Política de cotas: vamos ampliar a discussão?

Quais os motivos, as justificativas e os resultados das políticas de cotas no contexto brasileiro?

Nos últimos 15 anos começaram a ser implantadas políticas de ação afirmativa no Brasil, comumente conhecidas como políticas de cotas. Estas políticas visam a reserva de vagas na educação superior ou no mercado de trabalho para pessoas que fazem parte de grupos discriminados na sociedade, como pessoas negras, indígenas, de menor renda ou com deficiência. Tais políticas são alvo de constantes debates e polêmicas, porque se relacionam com discussões mais amplas tais como justiça social, mérito, desigualdade, diversidade. Vamos refletir juntos sobre os motivos, as justificativas e os resultados destas políticas no contexto brasileiro? Suas opiniões podem enriquecer o artigo que será publicado na próxima edição. Participe do chat abaixo:

Rosana Heringer
Faculdade de Educação da UFRJ

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Matéria publicada em 04.09.2018

COMENTÁRIOS

  • Rafael Silva

    Levando em consideração que a política de cotas é uma das etapas para um processo de integracao social, mesmo sabendo que deveriam existir melhores condições sociais e educativas para os indivíduos que nela são favorecidos. Acabar com as cotas seriam uma solução mais justa de acordo com a propostas de alguns candidatos a presidência do Brasil, usando da justificativa da meritocracia de cada indivíduo. Existe fundamento em tal discurso ?

    Publicado em 4 de setembro de 2018 Responder

    • Anônimo

      Olá Rafael, este discurso é parcialmente fundamentado. Nós que defendemos as políticas de ação afirmativa, conhecidas como políticas de cotas, somos totalmente favorável ao mérito. A questão é que para uma mensuração do mérito, é necessário que as condições iniciais sejam semelhantes, o que não ocorre numa sociedade desigual como o Brasil. Por isso as ações afirmativas continuam necessárias.

      Publicado em 4 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Rafael, este discurso é parcialmente fundamentado. Nós que defendemos as políticas de ação afirmativa, conhecidas como políticas de cotas, somos totalmente favorável ao mérito. A questão é que para uma mensuração do mérito, é necessário que as condições iniciais sejam semelhantes, o que não ocorre numa sociedade desigual como o Brasil. Por isso as ações afirmativas continuam necessárias.

      Publicado em 4 de setembro de 2018 Responder

  • Joaquim

    Professora, tenho duas questões. A primeira é sobre os candidatos terem de optar sobre participarem dos concursos sob o regime das cotas ou não. Ao fazer isso, não se está limitando a inserção desses grupos discriminados, ao invés de buscando aumentar a participação deles? Quer dizer, se tenho um concurso com 100 vagas e destino 20 vagas às cotas, exigindo que o candidato decida se ele vai participar concorrendo às 80 vagas ou às 20 vagas, não é uma forma de manter um limite máximo de “minorias” no meu concurso, ao invés de ampliar ainda mais a participação deles? Para que as cotas funcionassem de fato, não deveria o candidato cotista poder participar tanto da “ampla concorrência” quanto das cotas?

    A segunda questão é se as cotas com base na renda (ou por ter estudado em escolas públicas) não acabam por mascarar as discriminações por raça ou deficiência. Me parece uma form de inversão em que se diz que a pessoa é deficiente ou negra por ser pobre, quando, de fato, seriam o racismo e o preconceito que tiram das pessoas direitos e oportunidades, empurrando-as para a pobreza.

    Obrigado.

    Publicado em 4 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Joaquim, obrigada pelas questões.
      Em relação à primeira pergunta, é importante explicar que este aspecto varia de concurso para concurso. De fato no SISU (Sistema de Seleção Unificado, que d[a acesso às universidades públicas) o estudante deve optar por concorrer pelas cotas ou pela ampla concorrência. Entretanto, em outros concursos, como as vagas em concursos para servidores públicos, ou em concursos para programas de pós-graduação, por exemplo, o candidato que opta por concorrer pelas cotas concorre ao mesmo tempo ao conjunto das vagas oferecidas.
      Em relação à segunda questão, concordo que as cotas com recorte de renda não respondem à situação de discriminação e desigualdades vivenciadas por indivíduos em função de sua cor/raça ou de sua deficiência. Entretanto, a adoção destas cotas combinando diferentes critérios resultou de um acordo para a aprovação desta política, foi a negociação possível para viabilizar as cotas no momento da aprovação da lei.

