Saúde pública X privada

Qual o futuro do SUS? O que fazer para garantir o direito à saúde da população?

O Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior sistema gratuito e universal de saúde do planeta. Suas ações, da atenção básica a tratamentos complexos e transplantes, impressionam pela escala condizente com um país continental. Sua formulação remonta ao contexto da abertura democrática no Brasil, quando os mais diversos atores sociais vislumbraram a possibilidade de superar, mediante à construção de um estado de bem-estar social, as mazelas sociais e sanitárias herdadas dos períodos anteriores.

A despeito dos números grandiosos e dos inegáveis benefícios que produziu, o SUS jamais foi capaz de construir uma base de apoio social e político que lhe garantisse uma operação plena. No plano assistencial, são conhecidos os problemas de acesso aos seus serviços. Em sentido contrário ao seu fortalecimento, têm se levantado vozes e se construído propostas que, considerando a inviabilidade do ´SUS original`, buscam fortalecer o mercado privado de operadoras e prestadores de serviços privados de saúde.

Seria o SUS inviável? Que caminho devemos seguir? Dê sua opinião e participe da construção desse artigo da CH.

Carlos Henrique Paiva
Fundação Oswaldo Cruz

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Matéria publicada em 30.01.2019

COMENTÁRIOS

  • Lívio Matheus Oliveira

    Professor, considerando que o SUS seja realmente inviável, isso estaria relacionado ao modelo de atenção à saúde adotado no país atualmente?

    Publicado em 30 de janeiro de 2019 Responder

    • Carlos Henrique Paiva

      Bom dia, Lívio. Sua pergunta é boa, mas não é simples. Parece-me que se sairmos dos textos oficiais, o modelo de atenção vigente não é de todo claro. Há um modelo abrangente, em alguma medida afinado com os chamados princípios do SUS (universidade, integralidade, hierarquizado etc), mas há também a vigência de um modelo fragmentado de cuidado e, segundo alguns críticos, demasiado centrado na assistência hospitalar. Tudo indica que a vigência e convivência desses dois “modelos” diz respeito à certa dificuldade, histórica, na implantação efetiva do SUS. Ou seja, modelos de atenção que antecediam ao SUS continuam, de alguma forma organizando práticas, condutas e instituições atualmente. Nessa linha, uma pergunta que podemos fazer é: por que o SUS não conseguiu romper de forma decisiva com práticas do passado?,

      Publicado em 31 de janeiro de 2019 Responder

  • José Sebastião Pedrosa

    Bom dia. Sou trabalhador do SUS, estou na saúde desde 1984. Vivo esse Sistema por dentro. Só uma observação, em SUS não existe práticas do passado. O SUS funciona, o SUS é uma realidade, imagina como era anterior à implantação, antes de 1990. Qual seria o nível de assistência hoje? Então vamos entender que com todos os problemas enfrentados só o SUS como foi originalmente concebido pode dar resposta às nossas necessidades de saúde.
    Penso que além do financiamento o grande problema é GESTÃO, a descontínuidade nos 3 níveis, sendo que vejo como pior no nível municipal onde gestores atuam sem conhecimento do que é SUS.
    O SUS não pode receber tratamento de uma ideologia ou ser considerado como ideológico. Está na Constituição e teoricamente estaria já acima das discussões ideológicas.
    Todos os níveis de atenção são importantes, e, obviamente o nível atenção básica deveria ser o ponto de inclusão. Existe muita discussão inócua sobre isso.
    Há alguns anos teve discussão no nível do Conselho Nacional de Saúde sobre uma política de recursos humanos para o SUS que seria uma forma de criar um corpo estável e tecnicamente preparado de recursos humanos para sedimentar os conceitos e o modelo de assistência.
    Penso que na”onda” de treceirizar os serviços próprios a possibilidade de criar recursos humanos próprios do SUS se perdeu. Soma -se a constante propaganda dos meios de comunicação contra o SUS indiscriminadamente. As críticas por desassistencia deveriam ser melhor divididas em questões de financiamento e questões de gestão.

