Para que serve o DNA das mitocôndrias?

A análise do genoma dessas curiosas organelas tem resultado em diversas aplicações, que vão do estudo evolutivo das espécies ao reconhecimento de fraudes em mercados.

Por serem consideradas as fábricas de energia das células e possuírem um material genético próprio, as mitocôndrias são organelas celulares que vêm sendo cada vez mais estudadas. As pesquisas dos genomas mitocondriais têm permitido compreender, de modo mais claro, as relações de ancestralidade entre populações, espécies e grandes grupos animais. Análises computacionais desses dados genômicos têm contribuído também para elucidar a história evolutiva de populações e suas dispersões pelo globo. Os chamados mitogenomas têm sido usados até para realizar diagnósticos moleculares de pragas veterinárias e para identificar fraudes em mercados. Essas importantes organelas continuam nos surpreendendo!

 

Um pouco de história

Essas organelas comumente conhecidas como a central energética das células foram descobertas em 1890, quando o patologista e histologista alemão  Richard Altmann (1852-1900) desenvolveu um novo método para fixar tecidos que seriam posteriormente analisados ao microscópio. Altmann foi capaz de observar estruturas intracelulares em forma de filamentos, às quais chamou de bioblastos.

Nove anos depois, usando outro corante, o também alemão Carl Benda (1857-1932) estudou esses bioblastos e verificou que eles poderiam ser encontrados em duas formas diferentes: filamentos trançados ou grânulos. Foi aí que ele cunhou o termo ‘mitocôndria’, a partir das palavras mitos (filamento) e chondros (grânulo).

Francisco Prosdocimi

Instituto de Bioquímica Médica
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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