Tão perto, tão longe

Nada ortodoxa, série da Netflix lançada em 2020, traz ingredientes culturais e rituais praticamente desconhecidos do público em geral, e provoca a reflexão sobre o motivo pelo qual as particularidades da ortodoxia judaica caíram no gosto popular

Em recente conversa com amigos a propósito das séries Shtisel (Netflix, 2018) e Nada ortodoxa (Netflix, 2020), que retratam “dilemas” normativos no interior de comunidades ortodoxas judaicas, fui surpreendida com a seguinte questão: por que cargas d’água as particularidades da ortodoxia judaica caíram no gosto popular?

A série Nada ortodoxa é uma entre tantas que, recentemente, trazem o tema da religiosidade judaica em suas versões mais excêntricas, ou mesmo mais exóticas, para audiências mais amplas. Comparadas a outros gêneros fílmicos bastante populares – os bíblicos ou os sobre o Holocausto – tais séries revelam uma nova angular a respeito dos judeus e do judaísmo na contemporaneidade. Resta indagar por que a atmosfera ortodoxa e fechada de comunidades haredim vem atraindo a curiosidade de um público amplo, ou, em outra direção, será o modus vivendi da ortodoxia judaica e seus valores a real razão desse interesse?

Monica Grin

Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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