    Publicado em 31 de janeiro de 2019 Responder

    • Carlos Henrique Paiva

      Muito obrigado pelo comentário, José Sebastião. Inicialmente, deixe-me esclarecer um pouco mais sobre a minha provocação. Antes de tomar uma posição do SUS como o “céu” ou, por outro lado, do SUS como o “inferno”, gostaria de explorar os “céus” e “infernos” que caracterizam essa que é uma das mais importantes experiências institucionais da republica brasileira. Interessa-me, em particular, as contradições dessa experiência, pois certamente elas existem e, ao que tudo indica, não são poucas. Disto isto, vamos ao seu comentário: você nos sugere que o SUS seja uma experiência institucional que romperia, por COMPLETO, com as práticas passadas. Nesse sentido, o SUS instituiria o novo. Em parte concordo com você. Entendo que, em boa medida, o SUS trouxe inovações importantes nas práticas em saúde. No entanto, em que pese tais inovações, ao que tudo indica, há desafios colocados que dizem respeito à inúmeras dificuldades de rompimento com velhas práticas. Nessa linha, observe que você mesmo sinaliza para, pelo menos, alguns elementos de continuidade com o passado. Quando você se refere aos problemas de gestão, não estaria também sinalizando para as algumas formas de gestão dos serviço de saúde em operação que não consideram, por ironia, a dimensão dita sistêmica dos serviços de saúde? Nossos desafios em operar de forma sistêmica se revelam, por exemplo, em termos práticos, nas dificuldades de se compor, de fato, uma rede de saúde, não? Em alguns municípios brasileiros, com destaque para o Rio de Janeiro, a fragmentação do sistema é flagrante. E mais, já que falou em recursos humanos, ainda que tenhamos registrado melhoras importantes no que toca à formação de trabalhadores, o modelo dominante de formação de profissionais, sobretudo médicos, ainda não estaria voltado para o cuidado individualizado, ações curativas, uso intensivo de tecnologias etc? Em resumo, podemos afirmar categoricamente que o SUS, como uma experiência institucional, representaria, de fato, uma inflexão de práticas e ideias? E mais: será que reconhecer os limites colocados para essa experiência não é passo importante para aprimorá-la?

      Publicado em 31 de janeiro de 2019 Responder

  • Ana Maria

    Se for comparado a outros sistemas de saúde pública, como avalia o Sus? É póssível fazer essa comparação? Há casos de países em desenvolvimento e de grandes dimensões, marcados pela desigualdade, em que o sistema público de saúde tenha um modelo mais bem-sucedido?

    Publicado em 31 de janeiro de 2019 Responder

    • Carlos Henrique Paiva

      O SUS é o maior sistema de saúde universal de saúde do planeta. Países como Inglaterra e Espanha tem sistemas de saúde universais, com base no direito, mas tem dimensões territoriais muito menores que o Brasil. O Canadá, em termos territoriais, tem alguma coisa de comparável, mas em termos demográficos, tem uma população muito menor que a brasileira. Seja como for, já sabemos que os sistemas universais com base no direito tem desempenho melhor em termos de cobertura e custo/eficiência se comparável a outras modalidades. O modelo liberal americano, por exemplo, tem custos altíssimos, mas com uma cobertura e resultados nada invejáveis. Podemos concluir, em minha opinião, que o SUS já produziu resultados muito valiosos em diversas áreas (cobertura vacinal, mortalidade materno-infantil, implantes etc), mas, se olharmos para as dimensões desse país, as diferenças regionais (econômicas, políticas, demográficas, epidemiológicas), os desafios para seu fortalecimento são igualmente imensos. E já olhando para sua segunda pergunta, Ana Maria, os desafios se multiplicam no atual governo. O Presidente da República e os grupos a ele associados jamais esconderam um viés liberal privatizante. O fortalecimento do Estado, parte fundamental para o funcionamento do SUS, não nos parece estar na agenda do atual governo. Caberá à sociedade organizada impor limites às propostas que, ao que parece, contrariam a formatação de um estado de bem-estar social no Brasil (do qual o SUS faz parte).

      Publicado em 31 de janeiro de 2019 Responder

  • Ana Maria

    Outra pergunta: privatizar o que for possível parece ser uma meta do novo governo, acredita que isso pode atingir o Sus de alguma forma? No governo Temer um ministro da saúde sugeriu que era melhor criar planos de saúde populares do que investir em saúde pública.

