Pioneiro na imunização em humanos

Um dos maiores bacteriologistas de sua época, o brasileiro Domingos José Freire testou uma vacina atenuada para a febre amarela na população, antes mesmo de Louis Pasteur.

Charge de Domingos Freire afastando a febre amarela, publicada na Revista Ilustrada em 1889 (ano 14, p. 8, Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Extraída de Benchimol, J. L. Dos Micróbios aos Mosquitos: febre amarela e revolução pasteuriana no Brasil (p. 447).
Rio de Janeiro: EdUFF, editora Fiocruz, 1999.)

No final do século 19, Domingos José Freire (1842-1899) anunciou ter descoberto a causa da febre amarela e desenvolveu uma vacina que foi usada por milhares de pessoas como forma de prevenção da doença, no Brasil e no exterior. O primeiro surto de febre amarela ocorreu no Rio de Janeiro, então capital do império, no verão de 1849-1850. A partir de então, surgiram debates acalorados, e os médicos passaram a relacionar o calor e a umidade às epidemias de febre amarela. Por isso, a expressão “ano de manga, ano de febre amarela” se tornou popular entre os cariocas.

Mas foi com a chegada das descobertas do francês Louis Pasteur (1822-1895), que apontavam para a causa microbiana das doenças, que o debate se intensificou. Baseando-se nos estudos desse cientista, Domingos Freire disse ter descoberto, em 1879, o agente causador da febre amarela: um micróbio, que ele denominou Criptococo xantogênico. Com esse anúncio, crescia a primeira teoria de matriz pasteuriana no Brasil.

Vanessa Pereira da Silva e Mello e Juliana Manzoni

Pesquisadoras independentes, doutoras pelo Programa de Pós-graduação em História das Ciências e da Saúde
Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz

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