As redes sociais como aliadas na divulgação da ciência

O desafio de analisar Facebook, Twitter, blogs e sites para construir novos indicadores na área científica.

Já ouviu falar em altmetria, as métricas alternativas para acompanhar e avaliar a ciência? Pois é, elas estão aí! Redes sociais (Facebook, Twitter etc.), blogs, sites especializados e de notícias podem ser fonte para novas formas de medir o impacto da produção científica. Como essas novas mídias podem revelar a ciência num ambiente onde a academia e a sociedade estão juntas, refletindo e se apropriando do debate, das controvérsias e das descobertas científicas? Será que poderemos transformar polegares de curtidas e corações em indicadores para a ciência? Dê a sua opinião. Participe do chat no site da Ciência Hoje para que o artigo que vamos produzir possa levar em conta as suas dúvidas e observações. Use a seção abaixo e interaja com o cientista!  

Fábio Gouveia
Professor do Museu da Vida, Casa Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do IBICT-UFRJ.

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Matéria publicada em 09.07.2000

COMENTÁRIOS

  • Fernando Alves

    Professor Fábio,
    Nessa era de Pós-verdade e Fakenews, tem ocorrido uma onda de descredenciar as vozes de cientistas e especialistas porque apresentam verdades e realidades “duras” sobre assuntos importantes, enquanto as pseudocelebridades em busca de “likes” apostam pesado em falar as (in)verdades que o público quer ouvir para confirmar suas opiniões. Em vista da repercussão de assuntos polêmicos (antivacina, terra plana, criacionismo, coca-cola para lavar cabelo, enfim etc…), de polêmicas envolvendo Digital Influencers (não citarei nomes para não dar créditos) e suas atividades em redes sociais, não correm-se riscos da maior disseminação de pseudociência, achismos fundamentalistas e desinformação dos públicos, tornando a presença dos cientistas e especialistas uma faca de dois gumes no uso da divulgação de ciência nas redes sociais?

    Como podemos “duelar” contra oponentes que não estão interessados no bem estar público, e sim em fama?

    Publicado em 9 de julho de 2018 Responder

    • Fabio Gouveia

      Fernando,

      de fato vivemos tempos complicados onde é possível construir uma posição de “influenciador” em temas aos quais não se tem expertise. De certa forma, os indicadores altmétricos acabam sendo uma forma de incentivar a aproximação de cientistas/pesquisadores para o ambiente social, em parte para um diálogo entre pares, mas acabando por também dialogar com “ímpares” (Marina Lemle é que veio com esta “classificação”, um verdadeiro presente). O espaço não ocupado pela divulgação científica é um terreno fértil para a pseudociência e para as fake news. Ao mesmo tempo, a não ser pela possível midiatização da ciência, os indicadores altmétricos teriam pouco a influenciar negativamente neste aspecto. Espero ter respondido sua questão.

      Fábio.

      Publicado em 9 de julho de 2018 Responder

  • Elenice Ferreira Bastos

    Olá Fábio, tudo bem?
    Estou bem “por fora” da altimetria. Gostaria de entender como esse tipo de avaliação alcançaria a credibilidade, por exemplo, dos órgãos de fomento.
    Você acredita que este tipo de divulgação tem chance de ser aceita neste nosso “mundinho fechado” da comunidade científica???
    Um abraço;
    Elenice

    Publicado em 9 de julho de 2018 Responder

    • Fabio Gouveia

      Ola Elenice,

      já é uma realidade os estudos de impacto em redes sociais em alguns países. Há uma tese/dissertação feita na Finlândia sobre este assunto e alguma abertura na Inglaterra também. Hoje estes dados de repercussão são vistos de forma mais qualitativa, mesmo sendo num primeiro olhar totalmente quantitativos. Há poucos parâmetros de comparação e ainda seguem um crescimento exponencial. Ao mesmo tempo, cada vez mais há investimento dos pesquisadores, editorias científicas e de instituições em divulgar suas produções e resultados de pesquisa no ambiente online. De certa forma temos ai um retorno social importante, pois a sociedade quer e deve saber o que é fruto dos recursos investidos e também deve ter um olhar de acompanhamento no que se faz em termos de ciência. Há questões de todo o tipo que vão da ética até à discussão de investimentos. E o interessante é que este novo ambiente permite muitas outras interações e trocas. Vejo muito positivamente o impacto das redes sociais na ciência, sem no entanto perder de vista os riscos que se somam à esta nova experiência.

