Ponte entre o passado e o presente

Mais do que se propor a retratar conteúdos históricos, série Vikings promove reflexão sobre o papel da violência na construção da sociedade ocidental e defende a valorização da diversidade cultural como caminho para o entendimento entre os povos.

Muitos historiadores e estudiosos da cultura visual já apontaram que as obras cinematográficas ou televisivas com conteúdos históricos falam muito mais sobre as sociedades que as geraram do que sobre aquelas que retratam em seus roteiros. Com a série Vikings, produção irlandesa e canadense criada e dirigida por Michael Hirst e em cartaz com a quinta temporada no History Channel, não é diferente.

A série não é um registro fiel da história, mas não pretende ser. Inspirada na saga de Ragnar Lothbrok, rei escandinavo que viveu entre os séculos 8 e 9, de seus filhos (Bjorn, Ubbe, Hvitserk, Sigaud e Ivar) e da escudeira Lagartha, a produção mistura diferentes personagens, temporalidades e episódios históricos, descritos pela tradição oral nórdica e consolidados em obras literárias posteriores, para compor uma narrativa ficcional acerca dos vikings e de suas relações com os cristãos, durante a construção do catolicismo como religião hegemônica no mundo europeu.

Mariana Muaze

Departamento de História,
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)

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