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	<title>Ciência Hoje</title>
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	<description>Site da Revista Ciência Hoje</description>
	<lastBuildDate>Thu, 17 May 2018 15:36:25 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Estratégia antiviral polivalente</title>
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				<pubDate>Thu, 27 Jul 2017 21:35:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Instituto Ciência Hoje]]></dc:creator>
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				<description><![CDATA[Estudo feito por pesquisadores de Brasil e Portugal identifica moléculas promissoras para o desenvolvimento de fármacos e vacinas contra diversos tipos de vírus.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div      class="vc_row wpb_row section vc_row-fluid  grid_section" style=' text-align:left;'><div class=" section_inner clearfix"><div class='section_inner_margin clearfix'><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner "><div class="wpb_wrapper">
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			<p>Apesar do elevado n&uacute;mero de f&aacute;rmacos antivirais dispon&iacute;veis atualmente, o tratamento contra doen&ccedil;as causadas por v&iacute;rus muitas vezes falha, devido ao desenvolvimento de resist&ecirc;ncia por esses agentes infecciosos. Uma estrat&eacute;gia promissora para superar esse problema &eacute; criar drogas que atuem sobre a camada mais externa de v&aacute;rios v&iacute;rus, o chamado envelope viral, e assim sejam eficazes contra diversos tipos desses agentes.</p>
<p>Nesse sentido, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto de Medicina Molecular (Lisboa) identificaram os mecanismos de a&ccedil;&atilde;o de uma classe de mol&eacute;culas, denominadas porfirinas, capazes de interagir com o envelope viral e inativar o v&iacute;rus da estomatite vesicular.</p>
<p>A estomatite vesicular &eacute; uma doen&ccedil;a que afeta principalmente animais domesticados, como bovinos, equinos e su&iacute;nos, podendo causar preju&iacute;zo ao setor agropecu&aacute;rio. Ela provoca ves&iacute;culas (bolhas), que podem evoluir para &uacute;lceras, no corpo dos animais, principalmente na l&iacute;ngua, nos l&aacute;bios e na mucosa bucal.</p>
<div class="pullquote">&ldquo;O envelope &eacute; importante para a entrada dos v&iacute;rus na c&eacute;lula. Se destruirmos&nbsp;o envelope viral, n&atilde;o ocorrer&aacute; infec&ccedil;&atilde;o&rdquo;</div>
<p>O estudo, <a href="http://aac.asm.org/content/early/2017/03/21/AAC.00053-17.abstract" target="_blank">publicado este ano</a> e financiado em parte pelo projeto internacional <a href="http://rise-inpact.com/" target="_blank">Inpact</a>, constatou que as porfirinas t&ecirc;m alta afinidade por lip&iacute;dios (mol&eacute;culas estruturais presentes nas membranas das c&eacute;lulas). Dessa forma, podem interagir com o envelope viral, j&aacute; que este &eacute; constitu&iacute;do por uma dupla camada lip&iacute;dica.</p>
<p>&ldquo;O envelope &eacute; importante para a entrada dos v&iacute;rus na c&eacute;lula. Se destruirmos&nbsp;o envelope viral, n&atilde;o ocorrer&aacute; infec&ccedil;&atilde;o&rdquo;, explica a l&iacute;der da pesquisa, a bi&oacute;loga Christine Cruz-Oliveira, da UFRJ.</p>
<p>Segundo ela, a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos mecanismos antivirais dessas mol&eacute;culas contra o v&iacute;rus da estomatite vesicular pode ser extrapolada para outros v&iacute;rus com estrutura semelhante. &ldquo;Dessa forma, essas mol&eacute;culas podem ser melhoradas para o desenvolvimento de drogas de amplo espectro que podem ser aplicadas no tratamento de diversas doen&ccedil;as virais&rdquo;, acrescenta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>Vers&aacute;teis e poderosas</strong></h3>
<p>Al&eacute;m da capacidade de agir contra v&aacute;rios v&iacute;rus, as mol&eacute;culas estudadas pelos pesquisadores podem ser ativadas pela luz, o que as torna mais potentes. &ldquo;A ativa&ccedil;&atilde;o dessas mol&eacute;culas&nbsp;pela luz leva &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de outras mol&eacute;culas, denominadas radicais livres, que&nbsp;potencializam o dano ao envelope dos v&iacute;rus&rdquo;, esclarece a pesquisadora.</p>
<p>Cruz-Oliveira ressalta ainda que essa caracter&iacute;stica pode ter v&aacute;rias aplica&ccedil;&otilde;es. &ldquo;A propriedade de fotoativa&ccedil;&atilde;o dessas mol&eacute;culas antivirais pode ser aproveitada, por exemplo, na elabora&ccedil;&atilde;o de formula&ccedil;&otilde;es de uso t&oacute;pico, como cremes e pomadas&rdquo;, exemplifica. Al&eacute;m disso, a fotoativa&ccedil;&atilde;o dessas porfirinas pode ser empregada tamb&eacute;m no processo de inativa&ccedil;&atilde;o de v&iacute;rus, caso essa t&eacute;cnica seja futuramente utilizada para produ&ccedil;&atilde;o de vacinas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Margarida Martins</strong><br />
Instituto de Medicina Molecular (Lisboa/ Portugal)<br />
Especial para CH On-line</p>

		</div> 
	</div> </div></div></div></div></div></div>
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		<title>Inovação no combate a doenças neurológicas</title>
		<link>https://cienciahoje.org.br/inovacao-no-combate-a-doencas-neurologicas/</link>
				<comments>https://cienciahoje.org.br/inovacao-no-combate-a-doencas-neurologicas/#comments</comments>
				<pubDate>Fri, 21 Jul 2017 20:46:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Instituto Ciência Hoje]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Alzheimer]]></category>
