Maconha medicinal: você apoia?

Para se posicionar a favor ou contra, o que pode ser melhor do que conversar com um especialista? O professor e pesquisador Luís Fernando Tófoli, do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Unicamp, está no chat da Ciência Hoje para dialogar com você sobre os limites e os benefícios do uso medicinal da maconha. Participe!

Ouve-se falar muitas coisas sobre a maconha medicinal. Há declarações apaixonadas de todos os lados sobre o uso terapêutico da planta que recebe o nome científico de Cannabis sativa: desde que ela é mais perigosa do que benéfica até a crença de que é uma espécie de panaceia. Mas o que dizem as evidências científicas? Envie suas dúvidas para que possamos esclarecer, à luz do melhor conhecimento disponível, quais os limites e benefícios do uso medicinal da maconha. Eu sou Luís Fernando Tófoli, professor e pesquisador do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Unicamp, e estou à disposição para conversamos sobre o assunto. Participe do chat da Ciência Hoje.

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Luís Fernando Tófoli

Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria, Unicamp

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Matéria publicada em 17.03.2020

COMENTÁRIOS

  • Ana Maria

    Quais os principais usos da maconha medicinal? Contra quais doenças é mais eficaz?

    Publicado em 17 de março de 2020 Responder

    • Filipe Pinheiro

      Estimado Doutor, por gentileza poderia trazer luz sobre a eficácia do oleo de Canabidiol CBD (com teor de THC declarado de cerca de 0,02%) no alivio dos sintomas da FIBROMIALGIA. Não está claro para mim, só posso dizer que sou testemunha de minha irmã conseguir levantar da cama e parar de sentir choques pelo corpo tamanha as dores q sofria para voltar a ser ativa, ter um desempenho satisfatorio no teste ergometrico e voltar a fazer ginastica, sob supervisao.
      Foi e é muito impressionante o q se passa. Gostaria de saber quais suas observações neste aspecto.

      Publicado em 17 de março de 2020 Responder

      • Luís Fernando Tófoli

        Filipe, sua pergunta ficou repetida, então vou responde apenas esta vez, OK?

        No caso da fibromialgia, há estudos de baixa qualidade que sugerem que alguns pacientes com fibromialgia tiveram respostas positivas. No entanto, como se trata de um quadro muito influenciado por aspectos na fronteira entre o físico e o emocional, temos que proceder com cautela, e só com estudos controlados é que podemos confirmar que funciona. A gente escuta falar de casos como o da sua irmã, mas não é possível confirmar a efetividade sem uma série de passos que, no caso da fibromialgia, ainda não foram trilhados pela ciência, infelizmente.

        Publicado em 19 de março de 2020

    • Filipe Pinheiro

      Estimado Doutor, por gentileza poderia trazer luz sobre a eficácia do oleo de Canabidiol CBD (com teor de THC declarado de cerca de 0,02%) no alivio dos sintomas da FIBROMIALGIA. Não está claro para mim, só posso dizer que sou testemunha de minha irmã conseguir levantar da cama e parar de sentir choques pelo corpo tamanha as dores q sofria para voltar a ser ativa, ter um desempenho satisfatorio no teste ergometrico e voltar a fazer ginastica, sob supervisao.
      Foi e é muito impressionante o q se passa. Gostaria de saber quais suas observações neste aspecto.

      Publicado em 17 de março de 2020 Responder

  • Ruan Silva

    Qual é a situação hj no Brasil? A Anvisa já permite q as pessoas plantem?

    Publicado em 17 de março de 2020 Responder

    • Luís Fernando Tófoli

      Olá, Ruan. Não. Nem os pacientes e nem as empresas farmacêuticas brasileiras foram autorizadas plantar maconha para fins medicinais pela ANVISA. Os casos de plantio por parte de pacientes e familiares têm sido garantidos pelo Poder Judiciário por meio de um tipo de medida judicial, o habeas corpus preventivo.

      Publicado em 18 de março de 2020 Responder

  • Sarah Leão

    Olá! Qual a linha de pesquisa que a Unicamp tem seguido nesse setor? Tenho dúvida quanto a quais temáticas da maconha medicinal são mais próximas da realidade em termos de possibilidade de pesquisa (estudo teórico, preparo laboratorial, entre outros fatores)

    Publicado em 17 de março de 2020 Responder

    • Luís Fernando Tófoli

      A Unicamp é uma grande universidade e eu não tenho como acompanhar todos os projetos pessoalmente. Até recentemente havia uma proposta de um estudo envolvendo autorização judicial para plantio e desenvolvimento de medicamentos, mas eu não sei qual o estado atual deste projeto – que, como você pode imaginar, envolve muita burocracia. Pessoalmente meus estudos sobre maconha versam mais no campo da Saúde Coletiva, voltado para Políticas de Drogas e seus efeitos na sociedade.