    Publicado em 31 de janeiro de 2019 Responder

  • André Barbosa

    Por que as críticas aos serviços públicos de saúde ganham tão mais notoriedade na mídia do que os casos positivos? São tantas histórias negativas que ficamos realmente com a impressão de que é melhor acabar com tudo…

    Publicado em 31 de janeiro de 2019 Responder

    • Carlos Henrique Paiva

      André, acho que uma boa resposta à sua pergunta deveria considerar vários aspectos. O primeiro, de ordem mais geral, diz respeito à forma como o jornalismo (ou certo jornalismo) trabalha. A máxima “notícia ruim é que vende jornal” parece ser levada à sério por muitos veículos. Obviamente, isso não basta para explicar a disseminação de uma perspectiva negativa acerca dos serviços públicos de saúde. Entendo que temos que mobilizar razões de ordem econômica e mesmo ideológica. Como parte das primeiras, é preciso observar quem são os anunciantes de determinados veículos de mídia. Não raro observamos grandes empresas do setor privado de saúde (operadoras e seguradoras) como anunciantes, são clientes dos grandes veículos. Não está claro se estas empresas exercem pressão ou influência de natureza editorial. Em termos sociais, há que se notar, adicionalmente, a disseminação de valores que enaltecem soluções individuais e baixa solidariedade social. Ao fim e ao cabo, a ideia de que estamos todos “juntos no mesmo barco”, ideia matriz que sustenta políticas sociais (redistributivas e assistenciais), parece estar há algum tempo em franco ataque. “Somos parte da mesma sociedade, logo devemos financiar serviços para todos”. Tal máxima, com a disseminação de valores calcados no liberalismo e no individualismo, vai se fragilizando em detrimento de soluções ligadas ao “mérito de quem pode pagar”. Quero dizer que, pouco a pouco, se constrói uma perspectiva pouco simpática aos serviços públicos, taxados como ineficientes, corruptos e outros adjetivos desqualificantes. Constrói-se, assim, uma falsa verdade: tudo que é privado é melhor. Parece que a combinação desses diferentes aspectos geram esse ambiente (cujas as pautas jornalísticas fazem parte). Em outro plano, caberia aos gestores do SUS pensarem em estratégia de comunicação e valorização pública desse empreendimento. A questão que se coloca: mas será nesse contexto?

      Publicado em 31 de janeiro de 2019 Responder

  • FRANCIJANE

    Boa noite, sou trabalhadora do SUS e muitas vezes o que percebo é que até hoje não houve uma verdadeira adesão ao sistema, seja pela população, seja pelos governos. Dito isso eu pergunto como poderíamos atuar para tentar reverter essa situação?

    Publicado em 31 de janeiro de 2019 Responder

    • Carlos Henrique Paiva

      Boa noite, Francijane. Como você pode ver acima, concordo com sua perspectiva. Devo dizer que sua pergunta é simplesmente “a pergunta!”. Para não me alongar, devo dizer que precisamos fazer “política”. Entenda-se por essa palavra tão surrada em nossos dias, uma necessária produção de entendimento e consenso acerca da importância do SUS para todos. Significa, por exemplo, uma necessária política de comunicação social sobre o SUS, conversas com sindicatos, com inúmeros grupos organizados que lidam com a temática da saúde, com partidos políticos e, destaque, para uma necessária relação com o Parlamento. No contexto da Reforma sanitária, aquele movimento que viabilizou a criação do SUS, a existência de representantes parlamentares afinados com a proposta foi absolutamente fundamental. Parece-me que hoje, em termos relativos, a proposta do SUS encontra-se politicamente esvaziada.

      Publicado em 31 de janeiro de 2019 Responder

  • Daniella

    Olá, Carlos! Eu admito não ter um vasto conhecimento acerca do SUS. No entanto, muitas críticas que ouço estão relacionadas à grande demora para realização de exames. Sendo que, devido a isso, alguns cidadãos que conheço pagam com o próprio dinheiro, já que os médicos podem pedir exames com certa urgência. As consultas, em geral, mas são bem mais rápidas que os exames.
    Eu creio que deveria ter uma sistematização maior do SUS, para que ele funcionasse de forma semelhante em todas as unidades. E investimento em sistemas digitais integrados, para guardar informações de pacientes e seu histórico de saúde, organizar agendas e agilizar o atendimento.
    No entanto, num país historicamente cheio de conflitos, violência e desigualdade social, é triste perceber que as entidades públicas de assistência são alvos de severas críticas, e muitos preferem acabar com tudo, em vez de pensar em melhorias.