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				<description><![CDATA[Novas estratégias para o transporte de fármacos até o cérebro abrem portas para o desenvolvimento de terapias para doenças como a de Alzheimer e tumores cerebrais.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div      class="vc_row wpb_row section vc_row-fluid  grid_section" style=' text-align:left;'><div class=" section_inner clearfix"><div class='section_inner_margin clearfix'><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner "><div class="wpb_wrapper">
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			<p>Com o aumento da expectativa de vida da popula&ccedil;&atilde;o, tem sido cada vez maior a preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas, atualmente uma importante causa de mortalidade no mundo. Apesar dos r&aacute;pidos avan&ccedil;os na tecnologia m&eacute;dica e na compreens&atilde;o de como funciona o c&eacute;rebro humano, v&aacute;rias doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas, como as de Alzheimer e Parkinson e tumores cerebrais, permanecem sem um tratamento eficaz.</p>
<p>O problema n&atilde;o se deve &agrave; falta de f&aacute;rmacos para essas doen&ccedil;as, mas &agrave; dificuldade que eles t&ecirc;m em atravessar a barreira que separa o sistema circulat&oacute;rio do sistema nervoso central (chamada barreira hematoencef&aacute;lica) e chegar ao local onde devem desempenhar sua a&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. Embora tenha uma vasta rede de vasos capilares, o c&eacute;rebro &eacute; provavelmente um dos &oacute;rg&atilde;os menos acess&iacute;veis a subst&acirc;ncias que circulam na corrente sangu&iacute;nea. Isso porque essa barreira semiperme&aacute;vel tem como fun&ccedil;&atilde;o proteger o c&eacute;rebro de subst&acirc;ncias estranhas, como certos medicamentos, v&iacute;rus e bact&eacute;rias.</p>
<div class="pullquote">Em testes com c&eacute;lulas e com camundongos, observou-se que um pept&iacute;deo em particular, denominado PepH3, consegue penetrar rapidamente no c&eacute;rebro, assim como ser excretado</div>
<p>Um estudo <a href="http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/acschembio.7b00087" target="_blank">publicado este ano</a> e financiado em parte pelo <a href="http://rise-inpact.com/" target="_blank">projeto internacional Inpact</a> demonstrou que segmentos espec&iacute;ficos (chamados pept&iacute;deos) de uma prote&iacute;na presente na camada que envolve o v&iacute;rus da dengue tipo 2 podem ser usados como transportadores de subst&acirc;ncias atrav&eacute;s da barreira hematoencef&aacute;lica, sem precisarem de receptores espec&iacute;ficos no c&eacute;rebro que &lsquo;autorizariam&rsquo; sua passagem por essa barreira.</p>
<p>Em testes com c&eacute;lulas e com camundongos, observou-se que um pept&iacute;deo em particular, denominado PepH3, consegue penetrar rapidamente no c&eacute;rebro, assim como ser excretado, o que &eacute; extremamente positivo para evitar poss&iacute;veis efeitos t&oacute;xicos associados &agrave; acumula&ccedil;&atilde;o do pept&iacute;deo nesse &oacute;rg&atilde;o. Essa propriedade faz com que o PepH3 possa ser usado para transportar subst&acirc;ncias tanto para dentro como para fora do c&eacute;rebro.</p>
<p>&ldquo;O que se pretende com o PepH3 &eacute; que funcione como um sistema de libera&ccedil;&atilde;o controlada para o c&eacute;rebro. O que verificamos com esse pept&iacute;deo &eacute; que ele tem a capacidade de entrar e sair do c&eacute;rebro. Isso &eacute; vantajoso especialmente para a doen&ccedil;a de Alzheimer, em que se pretende remover os agregados t&oacute;xicos que est&atilde;o associados &agrave; patologia&rdquo;, explica a l&iacute;der da pesquisa, a engenheira biotecnol&oacute;gica portuguesa Vera Neves, atualmente pesquisadora no Instituto de Medicina Molecular (Lisboa).</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>Anticorpos como estrat&eacute;gia terap&ecirc;utica?</strong></h3>
<p>A mesma cientista tamb&eacute;m pesquisa a utiliza&ccedil;&atilde;o de anticorpos (prote&iacute;nas produzidas pelo nosso sistema imunol&oacute;gico para reagir &agrave; entrada de um corpo estranho no organismo) no tratamento de doen&ccedil;as cerebrais. Al&eacute;m de terem potencial para a promover a melhora dos sintomas, os anticorpos podem prevenir a progress&atilde;o de determinadas doen&ccedil;as, ao contr&aacute;rio das terapias convencionais.</p>
<div class="image-center"><img alt="" src="http://www.cienciahoje.org.br/uploads/ckeditor-ckfinder-integration/uploads/images/2017/Julho/cerebro02.jpg" style="height:267px; width:750px" /><br />
A&nbsp;diminui&ccedil;&atilde;o&nbsp;do tamanho&nbsp;cerebral&nbsp;est&aacute; associada a doen&ccedil;as neurodegenerativas como a de Alzheimer.&nbsp;O uso de anticorpos capazes de penetrar no c&eacute;rebro &eacute; considerado uma das estrat&eacute;gias mais promissoras para melhorar os sintomas dos pacientes e impedir a progress&atilde;o da doen&ccedil;a. (foto: Hersenbank/ Wikimedia Commons &ndash; CC BY-SA 3.0)</div>
<p>Vera Neves salienta que, na doen&ccedil;a de Alzheimer, por exemplo, a terap&ecirc;utica atual utiliza inibidores que regulam a transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o entre neur&ocirc;nios.&nbsp; &ldquo;Se fosse poss&iacute;vel usar anticorpos que reconhecem a prote&iacute;na beta-amiloide [prote&iacute;na t&oacute;xica que se acumula nas placas senis que se formam no c&eacute;rebro e s&atilde;o uma das caracter&iacute;sticas da doen&ccedil;a] e que ao mesmo tempo conseguem inibir a acumula&ccedil;&atilde;o da mesma, essa estrat&eacute;gia iria n&atilde;o s&oacute; melhorar os sintomas como prevenir a progresso da doen&ccedil;a&rdquo;, diz a pesquisadora. E acrescenta: &ldquo;Idealmente, o tratamento deveria ser feito no in&iacute;cio da doen&ccedil;a para evitar os efeitos irrevers&iacute;veis, como a morte celular. Por isso, &eacute; tamb&eacute;m importante encontrar meios de detectar a doen&ccedil;a em est&aacute;gios iniciais.&rdquo;</p>