      Vale lembrar, porém, que do ponto de vista legal, é totalmente lícito pesquisar com substâncias e plantas proibidas, isso envolve porém uma série de procedimentos de autorização que nem sempre são fáceis e que infelizmente envolvem custos não desprezíveis. Infelizmente a legislação corrente obriga que a ANVISA trate instituições públicas de pesquisa da mesma forma que a indústria farmacêutica, cobrando determinadas taxas para obter as autorizações legais.

      Publicado em 18 de março de 2020 Responder

  • Lucia Nadir

    Pode explicar quais os danos do consumo de maconha recreativo e se eles podem afetar quem faz uso da planta para fins medicinais?

    Publicado em 17 de março de 2020 Responder

    • Anônimo

      Qualquer remédio ou substância tem riscos e contra-indicações associados. Não é diferente com a maconha. Do ponto de vista recreativo, os maiores riscos estão associados, entre outros, com o impacto do uso fumado e com o risco de desenvolvimento de psicoses (um tipo de transtorno mental grave), principalmente com a maconha rica em THC (tetra-hidrocanabinol, um dos canabinoides presentes na planta) e quando o início é precoce.

      Há grandes diferenças entre o uso medicinal e social (eu prefiro esse nome do que o termo ‘recreativo’). A principal delas é que há o controle e a atenção de um(a) médico(a) prescritor(a), e por isso há sempre uma atenção em relação aos riscos. Outro ponto é que nem sempre se usa maconha rica em THC. No caso de epilepsias refratárias o foco é maconhas rica em CBD (canabidiol), e nesse caso o risco de psicose é desprezível. Também vale dizer que frequentemente o uso medicinal não usa a queima de um baseado, e nas vezes em que é desejável que a via de administração seja pulmonar, pode-se usar vaporizadores, que não geram queima e nem fumaça. O ponto importante aqui é que, no caso do uso prescrito, com o apoio do(a) médico(a) prescritor(a), há maior controle e formas de se evitar efeitos colaterais muito graves.

      Publicado em 18 de março de 2020 Responder

      • Luís Fernando Tófoli

        Perdão, leitores. A resposta acima não foi anônima. Enviei sem antes assinar. Desculpem, mas fui eu quem enviou.

        Publicado em 18 de março de 2020

  • José Mello

    Olá, tudo bem? Quais as grandes diferenças entre a maconha para usi recreativo e a medicinal, em relação à quantidade de THC e CBD de cada um? Quais as porcentagens de concentração de cada uma dessas substâncias nas duas maconhas?

    Publicado em 18 de março de 2020 Responder

    • Luís Fernando Tófoli

      Olá!

      A diferença básica é que quando se utiliza da erva in natura (por exemplo, como comercializados pela empresa holandesa Bedrocan) e na forma de diversos extratos (como Mevatyl ou nos óleos) é fundamental saber com clareza qual é a concentração dos principais canabinoides. Ou seja, basicamente, as concentrações de THC e CBD.

      As concentrações de THC e CBD vão depender fundamentalmente dos fins para os problemas de saúde que se pretende tratar. Para o tratamento de epilepsia são desejáveis produtos ricos em CBD e pouco ou nenhum THC. Para o tratamento de outros quadros, como dor crônica, espasticidade (rigidez) muscular e inapetência, misturas equilibradas entre os dois canabinoides são desejáveis. O produto Mevatyl, por exemplo, tem uma concentração de THC para CBD de um para um. Há formulações puras de THC sintético (não proveniente da maconha e sintetizado em laboratório) chamado nabilone, mas em geral são pouco usados no mundo e no Brasil não há registro na ANVISA para comercialização desta substância.

      No caso da maconha de uso social (termo que prefiro ao termo ‘uso recreativo’), devido à proibição, não há como saber a concentração de canabinoides – pelo menos no Brasil.

      Publicado em 18 de março de 2020 Responder

  • Stefan Bueno

    O THC tem alguma função medicinal ou só o Cabidioil? Pq fumar isso diminuí a oxigenação e sabemos que fumaça não faz bem entretanto um amigo controla as convulsões com maconha uso esporatico!

    Publicado em 18 de março de 2020 Responder

    • Luís Fernando Tófoli

      Sim, o THC tem propriedades medicinais que o CBD não tem. Por exemplo, aumento de apetite, efeito analgésico e o efeito miorrelaxante (relaxamento muscular).

      Fumar não é a maneira mais desejável de se administrar um medicamento. Na verdade, não há medicamentos que normalmente sejam administrados assim, modernamente. A alternativa é o uso de vaporizadores, quando a pessoa não conseguir usar ou não se adaptar a outras formas de administração (por boca, por exemplo). Ainda assim, principalmente em estados norte-americanos onde o uso da maconha in natura foi legalizado, muitos pacientes preferem fumar. Há que se saber, no entanto, que essa forma de uso está associada a maiores riscos.

      Publicado em 18 de março de 2020 Responder

  • Cristiane Contin

    A maconha é uma boa alternativa para tratar a depressão e ansiedade?

    Publicado em 18 de março de 2020 Responder

    • Flávia Polatto

      Todos os benefícios que se sabe sobre a maconha medicinal foram testados cientificamente?

      Publicado em 18 de março de 2020 Responder

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