O HIV e os aplicativos de encontro

A infecção por HIV atinge desproporcionalmente a população LGBT. Há uma estimativa de que um em cada quatro homens que fazem sexo com homens, em São Paulo, conviva com o vírus. Será que o uso de aplicativos de encontro contribuiriam para aumentar o número de parceiros sexuais e de relações ‘desprotegidas’? Será que as pesquisas confirmam esta hipótese? Qual a sua opinião? Participe do chat da Ciência Hoje.

A infecção por HIV atinge desproporcionalmente a população LGBT. De acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), homens que fazem sexo com homens correm risco 22 vezes maior de adquirir o vírus. Há uma estimativa de que um em cada quatro homens que fazem sexo com homens, em São Paulo, conviva com o HIV. Muito se especula sobre as causas desse cenário. As hipóteses vão desde falta de campanhas do governo até o uso de aplicativos de encontro, que contribuiriam para aumentar o número de parceiros sexuais e de relações ‘desprotegidas’. No entanto, uma pesquisa sobre o consumo desses aplicativos aponta para o fato de que eles podem, inclusive, ajudar na prevenção. Qual a sua opinião sobre esse assunto? Tem dúvidas? Participe do chat da Ciência Hoje e converse com o pesquisador. Use a seção abaixo para interagir!

Artur Acelino Queiroz
USP e UNITE

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Matéria publicada em 11.12.2019

COMENTÁRIOS

  • Ana Maria

    Pode explicar como os aplicativos ajudam na prevenção?

    Publicado em 11 de dezembro de 2019 Responder

    • Artur Queiroz

      Oi Ana Maria,
      muitos aplicativos permitem que você preencha informações sobre saúde (status do HIV, método de prevenção adotado e última testagem realizada) bem como podem enviar mensagens regulares lembrando sobre exames.
      Além disso, o dialogo direto estabelecido dentro dos aplicativos, antes do encontro sexual, permite uma negociação sobre as formas de prevenção que podem ser usadas.

      Publicado em 12 de dezembro de 2019 Responder

  • Angelo M.

    Há muito preconceito envolvido quando se fala de LGBT e HIV. A doença chegou a ser chamada de “câncer gay”, o que, ainda bem, não acontece mais, já que os tempos estão menos segregadores. Como, ao divulgar essa pesquisa, também encontramos formas de combater o preconceito?

    Publicado em 11 de dezembro de 2019 Responder

    • Artur Queiroz

      Oi Angelo,
      Ainda que claramente vivamos em um período bem menos segregado, as marcas das homofobia e da sorofobia ainda atrapalham muito a prevenção do HIV.
      Acredito que a pesquisa, e falar sobre ela, tem o papel de ser um ambiente de debate e factual.
      Existem, inclusive, reportagens apontando os apps como responsáveis pelo aumento do número de casos novos de HIV, sem apresentar dados.
      Precisamos estabelecer um diálogo aberto, livre de julgamentos e embasado em evidências.

      Publicado em 12 de dezembro de 2019 Responder

  • Antonio

    HIV surgiu com muita força e sem cura na década de 1980, quando nem se sonhava com internet e muito menos com aplicativos de encontro.

    Publicado em 12 de dezembro de 2019 Responder

    • ARTUR ACELINO FRANCISCO LUZ NUNES QUEIROZ

      Oi Antonio,
      eu acho muito legal pensar nisso. Como, ao menos no Ocidente, lidamos com o HIV/aids desde a decada de 80 mas agora estamos em um cenário totalmente diferente.
      Entender como essas novas tecnologias e comportamentos influenciam o padrão de infecção é muito importante, ainda mais se pensarmos em intervenções públicas, não podemos agir como se ainda estivéssemos nos anos 80.

      Publicado em 13 de dezembro de 2019 Responder

  • Suellen

    O preservativo masculino e feminino são os principais métodos de prevenção ao HIV. Sendo a população LGBT uma das mais infectados, considera- se que eles tenham uma baixa adesão a esse método. Porque? Existe alguma pesquisa? Mulheres homossexuais se sentem bem em usar a camisinha feminina? Que mudanças poderiam seriam ser feitas nesse preservativo para ter mais adesão dessa população?

    Publicado em 13 de dezembro de 2019 Responder

    • Suellen

      Obs: nesses preservativos, camisinha masculina e feminina*

      Publicado em 13 de dezembro de 2019 Responder

    • ARTUR ACELINO FRANCISCO LUZ NUNES QUEIROZ

      Oi Suellen,
      De fato a camisinha é a principal forma de prevenção adotada para o HIV (não necessariamente a mais efetiva) para todos.
      No entanto, como um todo sua adesão é complicada (alergia, diminuição de sensibilidade/prazer e tomada de decisão) para todos, o que pode ser percebido no aumento no número de Infecções Sexualmente Transmissiveis na população geral.
      No caso da comunidade LGBT especificamente temos de fazer análises mais profundas, visto que essa sigla compreende várias pessoas diferentes (de diferentes orientações sexuais e identidades de gênero).
      Entre mulheres lésbicas o risco de transmissão de infecções é geralmente, bem mais baixo, e o uso da camisinha necessita de adaptações e é indicado em práticas especificas (como barreira fisica no sexo oral ou nos dedos para a masturbação mutua). Dito isso, existe muito pouco na literatura cientifica sobre a vida sexual dessas mulheres o que torna dificil com que elas mesmas recebam orientação de qualidade pelos profisisonais de saúde.

      Publicado em 13 de dezembro de 2019 Responder

  • João lucas

    Acredita q os jovens não se protegem tanto por não verem mais a Aids como uma doença q mata?

    Publicado em 13 de dezembro de 2019 Responder

    • ARTUR ACELINO FRANCISCO LUZ NUNES QUEIROZ

      Oi João Lucas,
      Não acredito que esse seja um fator tão determinante assim.
      Na decada de 90 foram feitas muitas campanhas que usavam o medo da AIDS como sua principal plataforma e hoje percebemos que isso não foi efetivo, visto que o medo afasta a pessoa dos serviços de saúde, por terem medo de se testar, e aumentou o estigma de Pessoas Vivendo com HIV.
      Acredito que a falta de prevenção tem origem muito mais na falta de informação sobre saúde sexual, a disponibilidade de novas formas de prevenção (PEP ou PREP, por exemplo) e a compreensão de novas realidades entre esses jovens.

      Publicado em 13 de dezembro de 2019 Responder