<p>O obst&aacute;culo ao uso de anticorpos para combater doen&ccedil;as do c&eacute;rebro &eacute; tamb&eacute;m a dificuldade dessas prote&iacute;nas em transpor a barreira hematoencef&aacute;lica. &ldquo;Os anticorpos, devido &agrave;s suas caracter&iacute;sticas e ao seu tamanho, s&atilde;o incapazes de atravessar a barreira&rdquo;, explica Vera Neves.</p>
<p>Na tentativa de ultrapassar essa limita&ccedil;&atilde;o, pesquisadores tentam desenvolver anticorpos biespec&iacute;ficos, ou seja, capazes de reconhecer, por um lado, a barreira hematoencef&aacute;lica (para conseguir atravess&aacute;-la), e, por outro, o alvo terap&ecirc;utico (para agir contra a doen&ccedil;a). Esses esfor&ccedil;os, descritos por Neves e colaboradores em <a href="http://www.cell.com/trends/biotechnology/abstract/S0167-7799(15)00223-1" target="_blank">artigo de revis&atilde;o publicado em 2016</a> e tamb&eacute;m financiado em parte pelo projeto Inpact, poder&atilde;o dar origem a estrat&eacute;gias terap&ecirc;uticas tanto para doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas como para determinados tipos de c&acirc;ncer, especificamente os tumores cerebrais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Margarida Martins</strong><br />
Instituto de Medicina Molecular (Lisboa/ Portugal)<br />
Especial para CH On-line</p>

		</div> 
	</div> </div></div></div></div></div></div>
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		<title>Impulso à cooperação científica</title>
		<link>https://cienciahoje.org.br/impulso-a-cooperacao-cientifica/</link>
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				<pubDate>Fri, 07 Jul 2017 17:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Instituto Ciência Hoje]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Cooperação internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Política científica]]></category>

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				<description><![CDATA[Oportunidades de colaboração em pesquisa e inovação em saúde entre países da América Latina e Caribe e da União Europeia foram apresentadas em encontro no Rio de Janeiro. ]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div      class="vc_row wpb_row section vc_row-fluid  grid_section" style=' text-align:left;'><div class=" section_inner clearfix"><div class='section_inner_margin clearfix'><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner "><div class="wpb_wrapper">
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			<p>A troca de conhecimentos e experi&ecirc;ncias &eacute; fundamental para o avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia. Sem a colabora&ccedil;&atilde;o entre pesquisadores, tanto em n&iacute;vel nacional quanto internacional, dificilmente &eacute; poss&iacute;vel fazer ci&ecirc;ncia de excel&ecirc;ncia e promover a inova&ccedil;&atilde;o. Com o objetivo de facilitar a coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica na &aacute;rea de sa&uacute;de entre cientistas brasileiros e europeus, foi realizado em junho na Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica, da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, um evento para apresentar oportunidades oferecidas pelo maior programa de financiamento de pesquisa do mundo.</p>
<p>Trata-se do <a href="https://ec.europa.eu/programmes/horizon2020/" target="_blank">Horizonte 2020</a> (H2020), programa da Uni&atilde;o Europeia (EU) que dedica mais de 80 bilh&otilde;es de euros para financiamento de projetos de pesquisa e inova&ccedil;&atilde;o. A iniciativa tem dura&ccedil;&atilde;o at&eacute; 2020 e destina-se n&atilde;o s&oacute; aos europeus, mas a toda a comunidade cient&iacute;fica ao redor do mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>Veja&nbsp;v&iacute;deo (em ingl&ecirc;s) para saber como funciona o Horizonte 2020</strong><strong> </strong></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Durante o evento, organizado pelo projeto <a href="http://eulachealth.eu/pt/" target="_blank">EU-LAC Health</a> (iniciativa da Comiss&atilde;o Europeia para apoiar a pesquisa cooperativa na &aacute;rea da sa&uacute;de entre UE, Am&eacute;rica Latina e Caribe) pela&nbsp;<a href="https://euraxess.ec.europa.eu/" target="_blank">Euraxess</a> (que estimula a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica entre a Europa e outros continentes) e pela Fiocruz, foram apresentadas n&atilde;o apenas as oportunidades oferecidas pelo Horizonte 2020 na &aacute;rea de sa&uacute;de, mas tamb&eacute;m informa&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas sobre como participar do programa. O workshop contou com a participa&ccedil;&atilde;o de representantes da UE, de membros de funda&ccedil;&otilde;es de apoio &agrave; pesquisa e de pesquisadores da Fiocruz e de outras institui&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>Guia de mobilidade</strong></h3>
<p>Um dos palestrantes do workshop foi Charlotte Grawitz, representante no Brasil da Euraxess, iniciativa que visa &agrave; mobilidade e ao desenvolvimento da carreira de pesquisadores, ao mesmo tempo em que promove a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica entre a Europa e o mundo.</p>
