Pequenas perguntas, grandes questões

É verdade que o ‘perfume do boto’ (supostamente afrodisíaco) contém pedaços do animal?

Salvatore Siciliano
Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz

Em alguns casos, sim. Pesquisadores de instituições brasileiras analisaram o conteúdo de frascos dos famosos ‘perfume do boto’ e ‘perfume da bota’, que teriam um suposto poder afrodisíaco, e obtiveram resultados inesperados. As amostras foram coletadas em mercados e lojas de cinco estados brasileiros e depois submetidas a análise genética.

O estudo, publicado na revista Frontiers in Marine Science, mostrou que os frascos originários dos estados do Pará, Maranhão e Bahia continham tecido que, de fato, pertence a botos. Mais especificamente, continham pequenos pedaços de músculo de boto-cinza (Sotaliaguianensis), um cetáceo ameaçado de extinção que habita baías e estuários brasileiros. Nas amostras do Rio de Janeiro, foi constatada a presença de tecidos de porco doméstico. Além disso, porcos de diversas raças e origens estavam presentes no material analisado, o que indica que há uma variedade de fornecedores para um comércio bem ativo. Nos frascos adquiridos em São Paulo, não havia nem partes de botos nem de porco, apenas perfume. Os vendedores estavam cientes da proibição de uso de partes do corpo de uma espécie ameaçada.

Edição Exclusiva para Assinantes

Para acessar, faça login ou assine a Ciência Hoje

CONTEÚDO RELACIONADO

Como você percebe a ciência?

Quais os efeitos dos jogos digitais sobre o nosso corpo e quais benefícios eles podem nos trazer?

O mapa da Amazônia nas mãos das comunidades locais

Populações ribeirinhas, indígenas, quilombolas e extrativistas atuam, lado a lado, com pesquisadores de universidades públicas na cartografia social, em mini laboratórios espalhados por regiões remotas do país.