      Publicado em 4 de setembro de 2018 Responder

  • Dario Palhares

    As cotas são uma excrescência da Era PT. Quando elegemos Lula, esperávamos que a educação básica fosse melhorada. Ao final da Era PT foi finalmente implantada o piso salarial da Educação Básica, de pouco menos que 3 salários mínimos!!! Desvalorizando a tal ponto a Educação Básica, a cotização no ensino superior público não passa de armadilha governamental para passar a ideia de democratização do ensino, quando a falha básica, que é a péssima qualidade da educação básica, está longe, muito longe de ser sanada.

    Pessoalmente, considero até aceitável a iniciativa da Unicamp, de oferecer pontos extras aos alunos advindos da rede pública. Mas, de forma surpreendente, o Brasil adotou cotas raciais em um contexto no qual a seleção é feita por provas escritas e correção anônima, ou seja, o acesso ao ensino superior nunca teve um viés de cor de pele. Isso foi publicado em nosso artigo ‘Racial quotas vis a vis the State of Exception’ – http://www.scielo.org.co/pdf/rlb/v17n1/v17n1a08.pdf -, cuja ideia central é que classificar os indivíduos por cor de pele é uma forma de se criarem privilégios hereditários em nome de uma salvação de um grupo marginalizado, mas que na verdade derruba pilares democráticos da igualdade cidadã.

    O exemplo da UnB é exemplar: o candidato cotista naturalmente compete a todas as vagas, porém, o número de candidatos cotistas é de cerca de 10% do número de candidatos as vagas em geral, claramente mostrando que a exclusão da população negra se dá no ENSINO DE BASE, e não ao momento do Vestibular.

    Ainda, quero lembrar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos traz, em seu artigo 26 que o acesso aos estudos superiores devem estar aberto a todos, em pé de igualdade em função de seu MÉRITO!

    E, no caso, UFRJ, vamos lembrar: enquanto vocês se debatem sobre cotas, não tiveram o mínimo respeito pela CIÊNCIA e deixaram essa tragédia acontecer no Museu Nacional! E por não terem respeito ao MÉRITO estão caminhando para a destruição total e final do que resta da Universidade pública brasileira.

    Publicado em 4 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Dario,
      Obrigada por seus comentários. Vou ler seu artigo em breve.
      A partir do que você trouxe para o debate, considero importante destacar que as cotas não foram pensadas para resolver os problemas da educação básica. Sem dúvida, as dificuldades relacionadas à qualidade da educação pública demandam soluções de mais longo prazo, com investimentos e mudanças políticas ao longo de vários anos.
      Em relação à adoção de cotas para um concurso nacional com provas anônimas, como o SISU, esta política se justifica com base na situação de desigualdades raciais estruturais no acesso ao ensino superior brasileiro, demonstrada através de inúmeros indicadores coletados ao longo das últimas décadas. Iniciativas como a que você mencionou, como a da Unicamp, também são importantes como mecanismos de democratização do acesso, porém apresentam resultados mais lentos do as cotas. Seguimos no debate.

      Publicado em 4 de setembro de 2018 Responder

  • Alfredo Paganini

    O regime de cotas implantado no país reflete o total despreparo e uma grande miopia na gestão educacional brasileira. Não é reservando cotas considerando que está beneficiando e protegendo os alunos, como se eles não tivessem condições igualitárias de disputa, caso tivessem tido uma base de preparação em igualdade de condições, desde a educação básica até a conclusão do segundo grau. Se parte do princípio que a culpa é do candidato então vamos dar uma ajudinha companheiro, pois a elite tem condições … ora, o problema é que a escola pública foi abandonada e a qualidade de ensina caiu de uma maneira que os alunos mal saem alfabetizados, imagina em disputar o vestibular e concursos públicos…

    Me lembro da época que a escola pública era exemplo e modelo de educação, e as filas para inscrição eram por causa da qualidade do ensino e reputação… naquela época haviam poucas escolar particulares, geralmente as tradicionais como Rio Branco, Dante Allighieri e as católicas… as outras eram para receber os alunos problemáticos … e na hora do vestibular dava para competir para entrar nas universidades e faculdades de primeira linha… o que aconteceu era que os cursos para prestar vestibulares, como Anglo e objetivo por exemplo, faziam a diferença mas a presença era mista, particulares e públicas.. Minha formação até o ginásio foi em escola pública, e recebi uma excelente base assim como os alunos que comigo estudaram. Comecei a trabalhar cedo, com 14 anos e quando fui para o colégio fui fazer um curso profissionalizante em Técnico Contábil. Depois estudo em um cursinho prestei vestibular e entrei na Universidade Mackenzie em Economia. Por problemas pessoais, me ausentei por dois anos e fui completar a minha formação na ESAN em Administração.