<p>A Euraxess Brasil fornece informa&ccedil;&otilde;es de qualidade e adaptada aos brasileiros, o que facilita muito a vida dos pesquisadores na hora de dar um passo internacional na sua carreira. &ldquo;No Brasil, ajudamos os pesquisadores a encontrar meios de tornar seus projetos realidade, gra&ccedil;as ao portal <a href="https://euraxess.ec.europa.eu/jobs" target="_blank">Euraxess Jobs &amp; Funding</a>, onde h&aacute; milhares de ofertas de trabalho e bolsas em todas as &aacute;reas do conhecimento&rdquo;, esclarece Grawitz.</p>
<p>Al&eacute;m disso, ela ressalta que os pesquisadores e suas fam&iacute;lias podem contar com o apoio dos Centros Euraxess para prepar&aacute;-los para a sua estadia na Europa e gui&aacute;-los no pa&iacute;s que vai lhes acolher.</p>
<div class="pullquote">Com os recentes cortes de recursos para ci&ecirc;ncia no Brasil, o interesse dos pesquisadores brasileiros em desenvolver uma carreira na Europa aumentou</div>
<p>Com os recentes cortes de recursos para ci&ecirc;ncia no Brasil, o interesse dos pesquisadores brasileiros em desenvolver uma carreira na Europa aumentou. &ldquo;Os jovens pesquisadores, que muitas vezes tiveram uma primeira experi&ecirc;ncia no exterior gra&ccedil;as ao programa Ci&ecirc;ncia sem Fronteiras e notaram os efeitos positivos no desenvolvimento de suas carreiras, buscam novas oportunidades&rdquo;, explica Grawitz.</p>
<p>A representante da Euraxess no Brasil salienta tamb&eacute;m que a Comiss&atilde;o Europeia, por meio das <a href="https://ec.europa.eu/programmes/horizon2020/en/h2020-section/marie-sklodowska-curie-actions" target="_blank">a&ccedil;&otilde;es Marie Sklodowska Curie (MSCA)</a>, um outro programa de apoio &agrave; pesquisa, oferece oportunidades de forma&ccedil;&atilde;o de qualidade, em que o desenvolvimento do conhecimento acontece junto com o de habilidades complementares, como comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e gest&atilde;o de equipe, o que contribui para que a oferta europeia seja muito bem-sucedida.</p>
<p>Mas a colabora&ccedil;&atilde;o entre pesquisadores do Brasil e da UE n&atilde;o desperta o interesse apenas dos brasileiros. &ldquo;A inser&ccedil;&atilde;o do Brasil no cen&aacute;rio cient&iacute;fico internacional fez com que os europeus tivessem oportunidade de ver que os pesquisadores brasileiros&nbsp;t&ecirc;m muito para oferecer&rdquo;, acrescenta Grawitz.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>Aproxima&ccedil;&atilde;o valorizada</strong></h3>
<p>No workshop, os pesquisadores tamb&eacute;m puderam conhecer melhor o <a href="https://www.incobra.eu/pt_BR/home" target="_blank">Incobra</a>, um projeto do&nbsp;H2020 que tamb&eacute;m visa ao fortalecimento da coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica entre o Brasil e a UE.</p>
<p>&ldquo;As atividades que o Incobra desenvolve contribuem para aproximar os atores de pesquisa e inova&ccedil;&atilde;o brasileiros e europeus, para que possam trabalhar mais em conjunto &ndash; por meio da mobilidade ou de projetos conjuntos&rdquo;, explica Andr&eacute; Barbosa, consultor s&ecirc;nior da Sociedade Portuguesa de Inova&ccedil;&atilde;o, empresa que coordena o Incobra.</p>
<p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao panorama geral das colabora&ccedil;&otilde;es entre o Brasil e a Uni&atilde;o Europeia, Barbosa ressalva que a iniciativa tem estado mais do lado europeu, ou seja, &eacute; maior o n&uacute;mero de cientistas europeus que contatam institui&ccedil;&otilde;es brasileiras para futuras colabora&ccedil;&otilde;es do que o inverso. &ldquo;No entanto, h&aacute; grande considera&ccedil;&atilde;o pela import&acirc;ncia da coopera&ccedil;&atilde;o UE-Brasil em pesquisa e inova&ccedil;&atilde;o em ambos os lados. E existem esfor&ccedil;os, inclusive pol&iacute;ticos, para se tentar superar as barreiras que ainda persistem a essa colabora&ccedil;&atilde;o&rdquo;, adianta o consultor.</p>
<p>Segundo Barbosa, ci&ecirc;ncias marinhas, energia (sobretudo energias renov&aacute;veis e, mais concretamente, biocombust&iacute;veis), tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, agricultura e bioeconomia s&atilde;o as &aacute;reas cient&iacute;ficas onde h&aacute; mais coopera&ccedil;&atilde;o entre o Brasil e a Uni&atilde;o Europeia.</p>
<p>Entre as pr&oacute;ximas oportunidades, ele destaca que, em setembro, o Incobra vai lan&ccedil;ar uma chamada para a constitui&ccedil;&atilde;o de redes bilaterais de coopera&ccedil;&atilde;o, em que ser&atilde;o selecionados cons&oacute;rcios (entre entidades brasileiras e europeias) para receber apoio t&eacute;cnico na prepara&ccedil;&atilde;o de um projeto a ser submetido a financiamento do Horizonte 2020.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Margarida Martins</strong><br />
Instituto de Medicina Molecular (Lisboa/ Portugal)<br />
Especial para CH On-line</p>

		</div> 
	</div> </div></div></div></div></div></div>
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		<title>Rede contra zika, dengue e chikungunya</title>
		<link>https://cienciahoje.org.br/rede-contra-zika-dengue-e-chikungunya/</link>
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				<pubDate>Fri, 09 Jun 2017 19:33:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Instituto Ciência Hoje]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Bioquímica]]></category>
		<category><![CDATA[Farmacologia]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>

