O imaginário cósmico dos buracos negros

Sucesso de mídia, a primeira fotografia de um buraco negro é mais do que uma imagem ‘desfocada’. É um resultado científico que pode ajudar a entender o que ocorre no interior desses ainda misteriosos corpos cósmicos.

Recentemente, foi amplamente divulgada a primeira imagem de um buraco negro, obtida por uma rede de radiotelescópios chamada EHT (sigla, em inglês, para Telescópio do Horizonte de Eventos), que combinou as emissões de ondas de rádio captadas por diversos equipamentos espalhados pelo globo.

O objeto observado está no centro da galáxia elíptica M87, que fica a 55 milhões de anos-luz de nós ‒ cada ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros. Estima-se que a massa desse buraco negro é de aproximadamente 6,5 bilhões de massas solares.

Os buracos negros são objetos fascinantes nos quais a matéria está em densidade extremamente alta, o que faz com que sua gravidade seja muito intensa. O ‘puxão gravitacional’ é tão forte que nem a luz (ou qualquer outra coisa) consegue escapar de desses corpos cósmicos.


Para uma estrela com dezenas de massas solares, quando o combustível (hidrogênio) da fusão se esgota, ocorre uma grande contração, fazendo com que seu núcleo fique reduzido a uma pequena parte de seu tamanho original. Com isso, a matéria da estrela é compactada, gerando uma grande explosão, fenômeno denominado supernova, o qual, em curto intervalo de tempo, emite energia equivalente a bilhões de sóis. O que sobra desse processo é um buraco negro.

Adilson de Oliveira

Departamento de Física,
Universidade Federal de São Carlos (SP)

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