      Obrigado pela pergunta. 🙂

      Fábio.

      Publicado em 9 de julho de 2018 Responder

  • Elenice Ferreira bastos

    Corrigindo… Altmetria …
    Já comecei errando…. rs

    Publicado em 9 de julho de 2018 Responder

    • Fabio Gouveia

      Oi Elenice,

      tecnicamente não. 🙂 Há ao menos um texto no Brasil que usou a terminologia Altimetria. Há pouca discussão sobre o tema. Altmetria é um anglicismo, enquanto Altimetria usaria (na minha humilde opinião) o radical errado “alti” que normalmente se refere à altitude, existindo inclusive a palavra já em português. Se preferirmos evitar o anglicismo o correto (também na minha humilde opinião) o correto seria altermetria, visto que o radical “alter” é o que compõe a palavra alternativo. Ao mesmo tempo que isso implicaria em usar um termo menos internacionalizado, isso implicaria apenas em se dificultar as pesquisas de produção no campo que hoje podem ser feitas usando “altmetri*”. Há também uma discussão sobre se o termo altmetria faria sentido, visto que é bastante debatido que estas não são métricas alternativas e sim complementares. Enfim, nada de errado, só uma oportunidade para se falar mais sobre o assunto. 🙂

      obrigado pela pergunta!

      Fábio.

      Publicado em 9 de julho de 2018 Responder

      • Elenice Ferreira Bastos

        Que bom!!! Sem querer, provoquei mais uma belíssimo esclarecimento sobre o assunto!!! Adorei!!!!
        Obrigada!😜

        Publicado em 10 de julho de 2018

  • Edson

    O conhecimento necessita de trabalho e dedicação, a ignorância não ( a frase não é minha).
    Nesse mundo da internet, muito rápido, as pessoas estão abandonando o conhecimento que necessita de tempo e esforço e preferindo o fácil.

    Alguns veem algo não explicado pela ciência (coisa normal) como falhas;
    Veem os erros da ciência (coisa normal) como uma impossibilidade de a ciência estar certa;
    Preferem as informações falsas ou mais convenientes.

    E fazem isso usando computadores e internet…

    A maioria dos grupos negacionistas (do aquecimento global, das vacinas, da evolução, terra plana) tem origem em grupos religiosos.
    E negam a ciência usando o fruto da ciência (computadores e internet)

    Como lidar com isso?

    Publicado em 10 de julho de 2018 Responder

    • Fabio Gouveia

      Olá Edson,

      infelizmente ter mais acesso a informação não é necessariamente uma solução, mas ao mesmo tempo é importante aproximar ao máximo a ciência da sociedade e é neste campo que a altmetria pode contribuir. Além da medição das métricas em si, ferramentas altmetricas como a da Altmetric.com permitem ao cientista acompanhar a repercussão social de seu artigo e buscar dirimir dúvidas ou ampliar o debate social se sua descoberta. Claro que isto está dentro dos históricos sonhos que a divulgação científica vive, mas cada vez mais temos ferramentas que aproximam e rompem barreiras entra a produção do conhecimento científico e o público leigo interessado em ciência. Ter acesso e competência para lidar com a informação científica é cada dia mais algo necessário para o exercício da cidadania. Sua pergunta não é de resposta fácil, mas neste momento a reflexão que me vêm a mente é essa. Quisera eu ter a resposta precisa para isso. 🙂

      abraços

      Fábio.

      Publicado em 10 de julho de 2018 Responder

  • Eilor Marigo

    Olá professor Fabio,
    Obrigado pela abertura deste espaço para o debate.

    Acredito que, hoje, as pesquisas de Big Data são o formato mais próximos de se analisar cientificamente os dados ligados às reações do grande público em ambientes como as redes sociais. Tenho um colega cuja empresa trabalha com a gestão, análise e BI de dados qualitativos e quantitativos coletados à partir do YouTube. A ferramenta alcança informações bastante precisas, tanto sobre a utilização da plataforma quanto sobre as características dos usuários desta mídia.

    Porém, no caso da Big Data, o método de pesquisa ainda é muito próximo da tradicional pesquisa de mercado, correto? É um método de via única, limitado à “contagem”..