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				<description><![CDATA[Avanços na pesquisa sobre essas doenças foram apresentados em encontro no Rio de Janeiro. Os estudos poderão dar origem no futuro a uma vacina e a drogas para combater a zika.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div      class="vc_row wpb_row section vc_row-fluid  grid_section" style=' text-align:left;'><div class=" section_inner clearfix"><div class='section_inner_margin clearfix'><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner "><div class="wpb_wrapper">
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			<p>Em resposta &agrave;s epidemias de dengue, zika e chikungunya que t&ecirc;m afetado o Brasil, pesquisadores de v&aacute;rias partes do pa&iacute;s se dedicam a estudos para entender, prevenir ou tratar essas doen&ccedil;as.&nbsp;No Rio de Janeiro, um encontro realizado no final de maio no Instituto D&#39;Or de Pesquisa e Ensino reuniu cientistas de universidades e centros de pesquisa p&uacute;blicos e privados do estado para divulgar e avaliar os avan&ccedil;os na &aacute;rea. Entre os resultados mais discutidos, est&atilde;o os relacionados &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma potencial vacina contra o v&iacute;rus zika, em desenvolvimento no Instituto de Bioqu&iacute;mica M&eacute;dica Leopoldo de Meis (IBqM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).</p>
<p>Apesar de a investiga&ccedil;&atilde;o associada a essa vacina ainda ser precoce, os pesquisadores conseguiram inativar o v&iacute;rus zika ap&oacute;s submet&ecirc;-lo a uma alta press&atilde;o. Dados preliminares de estudos em camundongos saud&aacute;veis e com sistema imunol&oacute;gico debilitado mostraram que os animais n&atilde;o adoecem ap&oacute;s receber o v&iacute;rus pressurizado, o que comprova sua inativa&ccedil;&atilde;o.</p>
<div class="pullquote">Apesar de a investiga&ccedil;&atilde;o associada a essa vacina ainda ser precoce, os pesquisadores conseguiram inativar o v&iacute;rus zika ap&oacute;s submet&ecirc;-lo a uma alta press&atilde;o</div>
<p>A pesquisa, coordenada pelo biof&iacute;sico Jerson Lima da Silva, do IBqM/ UFRJ, poder&aacute; dar origem a uma vacina in&eacute;dita contra a doen&ccedil;a no futuro. Os pesquisadores agora est&atilde;o verificando as caracter&iacute;sticas do v&iacute;rus inativado e se ele induz nos animais a produ&ccedil;&atilde;o de anticorpos, que posteriormente poderiam proteg&ecirc;-los de uma infec&ccedil;&atilde;o pelo v&iacute;rus ativo.</p>
<p>O estudo faz parte de um programa da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) que apoia tamb&eacute;m a investiga&ccedil;&atilde;o de outras duas arboviroses &ndash; dengue e chikungunya &ndash;, com o objetivo de auxiliar na preven&ccedil;&atilde;o, diagn&oacute;stico e tratamento dessas doen&ccedil;as.</p>
<p>A iniciativa, que foi criada em 2015 e tem previs&atilde;o de 2 anos de dura&ccedil;&atilde;o, conta com pesquisadores da UFRJ, Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de institui&ccedil;&otilde;es privadas, como a Universidade Severino Sombra (USS) e o Instituto D&rsquo;Or. Algumas equipes contam com orienta&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de profissionais do Nordeste, onde a epidemia de zika em 2015 foi relacionada a um surto de microcefalia em rec&eacute;m-nascidos.</p>
<p>O encontro realizado em maio reuniu pesquisadores de uma das seis redes do programa, que tem foco em estudos das altera&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas e funcionais provocadas pela dengue, zika e chikungunya no organismo, com a finalidade de investigar alvos terap&ecirc;uticos e m&eacute;todos de diagn&oacute;stico. Essa rede &eacute; coordenada pela bioqu&iacute;mica Andrea Thompson Da Poian, do IBqM/UFRJ, que, logo no in&iacute;cio do evento, chamou &agrave; aten&ccedil;&atilde;o dos participantes que o prop&oacute;sito de estarem reunidos &eacute; promover uma maior intera&ccedil;&atilde;o entre os pesquisadores de cada um dos cinco n&uacute;cleos da rede.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>Da preven&ccedil;&atilde;o ao combate</strong></h3>
<p>Durante o encontro, foram apresentados os resultados das pesquisas desenvolvidas por cada n&uacute;cleo da rede. Uma delas busca conhecer a estrutura de uma das prote&iacute;nas que constituem o v&iacute;rus zika. &ldquo;Essa prote&iacute;na &eacute; respons&aacute;vel por guardar o genoma viral e provavelmente est&aacute; relacionada com a entrada do v&iacute;rus nas c&eacute;lulas hospedeiras&rdquo;, explica a bi&oacute;loga Christine Cruz-Oliveira, do IBqM/UFRJ, onde a pesquisa est&aacute; sendo realizada.</p>
<div class="image-center"><img alt="" src="http://www.cienciahoje.org.br/uploads/ckeditor-ckfinder-integration/uploads/images/2017/Junho/zika02.jpg" style="height:600px; width:750px" /><br />
Estudar a estrutura das prote&iacute;nas que comp&otilde;em o v&iacute;rus zika (na imagem) &eacute; fundamental para o desenvolvimento de drogas para combater a doen&ccedil;a. (foto: David Goodwill/ Wikimedia Commons &ndash; CC BY 4.0)</div>
<p>Segundo ela, a estrutura da prote&iacute;na ser&aacute; determinada por diferentes t&eacute;cnicas, sendo que uma delas &eacute; a resson&acirc;ncia magn&eacute;tica nuclear, que nos fornece informa&ccedil;&otilde;es sobre a orienta&ccedil;&atilde;o dos &aacute;tomos que constituem a prote&iacute;na. &ldquo;Isso permite desenhar um modelo em tr&ecirc;s dimens&otilde;es dessa mol&eacute;cula e determinar, assim, a sua fun&ccedil;&atilde;o&rdquo;, acrescenta outra pesquisadora da equipe, a qu&iacute;mica Maria A. Morando, tamb&eacute;m do IBqM/UFRJ. E ressalta: &ldquo;Esse estudo &eacute; importante para o conhecimento da biologia do v&iacute;rus e serve como base para o desenvolvimento de drogas terap&ecirc;uticas.&rdquo;</p>