    Publicado em 31 de janeiro de 2019 Responder

    • Carlos Henrique Paiva

      Bom dia, Daniella! Você apontou, corretamente, para um problema muitíssimo sério e que afeta tanto a qualidade dos serviços prestados pelo SUS quanto sua imagem pública. Você nos fala em “sistematização maior do SUS, para que ele funcionasse de forma semelhante em todas as unidades”, o que é também um encaminhamento correto. No entanto, por que não avançamos? É bom lembrar que o SUS é um sistema de saúde descentralizado em direção aos municípios. Os municípios brasileiros, portanto, são grandes prestadores de serviços de saúde, com destaque para a Atenção Primária. Acontece que o país tem imensas disparidades regionais. Tais disparidade se revelam em diferentes capacidades políticas, econômicas e técnicas dos municípios prestarem a mesma qualidade de serviços de saúde. De 2001 para cá tem se intensificado as discussões e iniciativas que tentam enfrentar esse problema nos termos de uma “regionalização” das ações. Não é fácil, uma vez que, como dito antes, tudo esbarra em questões que dizem respeito ao chamado pacto federativo. Como se vê, o desafio que temos à nossa frente menos técnico e muito mais político, inclusive para a implantação de sistemas de informação em saúde.

      Publicado em 1 de fevereiro de 2019 Responder

  • Izabel Cristina Rodrigues da Silva

    Bom dia. Minha pergunta traz a reflexão do porque muitas pessoas imaginam que o SUS é somente assistência e não um contexto muito maior que isto, como as ações de Vigilância Sanitária por exemplo. Muitas vezes já vi escrito em debates nas redes sociais que as pessoas declaravam que não usam o SUS, geralmente esta declaração era acompanhada de um desabafo de que a assistência oferecida pelo SUS é inadequada.

    Publicado em 1 de fevereiro de 2019 Responder

    • Carlos Henrique Paiva

      Bom dia, Izabel! Você tem razão, o SUS se consagrou – para bem e para mal – exclusivamente em sua dimensão assistencial. O cidadão comum, regra geral, não consegue perceber que o alimento que compra no supermercado tem, de alguma forma, qualidade garantida pelos serviços prestados pelo SUS, por exemplo. Essa é uma questão que, por coincidência, eu tive oportunidade de participar de discussões no âmbito do Conselho Nacional de Saúde, em Brasília. Há, portanto, um generalizado diagnóstico de que não há uma imagem consolidada, frente à população, de todo rol de serviços prestados pelo SUS, sendo, assim, precisamos alterar a forma como se comunica a respeito de seus serviços, políticas e programas.. Observe, nesse sentido, que em sistemas de saúde relativamente semelhantes, como é o caso do sistema de saúde inglês, há uma forte disseminação/associação da sigla/marca NHS (National Health Service). em tudo que está ligado a aquele sistema. Medida semelhantes precisaríamos enfrentar aqui. Fui testemunha dos esforços de produzir uma política de comunicação para o SUS, mas, preciso reconhecer que ela não foi vigorosa na medida das necessidades e, o pior, tudo indica que foi descontinuada.

      Publicado em 1 de fevereiro de 2019 Responder

  • Elisabeth

    Bom Dia Carlos o SUS sempre foi um grande exemplo, e qd o país entra em crise o SUS piora,
    Acho que o SUS deve ser aprimorado, com um novo jeito de cobrança.
    Como o exemplo deveria ser incluso no IR.
    Hj em dia existem clínicas particulares q cobram pouquíssimo para realização de exames e consultas.
    O cidadão brasileiro não está preparado para a extinção do SUS, por enquanto somos terceiro mundo, creio q muito em breve isso mudará.
    E no SUS a respeito de profissionais de postos de saúde, estão com um pensamento arcaico achando que devem tratar pessoas como cães.
    O SUS é um excelente o povo não está preparado para o fim desse sistema.