    Talvez, conforme Issac Asimov previu nos livros da Fundação com a “Matemática de Seldon”, as redes sociais tornem viável prever com exatidão os movimentos e intenções de pequenos grupos, desde que exista quantidade e recorrência de dados suficientes. E dada a capacidade de atingir grandes volumes de dados através das redes, talvez seja realmente possível avaliar o impacto das pesquisas, descobertas e inovações científicas no público de forma estatisticamente controlada, à partir das reações dos usuários (conforme seu exemplo), sem que um único influenciador seja capaz de deturpar os resultados.

    Possivelmente o grande desafio será gerar esta coleta com – além da quantidade já viabilizada – qualidade suficiente para se fazerem válidos estes dados, mesmo considerando os desvios causados por influenciadores e outros obstáculos.

    Um desfio muito interessante!

    Desculpe a divagação sobre o assunto, mas achei o paralelo com a ficção bastante curioso.
    Obrigado!

    Publicado em 10 de julho de 2018 Responder

    • Fabio Gouveia

      Ola Eilor,

      os estudos utilizando Big Data certamente tem muito a contribuir e podem, assim como a energia nuclear, representar algo positivo ou negativo. Um exemplo positivo foi o desenvolvimento de uma ferramenta preditiva de surtos de gripe e de dengue utilizando dados de busca no Yahoo e no Google. Apesar de a princípio terem dado bons resultados, posteriormente o serviço foi fechado por se perceber que ainda era muito falho. Isto nos leva a uma reflexão objetiva. O Big Data não é a realidade, assim o modelo matemático se não tiver um forte componente adaptativo pode não dar conta do que se desenhou de princípio. Neste sentido, as abordagens por aprendizagem de máquina (Machine Learning) dentre outras podem auxiliar em se traçar cenários futuros e determinar investimentos e ações de saúde pública com objetivo de melhorar o atendimento à um possível problema. No que se aproxima dos dados altmétricos, há muitos estudos dedicados a entender se estas métricas sociais poderiam refletir com uma predição do número ou ordem de grandeza de citações por pares, downloads dos artigos ou “leitores” dos mesmos (aqui coloco entre aspas pois seriam na verdade incorporações à sistemas de gerenciamento de referências pessoais). Na minha opinião, há que se transcender esta necessidade de ver a altmetria como uma resposta ao velho modelo de citações, como algo antecipador e adequado ao mundo da rapidez digital. O que podemos ter na verdade é o re-estabelecimento do diálogo científico tanto entre pares quando com o público leigo interessado em ciência. Ela é quantitativa, mas tem um dado qualitativo de uma riqueza inquestionável. Misturam-se dados de fontes com características muito próprias, com curvas de adoção e distribuição entre segmentos sociais e países muito distintos. E nos retornam uma visão macroscópica do que cada produto de pesquisa dotado de um identificador único repercutiu. Hoje não vejo como não se estar atento e não atender ao apelo das redes por este diálogo. Acho que quem acabou divagando fui eu. 🙂 Sua colocação trouxe inspiração.

      obrigado!

      Fábio.

      Publicado em 10 de julho de 2018 Responder

  • Agostinho Magalhães

    Uma das fontes do meu conhecimento científico, talvez a mais importante, é a internet e o face/Twitter. a facilidade com que se adiciona um gosto é tanta que se desconfia que muitas vezes a leitura do artigo foi feita de cruz e não com a atenção devida. Parece-me, todavia, que é um sinal de que as pessoas dão a devida atenção à ciência pelo menos nos aspectos que a cada um chamará mais a atenção.
    Obrigado.

    Publicado em 10 de julho de 2018 Responder

    • Iara Vidal

      Oi Agostinho! Sou a Iara, aluna do Fábio que vai ajudá-lo neste artigo interativo. Redes como o Twitter e o Facebook facilitam muito a divulgação científica, você não precisa mais ir a uma biblioteca ou a um portal específico para encontrar artigos científicos e outras informações. Mas realmente, é muito fácil “curtir” ou compartilhar um conteúdo mesmo sem ter lido. Podemos supor que quem curtiu/compartilhou se interessa de alguma forma pelo assunto, mas é uma forma de engajamento superficial. Comentários (como estes!) dão um pouquinho mais de “trabalho”, é uma forma de engajamento um pouco mais comprometida. Os estudos altmétricos são muito mais ricos, na minha opinião, quando levam em conta essas diferenças.

      Publicado em 10 de julho de 2018 Responder

  • Izabel

    Oi Fábio e Iara!
    Achei bem interessante a proposta desse artigo e também a explicação sobre o termo “Altmetria” que já aconteceu aqui nos comentários. Nunca tinha parado pra pensar nisso
    Vocês podiam falar um pouquinho sobre como bibliotecas, museus e arquivos podem se engajar com Altmetria?