<p>Os grupos da rede se esfor&ccedil;am agora para obter respostas em curto e m&eacute;dio prazos, especialmente no que diz respeito ao v&iacute;rus zika e seus impactos sobre a sa&uacute;de de gestantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Margarida Martins</strong><br />
Instituto de Medicina Molecular (Lisboa/ Portugal)<br />
Especial para CH On-line</p>

		</div> 
	</div> </div></div></div></div></div></div>
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		<title>Um mapa dos solos do país</title>
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				<pubDate>Wed, 15 Feb 2017 22:34:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Instituto Ciência Hoje]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Agronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Pecuária]]></category>

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				<description><![CDATA[Programa pretende estudar todo o território brasileiro em até três décadas. O mapeamento pode ajudar a direcionar a atividade agropecuária combinada com a manutenção de florestas e apoiar políticas públicas.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div      class="vc_row wpb_row section vc_row-fluid  grid_section" style=' text-align:left;'><div class=" section_inner clearfix"><div class='section_inner_margin clearfix'><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner "><div class="wpb_wrapper">
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			<p>O pa&iacute;s se prepara para ter um novo &lsquo;mapa&rsquo; dos solos brasileiros. O mapeamento, com diferentes graus de detalhamento, permitir&aacute; gerar dados para o subs&iacute;dio de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, assim como para orientar a agricultura e apoiar decis&otilde;es de cr&eacute;dito agr&iacute;cola, entre outras a&ccedil;&otilde;es. Coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria (Embrapa), o Programa Nacional de Solos do Brasil (PronaSolos) envolver&aacute; diversos minist&eacute;rios e &oacute;rg&atilde;os federais e deve mapear todos os solos do pa&iacute;s em at&eacute; 30 anos.</p>
<p>Segundo um dos organizadores do programa, o agr&ocirc;nomo Amaury de Carvalho Filho, da Embrapa Solos, hoje apenas uma pequena parte do pa&iacute;s (cerca de 5%) conta com mapas de solos em escala 1:100 mil ou com maior grau de detalhamento. Al&eacute;m disso, os dados de solos dispon&iacute;veis encontram-se dispersos e de dif&iacute;cil acesso &agrave; sociedade, o que limita ainda mais sua utiliza&ccedil;&atilde;o.</p>
<div class="image-center"><img alt="" src="http://www.cienciahoje.org.br/uploads/ckeditor-ckfinder-integration/uploads/images/2017/Fevereiro/mapa-solos02.jpg" style="height:777px; width:750px" /><br />
Principais classes de solo do Brasil, na escala de 1: 25.000.000</div>
<p>&ldquo;Os levantamentos pedol&oacute;gicos (estudos de identifica&ccedil;&atilde;o, caracteriza&ccedil;&atilde;o e mapeamento de solos) come&ccedil;aram a ser feitos na d&eacute;cada de 1950 no Brasil, para atender &agrave;s necessidades prementes de planejamentos de car&aacute;ter regional, abrangendo grandes extens&otilde;es territoriais&rdquo;, esclarece Carvalho Filho. &ldquo;Mas, com as limita&ccedil;&otilde;es de ordem ﬁnanceira e de pessoal especializado, poucos foram os trabalhos realizados em escala de maior detalhe, o que diﬁculta o reconhecimento de sua utilidade e import&acirc;ncia estrat&eacute;gica. Por essa raz&atilde;o, e uma s&eacute;rie de outros fatores, a partir do in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990, os levantamentos sistem&aacute;ticos de solos, planejados em &acirc;mbito federal ou estadual, foram descontinuados&rdquo;, relata.</p>
<p>O agr&ocirc;nomo da Embrapa ressalta que esse tipo de mapeamento &eacute; imprescind&iacute;vel para direcionar as atividades agrossilvipastoris e de preserva&ccedil;&atilde;o ambiental, al&eacute;m de ser importante para outros prop&oacute;sitos, como a constru&ccedil;&atilde;o de estradas, a localiza&ccedil;&atilde;o de cidades e &aacute;reas de deposi&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos e o aux&iacute;lio a trabalhos de geologia.</p>
<div class="image-center"><img alt="" src="http://www.cienciahoje.org.br/uploads/ckeditor-ckfinder-integration/uploads/images/2017/Fevereiro/mapa-solos03.jpg" style="height:563px; width:750px" /><br />
Solo bem manejado com cultivo de hortali&ccedil;as sob sistema de plantio direto em Nova Friburgo (RJ). (foto: Embrapa Solos)</div>
<p>O PronaSolos est&aacute; or&ccedil;ado em R$ 5,5 bilh&otilde;es de reais e deve gerar ganhos para o pa&iacute;s j&aacute; em uma d&eacute;cada. &ldquo;O mapeamento de solos contribui para gerar riquezas tanto de forma direta &ndash; como por meio do aumento da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e da maior eﬁci&ecirc;ncia no uso de insumos &ndash; quanto de forma indireta, assegurando a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental e de recursos naturais&rdquo;, aponta Carvalho Filho. &ldquo;Assim, os resultados obtidos com o programa contribuir&atilde;o de forma signiﬁcativa para o desenvolvimento do pa&iacute;s em bases sustent&aacute;veis, al&eacute;m de permitirem orientar as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em todo o territ&oacute;rio nacional e integrar a&ccedil;&otilde;es de diversas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, economizando esfor&ccedil;os e recursos.&rdquo;</p>
