02 maio 2011

Ao soar da sirene

Integrar previsões meteorológicas e dados sobre áreas de risco é o maior desafio do sistema de alerta para desastres naturais desenvolvido pelo MCT. Mesmo que bem-sucedido, não será capaz de fazer previsões com 48 horas de antecedência, adianta secretário.

Deslizamento em um bairro de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, atingida por chuvas fortes em janeiro deste ano. Novo sistema de alerta para desastres naturais poderá evitar tragédias similares. (foto: Válter Campanato/ Agência Brasil)

O Sistema de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, já anunciado pela imprensa, deve ser implementado até novembro deste ano em 20 municípios brasileiros. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (2/5) pelo secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), o climatologista Carlos Nobre.

Segundo Nobre, o papel do sistema será integrar previsões meteorológicas e climatológicas com dados sobre áreas de risco para saber quando e onde pode haver inundação ou deslizamento. O centro de operações será na cidade de Cachoeira Paulista (SP).

“Nós temos as ferramentas e conhecimentos meteorológicos avançados, o que falta é a coleta e análise dessas informações”, afirmou Nobre na Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro.

No entanto, o Brasil tem apenas cerca de 20 municípios com mapeamento detalhado de áreas de risco. “Por isso, um primeiro passo é promover uma coleta de dados ambientais desses municípios”, contou o secretário. Para isso, serão instalados radares e pluviômetros automáticos por todo o território brasileiro, a fim de obter informações de ocorrências de chuvas, inundações e deslizamentos.
   

Antes tarde do que nunca

O Brasil, segundo Nobre, é o sexto país com maior número de mortes por desastres naturais. Dessas, 58% são causadas por inundações e 11% por deslizamentos. 

O Sistema de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais será semelhante àqueles já ativos em outros países, como Japão, Itália e Noruega. “O Japão, embora menor que o Brasil, tem quase a totalidade de seu território em áreas de risco de desastres naturais. E seus alertas costumam ser dados cerca de duas horas antes dos acidentes, às vezes até segundos”, conta Nobre.

As fortes chuvas ocorridas na última segunda-feira, no Rio, foram o primeiro teste do sistema de alerta com radar meteorológico integrado à prefeitura, instalado em janeiro deste ano após os desastres na região serrana do estado. A sirene soou cerca de meia hora antes das chuvas em 11 áreas de risco, o que levou cerca de 120 moradores a deixarem suas casas.

Alguns criticaram o pouco tempo entre o primeiro alerta e as chuvas, mas Nobre discorda. “Não digo que não deva haver aperfeiçoamentos, mas acho que se cinco vidas foram salvas com esse alerta, já é positivo”, defende. “É impossível um alerta ser dado com 48 horas de antecedência, como vem sendo divulgado”.

Isabela Fraga
Ciência Hoje/ RJ

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