O que os olhos não veem a tecnologia enxerga

Cidades antigas escondidas, cavernas escuras, áreas de florestas fechadas, estrutura de prédios históricos. O sistema LiDAR, tecnologia de varredura a laser, descortina um mundo que estava escondido de nossa visão, com aplicações que vão do planejamento urbano à preservação florestal.

Um marco da pesquisa arqueológica foi anunciado no início de 2018. Pesquisadores encontraram uma “megalópole” da civilização Maia, com mais de 60 mil ruínas de casas, palácios, rodovias elevadas e fortalezas, escondida nas selvas do norte da Guatemala. A descoberta, que mais parece saída de um filme hollywoodiano, só foi possível graças ao sistemaLiDAR (do inglês, Light DetectionAndRanging), uma tecnologia de sensoriamento remoto baseada em varredura a laser, que removeu digitalmente o dossel da floresta, revelando a cidade escondida.

O LiDAR está revolucionando a arqueologia do mesmo modo que o Telescópio Espacial Hubble revolucionou a astronomia”, afirmou Francisco Estrada-Belli, arqueólogo da Universidade de Tulane e Explorador da NationalGeographic. Muitas outras áreas do conhecimento estão sendo impactadas por essa tecnologia: planejamento costeiro, avaliação de risco de inundações, telecomunicações e redes de transmissão de energia, florestas, agricultura, petróleo, transporte, planejamento urbano, mineração, preservação de patrimônio, entre muitos outros.

Carla Madureira Cruz
Departamento de Geografia
Instituto de Geociências
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Elisa Penna Caris
Departamento de Geografia
Instituto de Geociências
Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

 

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