<p>O PronaSolos tem longa dura&ccedil;&atilde;o e est&aacute; previsto para ser feito em tr&ecirc;s etapas, de curto (0 a 4 anos), m&eacute;dio (4 a 10 anos) e longo prazos (10 a 30 anos), com metas de trabalho distintas. Segundo o pesquisador da Embrapa, na primeira fase, ser&atilde;o estudados solos em &aacute;reas priorit&aacute;rias, com os resultados iniciais previstos para cerca de dois anos. Pretende-se, nessa etapa, fazer o levantamento de solos e as interpreta&ccedil;&otilde;es associadas para cerca de 430 mil km<sup>2</sup>, equivalentes &agrave;s &aacute;reas dos estados de S&atilde;o Paulo e Paran&aacute; somadas.</p>
<p>Na segunda fase, a meta &eacute; estender o mapeamento de solos a mais 1,3 milh&atilde;o de km<sup>2</sup>&nbsp;de terras agricult&aacute;veis (&aacute;rea equivalente &agrave; da regi&atilde;o Nordeste) e, na terceira fase, a previs&atilde;o &eacute; mapear 1 milh&atilde;o de km<sup>2</sup> em escala 1:50.000, 250 mil km<sup>2</sup> em escala 1:25.000 e 6,9 milh&otilde;es de km<sup>2</sup> em escala 1:100.000 (cada cent&iacute;metro do mapa corresponde a um quil&ocirc;metro no terreno).</p>
<p>Como o pa&iacute;s ﬁcou longo tempo sem fazer esse tipo de mapeamento, um dos principais desafios do programa, para Carvalho Filho, &eacute; qualiﬁcar pessoal e constituir um corpo t&eacute;cnico adequado. &ldquo;Outro desaﬁo primordial &eacute; garantir os recursos ﬁnanceiros para seu desenvolvimento ao longo desses 30 anos&rdquo;, destaca.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Alicia Ivanissevich</strong><br />
Ci&ecirc;ncia Hoje/ RJ</p>

		</div> 
	</div> </div></div></div></div></div></div>
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		<title>60 anos de um fantasma (e uma entrevista histórica)</title>
		<link>https://cienciahoje.org.br/60-anos-de-um-fantasma-e-uma-entrevista-historica/</link>
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				<pubDate>Mon, 26 Dec 2016 18:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Instituto Ciência Hoje]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>
		<category><![CDATA[Física de partículas]]></category>
		<category><![CDATA[História da Ciência]]></category>

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				<description><![CDATA[Em 1956, um experimento engenhoso comprovou a existência do neutrino, partícula sem carga e com massa provavelmente nula proposta pelo físico Wolfgang Pauli 26 anos antes. Mais tarde, um segundo tipo de neutrino foi detectado por três físicos norte-americanos, entre eles, Jack Steinberger, que concedeu entrevista exclusiva à CH.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div      class="vc_row wpb_row section vc_row-fluid  grid_section" style=' text-align:left;'><div class=" section_inner clearfix"><div class='section_inner_margin clearfix'><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner "><div class="wpb_wrapper">
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			<p>H&aacute; 60 anos, o naco mais &lsquo;fantasmag&oacute;rico&rsquo; de mat&eacute;ria era finalmente capturado pela engenhosidade humana. Passaram-se exatos 26 anos entre a proposi&ccedil;&atilde;o do neutrino e a detec&ccedil;&atilde;o dessa part&iacute;cula.</p>
<p>A ideia da exist&ecirc;ncia do neutrino surgiu ao f&iacute;sico austr&iacute;aco Wolfgang Pauli (1900-1958), que anunciou essa proposta ousada em uma carta informal para colegas. Naquela missiva, ele se desculpava por n&atilde;o ir a um encontro cient&iacute;fico &ndash; por ter que ir a um baile em Zurique (Su&iacute;&ccedil;a) &ndash;, mas pedia que o texto fosse lido publicamente para os participantes do evento.</p>
<p>Pauli havia proposto o neutrino &ndash; sem carga e com massa provavelmente nula &ndash; para resolver um tipo de crise de energia que ocorria quando um n&ecirc;utron se transformava (deca&iacute;a) em outras part&iacute;culas (pr&oacute;tons e el&eacute;trons). Nessa rea&ccedil;&atilde;o, ficava sempre faltando uma &lsquo;pitada&rsquo; de energia &ndash; ou seja, o balan&ccedil;o energ&eacute;tico n&atilde;o fechava.</p>
<p>Em 1956, em experimento engenhoso (&agrave; base de um detector l&iacute;quido), feito nas proximidades de um reator nuclear no estado da Carolina do Sul (EUA), cinco f&iacute;sicos &ndash; entre eles, os norte-americanos Clyde Cowan (1919-1974) e Fred Reines (1918-1998) &ndash; comprovaram &ldquo;a hip&oacute;tese sugerida por Pauli&rdquo;, em um artigo publicado naquele ano <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17796274" target="_blank">em <em>Science</em></a>.</p>
<p>Os resultados chamaram a aten&ccedil;&atilde;o, pois se acreditava que, por ser extremamente fugidio, o neutrino nunca seria detectado. Para se ter uma ideia, ele pode atravessar inc&oacute;lume uma parede de chumbo com trilh&otilde;es de km. A cada segundo, trilh&otilde;es e trilh&otilde;es deles atravessam nossos corpos, dia e noite.</p>
<p>Vale repetir aqui o que o f&iacute;sico e historiador da ci&ecirc;ncia holand&ecirc;s Abraham Pais (1918-2000) disse sobre o neutrino: talvez, essa part&iacute;cula tenha sido um caso &uacute;nico na hist&oacute;ria da f&iacute;sica, pois passou a ser usada, quase sem cerim&ocirc;nia, tanto por te&oacute;ricos quanto experimentais, nas 2,5 d&eacute;cadas entre sua proposi&ccedil;&atilde;o e detec&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, o italiano Enrico Fermi (1901-1954) a usou para explicar &ndash; em uma bela teoria de 1934 &ndash; como ocorria a tal transforma&ccedil;&atilde;o do n&ecirc;utron. Naquele mesmo ano, f&iacute;sicos, depois de alguns c&aacute;lculos, conclu&iacute;ram que seria praticamente imposs&iacute;vel detectar o neutrino, por conta de sua quase inexistente intera&ccedil;&atilde;o com outras formas de mat&eacute;ria.</p>