    Em nenhuma dessas Universidades que frequentei me sentia abaixo do nível médio dos alunos, ou seja, me sentia em igualdade de condições.

    Hoje eu sou professor universitário em faculdades particulares em cursos em tecnologia pois trilhei o caminho da tecnologia fazendo especializações internacionais.

    O sistema de cotas é prejudicial para todos… não por conceder privilégios em detrimento de outros, mas em destruir a auto confiança e compromisso do aluno na busca de sua excelência… pois no fundo ele sente que foi poupado do esforço para entrada em detrimento de outros em melhores condições… não por culpa dele, temos que destacar … mas sim por culpa do governo (todas as esferas) que não fornceram condições de formação básica e intermediária que são essenciais para a continuidade na vida universitária.

    Uma outra questão foi a valorização do diploma universitário, ao invês da formação técnica como se faz nos países asiáticos. Muitas vezes se buscam os canudos universitários, que mal formam os alunos, que poderia ter se dedicado a uma formação técnica já adequada ao mercado de trabalho. Na minha área tecnologica poderíamos muito bem formar mão de obra técnica de emprego imediato, do que o aluno frequentar um curso de engenharia de computação dos anos 80 que são oferecidos pela maioria das universidades.,

    Publicado em 4 de setembro de 2018 Responder

  • Rosana Heringer

    Olá Alfredo, obrigada pela reflexão.
    Concordo com você em relação à baixa qualidade da educação pública, como comentei em relação à postagem anterior. Em relação aos seus comentários, destaco que precisamos ter cuidado ao comparar a educação pública do passado com a atual, pois a partir da década de 1990 tivemos a universalização do acesso ao ensino fundamental no país, o que levou à grande expansão do sistema, que não foi acompanhada pela qualidade. A escola pública de década atrás era melhor, mas era para poucos…
    Comento também que não há evidências nas pesquisas que tem sido realizadas sobre as políticas de cotas de que as mesmas tenham prejudicado os alunos, ou de que os mesmos tenham tido sua auto-confiança destruída. Ao contrário, as pesquisas indicam bom desempenho dos cotistas, de forma geral.
    Sobre o ensino técnico, também concordo com a ampliação da oferta! O importante aqui é que aqueles estudantes que desejem seguir este caminho o façam por escolha, e não porque não conseguiram acessar o ensino superior.

    Publicado em 5 de setembro de 2018 Responder

  • Ana Maria

    A política de cotas no Brasil pode ser comparada a de algum outro país? Há algum semelhante? Acredita que chegaremos a um ponto em que não precisaremos mais das ações afirmativas? Não acha que esse tipo de politica deveria ser usada nos colégios federais?
    Obrigada

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Bom dia Ana! Obrigada pelas questões. Vários países no mundo adotaram políticas de ação afirmativa, o primeiro deles foi a Índia, logo após a independência, em 1947. As políticas em geral seguem o mesmo princípio de reparar injustiças históricas e promover maior igualdade de oportunidades, o que varia são os grupos beneficiados, pois esta definição se relaciona com o contexto de cada país.
      Sobre a segunda questão, a meta destas políticas é que um dia não precisem mais existir e acredito que chegaremos neste ponto um dia no Brasil. Esta decisão deve ser tomada com base em avaliações periódicas sobre os resultados das políticas, se estão alcançando os objetivos desejados.
      Quanto à sua última questão, desde 2012, através da lei 12711, os colégios federais também passaram a adotar as cotas nos seus processos seletivos.

      Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

  • Cecília Oliveira Justino Santanna

    Acredito sinceramente que se tivessemos um ensino básico forte o Brasil não necessitaria de cotas para universidade. Não acho que a cor da pele identifica maior ou menor inteligência..
    Se a cota é uma forma de possibilitar afro descendentes de participar do mundo acadêmico, Estamos desconsiderando os negros que estudaram em escolas particulares e estão bem preparados, da mesma forma estamos excluindo brancos, pobres, estudantes de escola pública, mal preparados.
    Sou parda, poderia ser beneficiada, mas não está na minha pele a minha capacidade.
    Se fosse requerido um simples exame de sangue para confirmação da raça veríamos q nem todo negro é tão negro e poucos são os brancos que ainda restam no Brasil. Todos entraríamos nas cotas.