    Obrigada

    Publicado em 1 de fevereiro de 2019 Responder

    • Carlos Henrique Paiva

      Bom dia, Elisabeth! Eu não sei se entendi bem seu comentário sobre “ser incluso no IR”. Seja como for, tal como foi pensado originalmente, o SUS se enquadra no chamado Estado de Bem-estar social. Ou seja, aquele tipo de Estado provedor de serviços públicos gratuitos e com alcance universal, isto é, para todos os cidadãos. Essa é a base ética e doutrinária sobre a qual se assenta a proposta e experiência do SUS.. O debate que se coloca hoje em muitos setores da sociedade brasileira é que isso seria “utópico” e que, portanto, deveríamos nos encaminhar para modelos ditos liberais. Em outras palavras: serviços públicos gratuitos para todos deveriam ceder lugar a um mercado privado de serviços de saúde. É preciso que tenhamos a clareza que o avanço dessas propostas liberais soterram a proposta do SUS.

      Publicado em 1 de fevereiro de 2019 Responder

  • Juliana Costa

    Bom dia

    O sistema deveria ser integrado e informatizado por todo o brasil ( de verdade). Do qual o cidadão com um login e senha ( no caso pode ser sua identidade e sua data de nascimento) poderia marcar consulta via call center ou pela internet, e consultar e fazer exames, sem precisar ficar na fila da madrugada do lado de fora do postinho para que as 8 horas da manhã depois de aberto conseguir por sorte uma desistencia ai sim conseguir uma consulta com o cliiiiiinico para então dar sequencia a cuidar da saude. Isso é arcaico. Isso tem que acabar. Era so ligar e marcar a consulta e ou exame. E o clinico deveria ter as duas opçoes marcar ou atendimento direto. Mas para isso é preciso ter mais medicos.
    Outra coisa : Se uma pessoa mora no Rio de Janeiro viaja com a familia para o interior do Amapá, e por acaso sente se mal, poderá ir ao postinho ou clinica da familia ou a uma unidade de pronto atendimento, e la poderia ter todas as informaçoes e historico para o profissional da saude acessar.
    O mais importante é: acabar com filas, pra operar, pra fazer exame e pra se consultar. Precisa aumentar o numero de medicos, de hospitais, de clinicas, de material hospitalar, de infermeiros, de tecnicos, de auxiliares, de servidores. Pois a galera não está dando conta. E as pessoas ja chegam para morrer. Pois não tem prevenção, não tem atendimento basico para o cidadão poder se tratar. Por isso que os hospitais estão cheios. E gente que está morrendo por doeñça boba hen.
    É importante acabar com as filas. Hospitais cheios. Unidades lotadas. Tem que acabar com isso.. isso é vergonhoso. Todos tem que ter acesso a saude.
    Para isso precisa de investimento, comprometimento das autoridades e dos administradores servidores, a corrupção tem que ser execrada, isso com atuação de pessoas confiáveis para uma dura fiscaluzação incisiva.
    A SUS PRECISA DE TUDO! Como se partisse do zero.

    Publicado em 1 de fevereiro de 2019 Responder

    • Carlos Henrique Paiva

      Bom dia, Juliana! Você toca também em problemas muito importantes, alguns dos quais têm muito a ver com o que já comentou Daniella, logo acima. Como eu comentava, temos imensas dificuldades para integrar os serviços de saúde e transformar o SUS, definitivamente, em um “sistema”. Isto se deve, entre outras coisas, ao fato de o SUS ser descentralizado em direção aos municípios. Ora, temos mais de 5 mil municípios, imagine o que é coordenador e produzir “sistema” contando com tantos gestores? Um belo desafio político, não? Veja, insisto no uso da palavra “político”, pois parece-me que avançamos muito no engendramento de sistemas de informação para a saúde. Tecnicamente, não é um desafio intransponível implantar sistema de informação nacional, mas o mesmo não se pode dizer a respeito da necessária concertação entre gestores municipais, estaduais e a União. A pergunta que deixo aqui é: o governo recém empossado revela interesse em enfrentar essas questões? É pauta do atual governo o fortalecimento das instâncias do SUS? Ou estaria mais antenado com a implantação de mudanças que nos encaminharia para um sistema liberal, tal como o norte-americano?

