SBPC faz 70 anos em momento de retrocesso para a ciência brasileira

Presidente da SBPC fala sobre a luta por recursos para o setor de C&T e a necessidade de a comunidade científica sugerir aos futuros governantes caminhos para o país sair da crise.

Crédito: Fotos Divulgação/SBPC

Na avaliação de Ildeu de Castro Moreira, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) completa 70 anos em um momento de intenso retrocesso para o setor. Nesta entrevista à Ciência Hoje, o professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e atual presidente da SBPC fala sobre o desmantelamento provocado pelos cortes de recursos, o que prejudica acordos de cooperação internacional, reduz o ritmo de trabalho em laboratórios, afasta os jovens da ciência, entre outras consequências. Para ele, a comunidade científica deve contribuir com propostas construtivas:“Temos que criticar o que a gente acha que não está funcionando, mas também apontar caminhos que acreditamos ser viáveis e possíveis para o país sair da crise que tem vivido”. Por isso, a SBPC tem feito seminários para pensar políticas públicas para o Brasil e apresentá-las aos candidatos. O resultado desse trabalho será debatido na 70ª Reunião Anual da SBPC, entre 22 e 28 de julho, em Alagoas.

CIÊNCIA HOJE: Como você avalia o momento da ciência e da tecnologia no Brasil neste aniversário de 70 anos da SBPC?

ILDEU DE CASTRO MOREIRA: Estamos vivendo um período particularmente difícil. Do ponto de vista de várias dimensões – econômica, política e social –, o país passa por um momento muito grave. Dentro disso, a ciência, a tecnologia e também a educação estão pagando um preço muito alto. Mas, falando especificamente da C&T, que é a nossa batalha dessas sete décadas para ter recursos, desenvolvimento, apoio à criação de instituições científicas, apoio ao trabalho dos pesquisadores e à criação de bolsase tudo aquilo que possibilita o funcionamento da ciência, estamos vivendo um retrocesso enorme. Houve um corte acentuado nos dois últimos anos, o que fez com que o investimento em ciência e tecnologia, o orçamento do ministério dessa área, fosse reduzido a um terço em relação a cinco anos atrás. Isso é muito sério, porque compromete as oportunidades de pesquisa, os jovens que estão sendo formados têm muita dificuldade de emprego, muitos laboratórios estão começando a parar ou diminuindo drasticamente o seu ritmo. E isso tem uma implicação muito grave, porque ciência e tecnologia são essenciais para superar momentos de crise.

Valquíria Daher
Jornalista/Instituto Ciência Hoje

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