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Cecilia,
      Obrigada pelas questões. Concordo com você que é fundamental melhorar a educação básica. Tivemos mais uma avaliação terrível esta semana. Entretanto, a melhoria da educação básica não vai beneficiar que está terminando o ensino médio agora ou está em vias de terminar.
      Também acho importante destacar que as cotas para pessoas negras e indígenas não foram adotadas porque há diferentes capacidades ou de inteligência, mas sim por uma avaliação de que há racismo, preconceito e desigualdades que limitam as chances dessas pessoas.
      As cotas tal como previstas no acesso à universidade hoje combinam critério de renda, frequência à escola pública e auto-declaração de cor, portanto, não excluem os brancos pobres (que podem entrar na cota de escola pública e renda).
      Concluo lembrando que a definição da raça/cor se baseia na auto-declaração, e portanto não caberiam definições a partir de características biológicas como o sangue, por exemplo.

      Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

  • Antônio de Castro Júnior

    Olá.
    O Brasil foi cruel com determinados grupos sociais ao longo de sua História. Indígenas foram massacrados, negros escravizados e, em seu processo de libertação, ignorados e marginalizados por conta da imigração.
    Eu acho que o país tem o dever de amparar seus descendentes, e não apenas pelos erros de antes, mas também pela péssima qualidade no ensino público fundamental e médio.
    Então, penso que o sistema de cotas por condição social é uma ferramenta importante, que acena com qualidade de vida real para as novas gerações.

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Concordo! Obrigada pela contribuição, Antonio!

      Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

  • Japa

    Ações afirmativas, são indubitavelmente necessárias, mas sem assistência estudantil podem não produzir os efeitos esperados.
    É incômodo notar que pessoas não cotistas se sintam ameaçadas pela política de cotas, porque atacam algo benéfico para a sociedade, no lugar de emanar suas vantagens sociais, estudando mais para concorrer entre os iguais.

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Japa!
      Concordo com você sobre a importância da assistência estudantil e das políticas de permanência como um todo para garantir o sucesso acadêmico de todos estudantes, incluindo os cotistas. Na verdade tenho alguns trabalhos publicados sobre isso e continuo desenvolvendo pesquisas sobre o tema.

      Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

  • Jorge

    Cotas somente para alunos de escola públicas, defendo a transformação das universidades e capital misto onde público e privado trabalham em conjunto, onde todo alunos exceto de escola pública pague uma mensalidade mínima

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Jorge,
      Obrigada pela mensagem. Existem algumas experiências de cotas apenas para estudantes de escolas públicas. Este tipo de política é muito importante, mas algumas pesquisas demonstram que nem sempre o estudantes negro ou indígena consegue ser beneficiado pela política apenas com recorte de renda ou tipo de escola.
      Quanto à mudança no tipo de financiamento da educação superior, é um debate mais amplo que a sociedade brasileira deve encarar, que envolve vários outros aspectos ligados também ao financiamento da produção científica, ao regime de trabalho dos professores universitários, entre outras questões. Mereceríamos um debate específico sobre o assunto.

      Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

  • Anônimo

    Concordo com um único tipo de cota, por renda familiar, até que esse país invista o que é preciso na Educação, o que passar disso é fomento à segregação racial.

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá, veja por favor o comentário acima, em resposta à postagem de Cecilia, obrigada!

      Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

  • Aracy Merchak

    Bom dia, professora. No Brasil, temos reações extremas à política de cotas. Como vê essa questão? Foi assim também em outros lugares? Por que essa reação em um país tão desigual quanto o Brasil?

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Boa tarde, Aracy,
      Sim, as políticas de ação afirmativa em geral são alvo de polêmicas e controvérsias, justamente porque mobilizam aspectos mais amplos como sentidos de justiça e luta por direitos, como mencionei no vídeo.
      Nos EUA, o caso que melhor conhecemos, as políticas foram alvo de polêmicas, e não há consenso sobre as mesmas. Tenho um trabalho publicado sobre isso, caso tenha interesse.
      Justamente pela enorme desigualdade social e racial existente no país, não há o reconhecimento por todos das dívidas históricas com setores discriminado s da população. Ainda temos um longo caminho a percorrer!

      Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

  • Jonilken Almeida

    Eu já fui favorável ao sistema de cotas, atualmente estou repensando, pois ainda não vejo uma eficacia da politica de cotas na transformação social, pois me parece que essa politica afirmativa que deveria ser temporária, esta se tornando um ciclo vicioso sem fim. Do que adianta garantir o acesso de cidadãos que aparentemente são mais vulneráveis ou isentos de oportunidades, um ingresso na educação Superior com deficiências da formação da Educação Básica. Vejo um uma situação via dupla, acredito que seria mais eficiente uma intervenção na educação básica, dando condições do individuo ingressar em uma universidade ou em um cargo de serviço publico sem ser refém de uma politica publica.

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Jonilken, obrigada pelos comentários.
      Na verdade é essencial investir na melhoria da educação básica, porém isso não se contradiz com a adoção das cotas para aqueles que estão hoje concluindo o ensino médio ou em vias de concluir.
      Várias pesquisas demonstram que as ações afirmativas tem mudado “a cara” das universidades públicas brasileiras, que está mais diversa e um pouco menos desigual. Certamente isso ainda não acontece em todos os cursos e carreiras, mas já é um começo!

      Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

  • Anônimo

    Gostaria que você pontuasse quais seriam as perdas para o sistema de cotas atual caso houvesse alteração da política considerando somente o recorte de renda/origem escolar. E, ainda, se considerarmos uma perspectiva comparada com outros países que adotam ações afirmativas, é possível dizer que esse é um tipo de política que sempre estará sob ameaça?

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá, sobre a comparação com outros países, veja os comentários acima á postagem de Aracy e à postagem de Ana Maria.
      Sobre as cotas apenas por renda, veja o comentário á postagem de Jorge. obrigada!

      Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

  • Danielle

    As pessoas são tão cegas que não percebem que as cotas na realidade são para quem pode pagar para estudar em uma faculdade particular pois estudou a vida toda em escolas pagas e quando chegam no ensino superior tiram as vagas dos estudantes de escolas públicas.
    Alunos das escolas particulares tem 50% das vagas nas universidades enquanto alunos de escolas públicas ficam tentando se encaixar nas cotas.

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Danielle, se bem entendi, você está concordando com a necessidade das cotas para estudantes de escola pública, não é? De fato, apenas com a adoção das cotas tivemso uma diversificação do perfil dos estudantes, principalmente nos cursos mais seletivos.
      Obrigada!

      Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Danielle

      Isso mesmo Rosana, obrigada por responder. Os alunos que estudaram a vida toda em escolas particulares tem condições de pagar o ensino superior. Porém acontece a inversão de valores, os estudantes de escolas públicas precisam financiar sua educação superior ou participar dos outros programas como prouni porque não tem vagas suficientes nas universidades públicas.
      50% são para os alunos das escolas particulares e quanto a isso não fazem nenhuma discussão.
      Os outros 50% são divididos e subdivididos entre todas as cotas da escola pública: baixa renda negro, renda superior negro, baixa renda não negro, renda superior não negro, deficentes negros de baixa renda, deficientes negros de renda superior, etc o que ficam pouquíssimas vagas para essa distribuição.
      Então em vez de brigarem pelas cotas de cor raça e renda, briguem para que a educação superior pública seja ocupada pelos alunos das escolas públicas, tentem acabar com a cota de quem pode pagar pra estudar.

      Publicado em 7 de setembro de 2018 Responder

  • Jéssica

    Eu era a favor de cotas para quem só estudo em colégios públicos e contra cotas raciais. De forma inocente alegava que “não importa a cor, todos somos inteligentes por igual, basta estudar; e que o ensino público sim tem desvantagens”.
    Bastaram alguns anos, conviver com pessoas diferentes do meu ciclo de amizade, da ‘bolha social’, bastou estudar um pouco mais para perceber que as Cotas de Ensino Público é uma Política Pública que o Governo criou para tapar a falta de um bom ensino que as escolas públicas não tem. Isso é assumir que ali existe uma falha, e não concertaram isso – criaram medidas “provisórias” para que os alunos entrassem nas Universidades de forma ‘mais fácil’ porque são (somos) lesados.
    Hoje meu pensamento é oposto a tudo que pensava. Estudei a questão dos negros, hoje entendo o que é a “Dívida Histórica” que eu não entendia e ela dificilmente será reparada, nunca será apagada e entendo que as cotas raciais são justas porque historicamente eles foram lesados e até hoje carregam/sofrem injustiças por isso – sociais também.
    E hoje entendo que Cotas para Ensino Público sim, é um absurdo! Porque o ensino público precisa ser reparado, concertado e não viver de muletas.