      Publicado em 1 de fevereiro de 2019 Responder

  • Rodrigo Aracno

    Olá Sr Carlos Henrique Paiva, parabéns por essa ideia e iniciativa com a Ciência Hoje, as pessoas precisam de oportunidades de participarem.
    Eu gostaria de dizer que a ideia do SUS, na íntegra, no papel, é totalmente viável, é algo que dificilmente é encontrado fora do país. Mas infelizmente não atua, ao menos em minha cidade, como deveria atuar. Sou da cidade de Sorocaba SP, e o SUS aqui deixa a desejar, médicos não estão atendendo, muitas vezes a lista de médicos no local é de 6, mas apenas 1 ou 2 estão nos consultórios, pode pesquisar e verá como em nossa cidade isso é comum. Médicos que batem o ponto e nem entram pra atender é um dos problemas. Minha pergunta seria, por que esses médicos não atuam, onde está a ética, quem deveria fiscalizar, e por que não fiscaliza?

    Publicado em 1 de fevereiro de 2019 Responder

    • Carlos Henrique Paiva

      Rodrigo, obrigado pelo contato! Parece-me que esse problema pelo qual passa seu município é semelhante ao de outros brasileiros. Entendo que o caminho não pode ser outro senão um maior controle do gestor sobre os trabalhadores, aliás, como ocorre em qualquer empresa, não é mesmo? Acúmulo de faltas injustificadas, processo administrativo, No Rio de Janeiro vez e outra somos testemunhas dessa discrepância entre profissionais alocados e profissionais, de fato, em serviço. Na Atenção Primária, contudo, parece-me, que os mecanismos de controle sobre a atividade dos profissionais se revelaram mais efetivos. Seja como for, sem dúvida, é uma questão que ainda carece de enfrentamento mais sistêmico. Devemos fortalecer as instituições frente aos interesses eventualmente corporativos ou pessoais.

      Publicado em 1 de fevereiro de 2019 Responder

  • carlos godolfim

    O SUS como sistema universal é um empreendimento hercúleo dado o tamanho do país e as especificidades de cada região. Nota-se claramente que existem interesses econômicos diretamente ligados ao desmanche do sistema, assim como dos demais serviços públicos de cunho social. É fato que estes interesses pagam campanhas e exigem retorno dos eleitos. A atual visão economicista propagada pela sociedade a nível mundial, principalmente ´nas últimas décadas, formaliza uma atitude de descaso do Poder competente no sentido de equacionar e viabilizar a devida atualização dos serviços públicos em geral e da saúde em particular. Torna-se mais fácil e rentável outorgar as fatias de mercado ocupadas pelo objeto público para usufruto do privado e dessa forma livrar-se da responsabilidade sobre o cuidado social Observando os sistemas de saúde em outros países verifica-se que todos tem falhas no fornecimento deste serviço, não é exclusividade do SUS. O desvio de verba constante para outras finalidades de interesse econômico para fomento do empreendimento privado são, a meu ver, o foco principal do declínio de uma oferta de saúde de qualidade para a população. A desvalorização dos profissionais, o desmonte das infraestruturas e de projetos de interesse específicos das populações fazem parte de uma tendência de destruição do papel Estado como responsável pela população e isso ocorre em todos os níveis do serviço público. Quando se fala em Estado Mínimo entende-se logo que o que sobrará é tudo que não diga respeito direto com o bem estar da população, por outro lado tudo que favoreça aos interesses da classe política e seus afins. A questão da falta investimento é gritante em todo o serviço público. Muitas vezes temos profissionais altamente qualificados sem meios adequados para atuar. Inadmissível é verificar a malversação da verba pública causando a deterioração dos órgãos públicos de atenção social para claro benefício do privado.

    Publicado em 1 de fevereiro de 2019 Responder

    • Carlos Henrique Paiva

      Carlos, realmente não tenho a acrescentar com relação ao seu texto. Em boa medida ele sintetiza alguns dos pontos que comentamos acima. É importante mesmo que sejamos capazes de perceber os problemas pelos quais passa o SUS em um enquadramento maior,que o setorial. A crise do SUS é a crise do Estado, sobretudo em sua vertente que compreende a prestação de serviços públicos universais e o fortalecimento da cidadania. Para retomar algo que eu disse acima, só a (boa) política nos salvará de seu derradeiro fim e das consequências que certamente afetarão (quase) todos os brasileiros. .

      Publicado em 1 de fevereiro de 2019 Responder

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