    Publicado em 10 de julho de 2018 Responder

    • Fabio Gouveia

      Oi Izabel,

      antes de tudo o profissional de biblioteca pode pedir para ter acesso gratuito a versão básica do Altmetric Explorer da Altmetric.com. Basta solicitar e aguardar a aprovação. Assim é possível dar apoio informacional no seu ambiente de trabalho para que a instituição lance um olhar para estes dados sociais e de acesso e uso via internet de conteúdos que são produzidos. Já por outro lado, como trabalho em um museu de ciência, o Museu da Vida da Fiocruz, vejo estes espaços com ambientes férteis para se discutir a ciência que está em desenvolvimento a cada dia. Bibliotecas também são ótimos ambientes para isso. E assim, espaços como estes necessitam estar hoje em dia também nas mídias sociais e podem ser geradores de debates sobre produções acadêmicas, o que gera dados quantitativos, mas principalmente engajamento de alta qualidade e debate nas redes sociais. Como bem disse anteriormente a Iara Vidal, curtir e compartilhar são interações interessantes, mas é nos comentários que vamos poder aprofundar o olhar sobre o debate em curso sobre a ciência. Talvez Iara queira falar um pouquinho mais sobre esse tema pelo olhar da biblioteconomia. Obrigado pela pergunta.

      Fábio.

      Publicado em 10 de julho de 2018 Responder

    • Iara Vidal

      Oi Izabel!

      Complementando o que o Fábio falou, a gente nas bibliotecas, arquivos e museus pode usar as altmetrias pra nos ajudar a medir e entender o engajamento das pessoas com os nossos acervos. Especificamente em bibliotecas de universidades/pesquisa, acho interessante oferecer serviços ajudando autores a usar ferramentas altmétricas, da mesma forma que a gente ensina a formatar trabalhos, a fazer buscas e levantamentos, a usar repositórios…

      Publicado em 12 de julho de 2018 Responder

  • Ana Maria

    Olá, Fábio e Iara,
    li uma pesquisa do Pew Research Center que informava que a maioria das pessoas lê sobre ciência no Facebook, mas não em sites de divulgação científica especificamente, por isso, muitas vezes as tais “notícias de ciência” não são verdadeiras. Também li em algum lugar que a a maioria das pessoas não mudam suas convicções, mesmo quando confrontadas com fatos. Diante disso tudo, como os divulgadores de ciência podem criar um conteúdo que eduque e atinja também grandes e diversas audiências?

    Publicado em 11 de julho de 2018 Responder

    • Fabio Gouveia

      Oi Ana Maria,

      o fato de se ler no Facebook ou outra forma de mídia social como fonte é uma tendência para todas as áreas. Fontes de informação tradicionais como o jornal impresso ou a TV vêm perdendo espaço para estas novas mídias e no caso das gerações mais jovens até mesmo o Facebook não é mais o rei. Em parte cabe aos divulgadores de ciência abraçar estas novas mídias e prover conteúdo de qualidade para competir nesta mesma oferta. Em segundo lugar, é importante entender a dinâmica e lógica destes meios e também estar pronto para usar estratégias que são utilizadas para dar visibilidade, atenção e em certa medida persuasão sobre temas mais críticos (como vacinação por exemplo). No campo da comunicação em saúde é cada vez mais utilizado o conceito de marketing social, no sentido de utilizar de estratégias do marketing para atingir melhor seu objetivo de comunicação em saúde. Um exemplo muito usado é o de que não adianta fazer campanhas antitabagistas para adolescentes utilizando mensagens como “o cigarro mata”, visto que nesta fase da vida o conceito de mortalidade não é algo que ecoa. Se observarmos as propagandas de cigarro (quando eram permitidas) sempre mostravam cenas arrojadas e que em nada combinavam diretamente com a ideia de se estar fumando, mas funcionavam para os anunciantes.

      Já no que tange a mudança de convicções, mesmo nos modelos mais “comportamentais” de estímulo à mudança tem-se o entendimento de que os processos ocorrem em estágios e não imediatamente à exposição a uma mensagem. Assim, se falamos que há prejuízo para a saúde pelo uso abusivo de determinada substância em excesso (digamos o álcool), primeiramente necessitamos convencer aquele que assiste a se reconhecer e aceitar que tem um problema, antes de querer medir a efetividade de uma campanha pela redução do alcoolismo. Ao mesmo tempo, o conjunto de crenças e convicções de uma pessoa podem ser mais facilmente confrontados ao longo do tempo e com o convencimento de interlocutores próximos. Assim, numa situação como da educação para a redução de lixo ensinada na escola para crianças pode levar a uma mudança em toda a família, enquanto uma campanha televisiva pode não ecoar da mesma forma.