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

  • Rosana Heringer

    Olá Jessica, obrigada pelos comentários.
    A partir do que você trouxe, é importante lembrar que na verdade a demandas pelas ações afirmativas começou como uma bandeira do movimento negro e depois se ampliou para a questão de renda e frequência à escola pública. É importante registrar que estes diferentes tipos de cotas procuram atender a questões variadas no que diz respeito à discriminação e desigualdade vivenciadas por diversos grupos. E a partir do ano passado também foram incorporadas as cotas para pessoas com deficiência, agregadas a esta política.
    Obrigada!

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

  • Mikael

    Ao meu ver é tudo uma maneira de doutrinar os cotistas, o governo dos últimos 15 anos tem dividido para conquistar. Foi só uma maneira que lhes foi conveniente arrecadar votos, e usam como pretexto contexto históricos. Seria um tipo de dívida pelo favor de ser um cotista. Já no caso de deficientes físicos acho justo ter um cota pois as oportunidades não são iguais.

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Mikael, pelo seu comentário entendo então que você considera justas as cotas para pessoas com deficiência e não para outros grupos, seria isso? Este é um debate controverso, porque, como eu disse no resumo inicial, mobiliza definições de critérios de justiça, de direitos etc.

      Publicado em 9 de setembro de 2018 Responder

  • Ricardo Athayde

    Olá, tudo bem?
    O que a senhora acha da dívida histórica que um país que foi o último das Américas a abolir a escravidão tem com boa parcela de sua população, que foi vítima desse período tão lamentável, e foi abandonada após a abolição sem uma inclusão social e nenhuma reparação por parte do governo? Porque muitos se recusam a entender que os descendentes dessas pessoas foram direta ou indiretamente afetados, e não percebem que ela é uma das bases da desigualdade social no país?

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Ricardo, eu considero que o Brasil tem uma dívida histórica com a população afro-brasileira e indígena, por todas as injustiças sofridas por estas populações ao longo da nossa história. A busca de reparação a estas injustiças é um dos argumentos importantes para justificar as ações afirmativas. Entretanto, não há consenso na sociedade brasileira sobre a necessidade e pertinência destas políticas como mecanismo de reparação, porque muitos consideram que ao se reduzir desigualdades sociais, em termos de renda, as demais desigualdades serão superadas. Entretanto, a situação histórica de desigualdade racial demonstra que não é suficiente reduzir desigualdades econômicas, e é importante ter políticas específicas para estes grupos.

      Publicado em 9 de setembro de 2018 Responder

  • Lúcia

    Existe um estudo sobre classes sociais que acabam prejudicadas pelo sistema de cotas?

    Pois o mesmo problema que vejo em algumas carreiras (como piloto de aeronaves), enxergo em cotas para cursos muito concorridos, como medicina.

    Na carreira de medicina, uma faculdade particular custa entre 7 e 11 mil reais mensais aproximadamente, além de cursos de moradia, alimentação e transporte.
    Um estudante de medicina dificilmente consegue trabalho por conta da jornada integral de ensino. Logo temos um cenário extremamente desfavorável para aqueles que tem uma quantia suficiente para não precisar de cotas por renda ou ensino público, mas que não possuem o suficiente para conseguir pagar por seu estudo.
    Se os estudantes se enquadram em ter muitos recursos financeiros ou se adequam aos requisitos de cotas, conseguem uma chance em mesmo nível, mas para uma grande parte da classe média torna-se quase impossível o ingresso na carreira, sendo que os casos de sucesso dependem de diversos fatores.

    Um cursinho pré vestibular que atenda as necessidades para este curso custam entre 1.000 e 4.000 reais mensais e a média é de 3 anos para um estudante conseguir passar em um vestibular público e o Fies não atende as necessidades de um aluno de classe média.

    O vestibular em si é um exame que considero particularmente ineficaz para a carreira pois a princípio mede apenas a capacidade ou sorte de um estudante acertar mais de 80% de 90 questões, tendo cerca de dois minutos por questão mais a pressão de que se falhar, será mais um ano perdido.
    É um ‘exame’ que não considera vocação e habilidades específicas desejadas para a carreira médica. Não há possibilidade nessa seleção dos alunos submeterem cartas de apresentação (na qual expressam sua intenção e motivação com o curso), cartas de recomendação (validando experiências acadêmicas e científicas anteriores) e nem entrevistas pessoais e coletivas (para avaliar habilidades especificas) como acontece em renomadas universidades em outros países.

