Quando a estrada é uma ameaça

Mesmo tendo a capacidade de voar, morcegos são atropelados com frequência em rodovias fluminenses. Respeitar os limites de velocidade sinalizados poderia evitar mortes.

Ao se deslocar por uma estrada, raramente as pessoas prestam atenção nas carcaças de animais atropelados na pista. É comum repararem apenas quando avistam mamíferos terrestres de médio e grande portes, como macacos, jaguatiricas, onças, canídeos silvestres e antas. Mas a maior parte dos animais mortos nas estradas brasileiras é representada por espécies de pequeno porte, quase imperceptíveis aos olhos dos não especialistas. É o caso dos morcegos, pequenos mamíferos voadores que causam antipatia injustificada na maioria das pessoas, apesar de seu relevante papel ecológico.

Morcegos como o da espécie Noctilio leporinus (na foto) correm risco de atropelamento na região centro-norte do estado do Rio de Janeiro
Foto: Daniel Almada

Mesmo tendo a capacidade de voar, os morcegos se chocam com veículos com mais frequência do que se imagina. Essas colisões costumam ser subestimadas em estudos de atropelamento de fauna, não apenas porque é difícil detectar os impactos, dado o pequeno tamanho dos corpos, mas também porque os morcegos são rapidamente removidos das estradas por outros animais que se alimentam de restos orgânicos (necrófagos) ou pela própria decomposição natural.

Helio Secco

Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé (Nupem),
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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