14 agosto 2015

Paleontologia na sala de aula

O tema da coluna de Alexander Kellner de agosto é um recém-lançado livro digital de paleontologia destinado ao ensino fundamental e médio. Projeto visa fornecer subsídios aos professores, incluindo atividades lúdicas, para aulas sobre fósseis.

O livro virtual apresenta aos professores conteúdo teórico e atividades práticas para abordar a paleontologia em sala de aula. (imagem: Reprodução)

Que criança não gosta de dinossauros? E que professor do ensino fundamental e médio nunca passou aperto por não saber responder uma ‘daquelas’ perguntas de seus alunos sobre fósseis? Ainda, quem já não teve uma enorme dificuldade em encontrar uma fonte segura que pudesse ser consultada de forma gratuita e fácil, para saciar a sua curiosidade sobre informações básicas dos animais e plantas que há milhares de anos viveram no nosso planeta? Para fazer frente a algumas dessas perguntas, foi elaborado o projeto do livro digital A paleontologia na sala de aula. Lançada no início de agosto, a publicação já ultrapassou 10 mil acessos.

Há bastante tempo os pesquisadores brasileiros observam que a paleontologia – ramo da ciência que se preocupa com a pesquisa dos vestígios da vida preservados nas rochas com mais de 12 mil anos – não está sendo ministrada de forma adequada nas escolas. Os problemas são muitos e os principais já conhecidos por todos nós, uma vez que afetam igualmente todo ensino de ciências: falta de professores, profissionais mal preparados e desestimulados. No caso da paleontologia, a situação é ainda mais complexa pela especificidade da matéria. A maioria das pessoas já ouviu falar nos fósseis, mas pouco sabe a respeito deles. Não é incomum que muitos pensem que praticamente todo vertebrado preservado nas rochas seja um dinossauro. Até mesmo as preguiças gigantes que se encontram montadas em diversas instituições como o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e que viveram há cerca de 12 mil anos são confundidas com dinossauros.

A partir de reuniões de paleontólogos, um grupo de especialistas pensou que poderia se tentar mitigar um pouco a situação utilizando a tecnologia digital, cada vez mais acessível. Inicialmente, pensou-se em uma página on-line que reunisse uma variedade de textos em língua portuguesa para a divulgação da paleontologia. Isso foi há quase seis anos... De lá para cá, a ideia evoluiu a partir da contribuição de diversos pesquisadores e educadores, que dividiram as suas experiências. Ao final, chegou-se ao livro digital, com textos e dezenas de imagens coloridas.

Tafonogame: o Jogo da Fossilização
Parte do tabuleiro da atividade “Tafonogame: o Jogo da Fossilização”. (imagem: Voltaire Dutra Paes Neto)

Organizado pela paleontóloga e pesquisadora Marina Bento Soares, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o livro foi editado com muito zelo pela Editora Imprensa Livre e financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) a partir de um projeto outorgado à paleontóloga Ana Maria Ribeiro, da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. O apoio fundamental para que esse projeto se tornasse realidade foi da Sociedade Brasileira de Paleontologia, atravessando três gestões, respectivamente de João Carlos Coimbra (UFRGS), Roberto Iannuzzi (UFRGS) e Max Cardoso Langer (Universidade de São Paulo, campus Ribeirão Preto).

Teoria e prática

Como fica bem claro logo de início, o livro é dividido em duas partes principais. A primeira, sob o título “Referencial teórico”, possui 22 capítulos que falam sobre diversos aspectos da paleontologia, desde como se formam os fósseis e os continentes, até as técnicas de preparação e confecção de réplicas de fósseis. A segunda parte, englobada como “Práticas em sala de aula”, apresenta 58 atividades que podem ser utilizadas pelos professores e outras pessoas interessadas. Todas são muito interessantes: como exemplo, podemos citar uma que fala do tempo geológico, outra em que se procura passar noções de como os organismos se tornam fósseis, sem contar com a cruzadinha paleopatológica!

Dinossauro em arame
Amostra de etapa da atividade “Dinossauros em arame: da anatomia à biomecânica”. (imagem: Tito Aureliano)

Ao todo, o projeto envolveu nada mais nada menos do que 71 autores, entre alunos, pesquisadores e educadores dos mais diferentes pontos do país. Para todos os exercícios e desafios com perguntas existem respostas que – vejam só – não estão no site. Apenas os professores podem obtê-las pelo e-mail paleontologianasaladeaula@gmail.com. A ideia é que os alunos tentem por si só e não ‘colem’ para responder ou solucionar as perguntas e atividades.

No meio de tantas notícias ruins que têm assolado o nosso país, dá gosto ver uma iniciativa como esta. Parabéns à colega Marina e à Karla Viviane, da Editora Imprensa Livre, por essa enorme contribuição! Vou já entrar na página e jogar um dos joguinhos para saber se o meu conhecimento sobre fósseis ainda está atualizado...

Alexander Kellner
Museu Nacional/UFRJ
Academia Brasileira de Ciências

 

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