    No Brasil, infelizmente, apenas há uma prova e um sistema de cotas que está excluindo a participação e tirando o sonho de muitos brasileiros de classe média, uma complexidade que penso eu estar conectada com a queda de saúde mental de vestibulandos e universitários. Será que no futuro haverá um novo sistema de cotas para corrigir essa dívida histórica ?

    Pois o que está acontecendo, além de não invalidar outras desigualdades e problemas sociais, também é um tipo preconceito, uma vez que julga-se uma classe como detentora de capacidades que não são reais. E esse tipo de pensamento e legislação afeta diversos brasileiros que tem seus sonhos desfeitos e suas habilidades não reconhecidas ao não conseguir uma chance normal de competição para o vestibular.

    Ou você tem uma condição muito favorável financeiramente para pagar uma faculdade particular ou fazer treinamento em cursinhos preparatórios vestibulares pelo tempo que for preciso.
    Ou você é cotista e o sistema de cotas diz: você passa neste curso ao se esforçar nos estudos.
    Ou se você não tem nada disso e está no meio termo. Não é pobre o bastante nem rico o suficiente, mas tem que ser gênio e sortudo para gabaritar o vestibular e ter uma chance.

    É triste, pois um sistema que traz benefícios e possibilidades para alguns, também pode sacrificar e tirar possibilidades de outros. A seleção será por renda, por cor, por tipo de escola e não por aptidão a profissão.

    Será que a decisão de cotas não poderia dar seu lugar a uma reforma na forma de se selecionar pessoas para concursos e vestibulares?
    Se as pessoas pudessem ser avaliadas para além da habilidade de acertar provas, uma avaliação que considerasse criteriosamente seus talentos e aptidões para que atendessem ao perfil profissional, não seria mais justo para todos?

    Acho que vai de interesse da comunidade saber o que prefere nas propagandas políticas:

    “Nosso país tem o melhor sistema de cotas para desigualdade social”

    Ou

    “Nosso país investe para você se tornar o melhor que puder ser na profissão que você sonha”

    Publicado em 6 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Lucia, agradeço seus comentário e reflexões. Compartilho com você algumas das críticas em relação ao processo seletivo para o ensino superior no Brasil, que se limita a uma prova realizada em 2 dias.
      Por outro lado, tenho ressalvas às suas ponderações sobre a redução de oportunidades para estudantes de classe média…Os dados sobre ingresso no ensino superior nas últimas décadas no Brasil mostram que os estudantes que tem mais dificuldades em ingressar são aqueles oriundos de famílias com renda menor que 3 salários mínimos. Os que estão acima desta faixa de renda conseguem ingressar em maiores proporções. Certamente nem todos ingressam no curso ou na universidade que gostariam, e concordo com você que a seletividade de cursos como medicina dificultam o ingresso de muito estudantes, mas esta é uma questão mais ampla que diz respeito à oferta de vagas, seletividades dos curso etc. Vale um outro fórum de discussão!

      Publicado em 9 de setembro de 2018 Responder

  • Leandro

    Sou a favor de cotas sociais e contra as raciais! Jamais a cor da pele poderá interferir no intelecto de um ser humano, já a questão social sim, pois por mais inteligente e dedicado que um indivíduo for se ele não tiver as condições necessárias ele ficará atrelado à mediocridade! Cotas sociais garantem a eqüidade entre os cidadãos!

    Publicado em 7 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Leandro, peço que veja minha resposta ao comentário de Cecilia, acima.
      Na verdade é importante entender que a desigualdade racial é uma questão social!

      Publicado em 9 de setembro de 2018 Responder

  • Maico Rafael Ribeiro

    No Brasil, não faz sentido existir cotas raciais, pois o povo brasileiro é miscigenado. O problema das desigualdades no País é de natureza social e não é com leis raciais que vamos resolver as mazelas brasileiras. Acredito que todos tem direito aos benefícios sociais sem distinção entre os cidadãos.

    Publicado em 7 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Maico, a adoção das cotas raciais é justificada pela identificação de desigualdades raciais históricas na sociedade brasileira que não foram resolvidas somente com políticas sociais. Na verdade o que se percebeu através de vários estudos como de Carlos Hasenbalg, por exemplo, é que mesmo quando houve redução das desigualdades sociais, persistiram as desigualdades raciais na sociedade brasileira.

