Na Estante

Sociólogo convoca o leitor a questionar o contexto complexo da atual crise, identificando suas características, contradições e fragilidades, e propõe uma mudança cultural e ideológica para garantir um futuro digno à população.

Em um texto pedagogicamente estruturado, de leitura fluente, mas densa, o professor e sociólogo Boaventura de Sousa Santos nos chama a exercitar o olhar e o pensamento sobre a pandemia do novo coronavírus – um vírus que ensina, dá lições. As palavras do título já revelam a dureza deste exercício, instigando o leitor a um movimento de questionamento da realidade que vivemos, já que não há respostas prontas em um contexto tão complexo, e por isso mesmo temos de conter o imediatismo a que estamos acostumados.

Ao iniciar com a questão “Que potenciais conhecimentos decorrem da pandemia do coronavírus?”, o autor faz uma provocação à própria ideia de crise pandêmica, ao explicar que o mundo tem estado em permanente crise, ao longo dos últimos quarenta anos. Boaventura mostra que esta é uma crise que se alimenta de si mesma, na medida em que mantém as condições de exceção como uma normalidade – e, desse modo, reproduz o ideário neoliberal, marcado pela grande desigualdade social e pela catástrofe ecológica.

A cruel pedagogia do vírus
Boaventura de Sousa Santos
Grupo Almedina, 2020, 32p.

A pandemia vem, então, agravar a crise já existente, mas, ao mesmo tempo, promove mudanças drásticas no nosso cotidiano, que quebram o ritmo desenfreado do modo de vida imposto pelo hipercapitalismo. Essa quebra vem permitindo experiências das quais nos distanciamos, individual e coletivamente, ao longo dos anos, e revela o processo deliberado de bloqueio ao pensamento sobre as alternativas, dentro da lógica de mercado que passou a gerir e avaliar o Estado e a sociedade civil.

Vânia Nunes Morgado

Colégio de Aplicação
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Maria Naíse de Oliveira Peixoto

Departamento de Geografia
Instituto de Geociências
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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