexploradas e pouco divulgadas. Este artigo apresenta alguns aspectos desses campos da ciência.

Quando uma pessoa nasce, ganha um nome que, em geral, a identificará por toda a sua existência. Assim como nós, os lugares também recebem nomes,que os tornarão singulares por muitas gerações e que revelam as tendências sociais, políticas e religiosas de quem os ‘batizou’ e da época em que isso aconteceu. Apesar de esses nomes fazerem parte de nosso cotidiano, nossos valores e nossa cultura, seu estudo multidisciplinar é pouco conhecido e divulgado. Estamos falando da área de conhecimento da toponímia e de sua derivação, a geonímia. Ou, de uma maneira bem simplificada, do estudo da denominação dos lugares.

 

Muito além de um espaço

Mas, se estamos falando da área do conhecimento que se dedica à denominação dos lugares, é preciso levantar, primeiramente, uma questão: afinal, o que vem a ser um lugar? A pergunta pode parecer simples, porém não é bem assim. Para o geógrafo Milton Santos (1926-2001), o lugar é o quadro de uma referência pragmática do mundo de onde vem o condicionante e a ordem, onde se instalam a espontaneidade e a criatividade e onde existe um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições.

Porém, no contexto deste artigo, lugar é uma ocorrência na superfície terrestre possuidora de ‘personalidade’ própria a partir de uma prolongada vivência do ser humano, como destaca o geógrafo sino-americano Yi-Fu Tuan.

Pode-se afirmar, portanto, que o lugar se insere em um contexto de ampliação do próprio local da moradia dos indivíduos, um lar sem muros nem paredes, onde fica preservado o espírito de pertencimento dos moradores, com sentido e personalidade bem definida. Pode ser traduzido também pela ampliação do espaço conhecido, ao qual se necessita identificar de forma, em princípio, unívoca.

Claudio João Barreto dos Santos

Departamento de Cartografia,
Faculdade de Engenharia,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Paulo Márcio Leal de Menezes

Departamento de Geografia,
Instituto de Geociências,
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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