      Publicado em 9 de setembro de 2018 Responder

  • Samuel Leandro

    Acho que deveriam dar cotas para atletas, sou um negro lindo mas não sou a favor de cotas para negros, ou de acordo com qualquer outra cor de pele.

    Publicado em 7 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Oi, Samuel, agradeço seu comentário. Você deve ter conhecimento de que nos EUA é comum que o critério de ser atleta contribua para a seleção dos estudantes. No caso brasileiro, como o esporte universitário não tem o mesmo peso que tem lá, este critério ainda não é difundido, mas pode ser que seja adotado um dia. Sei que há algumas universidades no Brasil que oferecem bolsa de auxílio financeiro para atletas…

      Publicado em 9 de setembro de 2018 Responder

  • Marcus Bastos

    Aparelhamento ideológico em toda as instituições brasileira visando o poder total de um grupo político anti-democrático.

    Publicado em 8 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Olá Marcus, agradeço seu comentário, mas não identifiquei a conexão imediata entre o tema em discussão e sua contribuição….

      Publicado em 9 de setembro de 2018 Responder

  • Renato Vasconcellos Bittencourt Neto

    Acredito que politicas de açoes afirmativas sao necessarias em um país onde a desigualdade é algo tao gritante. Falar de meritocracia no Brasil, onde pessoas têm linhas de partida diferentes, é infundado e irrisório. Esta politica é sim fundamentada onde todos possuem as mesmas oportunidades e as mesmas condições.
    Portanto, é fundamental praticas como , por exemplo, cotas raciais e sociais para ingressar em universidades

    Publicado em 9 de setembro de 2018 Responder

    • Rosana Heringer

      Concordo, Renato!

      Publicado em 9 de setembro de 2018 Responder

  • NILDSON DE AVILA SILVA

    Sou contra cotas, mas no caso de necessidade que seja só pelo critério da renda familiar, o mais importante desnivelador.

    Publicado em 10 de setembro de 2018 Responder

  • Artur Doles

    Olá,

    Poderia me explicar mais detalhadamente como funcionam as cotas sociais e raciais dentro de suas diferenças e aplicabilidades? Digo, elas podem ser usadas simultaneamente? Se o estudante branco que estudou 3 anos na escola pública prestar o Enem, ele pode entrar via cotas por renda? E se este mesmo estudante for negro? Ele pode concorrer tanto por cotas raciais quanto socio-econômicas? E caso o estudante negro e pobre tenha estudado no ensino privado durante um ou dois anos mas com bolsa de estudo de 100%? De que maneira efetivas as cotas raciais previnem a entrada por via dela de um indivíduo, digamos, de classe média?

    Obrigado!

    Publicado em 11 de setembro de 2018 Responder

    • NILDSON DE AVILA SILVA

      Cota social é basicamente renda familiar. Renda familiar baixa daria direito a uma facilidade para compensar suas dificuldades de acesso à educação. Não importa a cor da pele, religião, origem… mesmo porque um negro que tem boa renda teria bom acesso, ao passo que um branco com péssima renda não. O que importa é o seu prejuízo pela baixa renda. Se uma determinada etnia está numa “classe social desprivilegiada”, automaticamente estaria incluído. Outra vantagem do critério é sua objetividade, previne-se o dilema do tipo “ele é negro? qual a porcentagem de genes africanos que ele tem? A cor da pele dele determina o grau de prejuízo histórico que ele sofreu?”. Evita também critério racista, pois qualquer critério que usa de etnia como item para validar algo, é racista em essência.

      Publicado em 19 de setembro de 2018 Responder

  • Carlos Eduardo Costa dos Santos

    Cotas raciais são privilégios, não se deve medir o potencial de alguém por sua cor ou raça. Concordo com cotas para pessoas de baixa renda, que estudaram em escolas públicas e que desejam cursar um ensino superior público. As pessoas que vivem na pobresa não são exclusivamente negras, então não se deve fazer tal discriminação baseada na cor.

    Publicado em 14 de setembro de 2018 Responder

  • Amauri Oleron

    A política de cotas é uma anomalia criada por um governo sem compromisso com a educação e com o apoio dos “politicamente corretos”, implantou o preconceito racial na universidade. A mensagem que essa política passa é extremamente negativa para os estudantes pois destrói o ensinamento de que os objetivos devem ser conquistados pelo mérito. Privilégio só gera acomodação para quem recebe e desestimula quem é destituído do seu direito. Também acho deselegante que a mediadora da discussão utilize uma postura passional em favor das cotas.

    Publicado em 19 de setembro de 2018 Responder

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