      O mais importante para a divulgação científica é não tentar medir os resultados da maneira errada, entender que pequenas mudanças são grandes mudanças e que a construção de uma sociedade informada e com competência nos temas de ciência demora tempo, mas a qualidade do exercício de cidadania resultante no futuro vale muito a pena! 🙂

      Do ponto de vista das metrias sociais como fonte complementar de acompanhamento de repercussão online de pesquisas científicas, trabalhar melhor esta interface com a sociedade como um todo é fundamental. Reforço aqui que as altmetrias são mais do que números de curtidas, compartilhamentos e comentários. Se queremos transformar os tais polegares e corações em indicadores eles precisam estar refletindo mais do que mera repercussão viral e ir mais fundo. Gerar um olhar macroscópico, mas também ser capaz de subsidiar uma observação e recortes temáticos e com dados também localizados para se entender melhor esta interface. É um grande desafio, mas os dados podem nos ajudar nisso.

      Espero que esta reflexão tenha respondido em parte ao menos sua pergunta.

      abraços

      Fábio.

      Publicado em 11 de julho de 2018 Responder

  • Rinaldo Melo

    Iara e Fábio,

    Olá, sou aluno de Biblioteconomia e comecei a me interessar pela altmetria a pouco tempo. Aí vão alguns de meus questionamentos. Os estudos sobre a altmetria ainda são bem recentes, para o futuro, vocês acreditam na consolidação da altmetria, assim como a bibliometria e cientometria, por exemplo? Com o surgimento da altmetria e as críticas que vem sendo feitas as práticas tradicionais de mensuração científica, podemos pensar em mudanças nas práticas tradicionais para se adequar a nova realidade informacional da atualidade.

    Obrigado pela oportunidade, se eu falei alguma besteira me desculpem.

    Publicado em 13 de julho de 2018 Responder

    • Fabio Gouveia

      Ola Rinaldo,

      o uso equivocado das métricas é algo que vem de longe. As altmetrias certamente sofrerão do mesmo problema. O que vem ocorrendo, por outro lado, é uma crescente reflexão para se buscar um uso adequado de todas as métricas, incluindo ai as provenientes de redes sociais e de acesso à conteúdos. Vejo hoje em dia que o interesse pela altmetria e pela repercussão online da pesquisa aumenta a cada dia e certamente vai ocupar um espaço dentro dos levantamentos utilizados pelas agências de fomento. Ao mesmo tempo, isto coloca o cientista na posição de se dedicar mais a divulgar a ciência que produz, bem como das instituições buscarem também comunicar o que é feito por elas. O que precisamos sempre é fugir de números e indicadores mágicos que se apresentam como resumidores de todo o valor de uma pesquisa. Pensemos, por exemplo, no que seria de diversas áreas centrais para algumas instituições se o único foco fosse ganhar outrora citações, e hoje em dia likes? É muito importante que os processos de avaliação sejam focados numa multiplicidade de formas de se medir resultados, e estabelecer a contextualização dos dados apresentados. Mas, principalmente, o importante é identificar se a ciência que está sendo produzida é de qualidade teórico metodológica para além da repercussão por si só. Ciência se produz construindo caminhos, com sucessos e insucessos, não é uma sequência de acertos contada numa saga do herói. 🙂 Neste sentido eu tenho a preocupação com o que pode ocorrer com a busca desenfreadas pelos likes, mas ao mesmo tempo penso que como todo o processo avaliativo, a tendência é um acerto à frente. Lembro de ter estudado em Ecologia algum texto que dizia que novas interações seriam sempre mais violentas que velhas interações (olha, catei isso na minha memória dos tempos de biologia). Talvez as altmetrias passem por um período mais violento de interação com a ciência, com erros e acertos na sua exploração. Mas, com o tempo, creio que o monitoramento necessário das repercussões nessas mídias trarão mais pontos positivos que negativos. Vejo este momento com bons olhos.

      obrigado pela pergunta, não há erros ou besteiras ao se lançar uma questão.

      abraços

      Fábio.

      Publicado em 13 de julho de 2018 Responder

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