Imagem (e deveres) do cientista

Relatando experiências pessoais, o colunista discute os estereótipos que rondam a imagem da profissão de cientista. E apresenta sua opinião sobre se há ou não diferença entre ser pesquisador e ser cientista, listando o que ele crê serem deveres deste último.

Algumas situações do cotidiano costumam ser curiosas. Uma delas: quando me perguntam qual minha formação e em que trabalho. Costumo responder: sou doutor em física, professor universitário e trabalho com pesquisa e divulgação científica. Dependendo da curiosidade do interlocutor, vou mais longe: sou cientista.

A primeira reação de muitos é me perguntar se sou físico e médico (ou advogado) ‒ afinal, informei que sou doutor, título que a maioria dos médicos e advogados gosta de usar, sem de fato tê-lo. Depois, vêm as famosas perguntas: “Se você é cientista, deve ser muito inteligente ou maluco?”; “Você tem uma vida normal como as outras pessoas?”

O trabalho do cientista, para a maioria das pessoas, remete àquele imaginário no qual ele é alguém com os cabelos desalinhados, distraído, desligado da realidade, usando óculos com lentes grossas e um avental branco e amassado, com o bolso cheio de canetas. Para mulheres, além das características citadas, imagina-se uma feia, muito obesa (ou muito magra), que não se preocupa com a aparência e não tem vaidade alguma.

Adilson de Oliveira

Departamento de Física,
Universidade Federal de São Carlos (SP)

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