<div class="pullquote">Hoje, a f&iacute;sica de neutrinos &eacute; uma das &aacute;reas mais vigorosas da pesquisa cient&iacute;fica deste in&iacute;cio de s&eacute;culo. Revelar propriedades dessas part&iacute;culas fantasmag&oacute;ricas ajudar&aacute; a entender grandes mist&eacute;rios sobre o surgimento e a constitui&ccedil;&atilde;o do universo</div>
<p>Para um sabor verde-amarelo a essa hist&oacute;ria, vale ressaltar que o grupo do f&iacute;sico brit&acirc;nico Cecil Powell (1903-1969) &ndash; no qual o ent&atilde;o jovem brasileiro C&eacute;sar Lattes (1924-2005) trabalhou no bi&ecirc;nio 1946-47 &ndash; empregou o neutrino para explicar o decaimento (transforma&ccedil;&atilde;o) do m&eacute;son pi, ent&atilde;o uma part&iacute;cula rec&eacute;m-descoberta por aquela equipe.</p>
<p>Em 1962, tr&ecirc;s f&iacute;sicos norte-americanos conseguiriam detectar um segundo tipo de neutrino, o chamado neutrino do m&uacute;on. Pelo feito, Jack Steinberger, Melvin Schwartz (1932-2006) e Leon Lederman ganharam o Nobel de 1988. O terceiro (e at&eacute; agora &uacute;ltimo) tipo, o neutrino do tau, foi teorizado na d&eacute;cada de 1970 e detectado em 2000.</p>
<p>Hoje, a f&iacute;sica de neutrinos &ndash; que j&aacute; trabalha com feixes dessas part&iacute;culas &ndash; &eacute; uma das &aacute;reas mais vigorosas da pesquisa cient&iacute;fica deste in&iacute;cio de s&eacute;culo. Revelar propriedades dessas part&iacute;culas fantasmag&oacute;ricas ajudar&aacute; a entender grandes mist&eacute;rios sobre o surgimento e a constitui&ccedil;&atilde;o do universo.</p>
<p>A seguir, entrevista exclusiva de Steinberger para a <em>CH</em>, concedida a Antonio Augusto Passos Videira, do Departamento de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Marco Moriconi, do Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal Fluminense, e C&aacute;ssio Leite Vieira, Ci&ecirc;ncia Hoje (RJ).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Como o Pr&ecirc;mio Nobel afetou sua carreira e vida pessoal?</strong></p>
<p>De muitos modos, na verdade. Dois exemplos: fui convidado para visitar minha cidade natal [Bad Kissingen] na Alemanha e tive a chance de fazer novos amigos por l&aacute;, o que me deu muito prazer; ainda me permitem ter uma sala no CERN [Centro Europeu de Pesquisas Nucleares], apesar de minha pouca utilidade atual.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>No come&ccedil;o de sua carreira, no final da d&eacute;cada de 1940, em Berkeley (EUA), o senhor se recusou a assinar o chamado &lsquo;Juramento N&atilde;o-Comunista&rsquo;. Por qu&ecirc;? Isso afetou sua carreira?</strong></p>
<p>N&atilde;o assinei o tal &lsquo;Juramento N&atilde;o-Comunista&rsquo; porque seu conte&uacute;do entrava em conﬂito com minha liberdade pol&iacute;tica. Aqueles de n&oacute;s que n&atilde;o o assinaram perderam seus empregos. Os problemas sociais ainda continuam; ent&atilde;o, temos [sempre] que fazer uma escolha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Quais s&atilde;o as melhores lembran&ccedil;as de sua inf&acirc;ncia na Alemanha? Como a mudan&ccedil;a para os EUA impactou sua Vida?</strong></p>
<p>Somos formados quando ainda somos crian&ccedil;as. Quando eu tinha 12 anos, Hitler nos expulsou [da Alemanha]. Aquilo que aprendi como uma crian&ccedil;a alem&atilde; ainda determina boa parte de meu modo de pensar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="pullquote">Fui estudante de doutorado do Fermi em 1946, e isso foi minha grande sorte em uma longa carreira &lsquo;sortuda&rsquo; como f&iacute;sico. Ele era um modelo maravilhoso de como algu&eacute;m deveria fazer f&iacute;sica e era extremamente devotado em ajudar seus estudantes</div>
<p><strong>Quais foram os tra&ccedil;os mais marcantes de seus dois orientadores, [o f&iacute;sico norte-americano] Robert Oppenheimer [1904-1967] e [o f&iacute;sico italiano] Enrico Fermi [1901-1954]? Como eles influenciaram seu modo de fazer f&iacute;sica?</strong></p>
<p>Fui estudante de doutorado do Fermi em 1946, e isso foi minha grande sorte em uma longa carreira &lsquo;sortuda&rsquo; como f&iacute;sico. Ele era um modelo maravilhoso de como algu&eacute;m deveria fazer f&iacute;sica e era extremamente devotado em ajudar seus estudantes. Oppenheimer, quando eu o conheci como diretor do Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados, em Princeton, entre 1948 e 1949, n&atilde;o era um bom modelo. Ele s&oacute; se importava em ser reconhecido como uma lideran&ccedil;a intelectual.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Por que o senhor decidiu trocar a f&iacute;sica te&oacute;rica pela experimental?</strong></p>
<p>Quando eu era um estudante de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o orientado por Fermi, eu queria fazer uma tese [de doutorado] te&oacute;rica, mas n&atilde;o conseguimos chegar a um tema apropriado. Ent&atilde;o, eu fiz um experimento. Em seguida, trabalhei um pouco em f&iacute;sica te&oacute;rica, mas meu trabalho [para o doutorado] foi predominantemente experimental.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O que o senhor acha do estado atual da f&iacute;sica de part&iacute;culas? E qual o papel da pesquisa em neutrinos hoje?</strong></p>
<p>A f&iacute;sica de part&iacute;culas, assim como outras ci&ecirc;ncias, tornou-se muito mais dif&iacute;cil. Vimos, no s&eacute;culo passado, avan&ccedil;os maravilhosos, como a mec&acirc;nica qu&acirc;ntica [que lida com os fen&ocirc;menos at&ocirc;micos e subat&ocirc;micos] e a teoria da relatividade geral [que &eacute; uma teoria sobre a gravidade]. Hoje, &eacute; muito mais dif&iacute;cil fazer avan&ccedil;os compar&aacute;veis a esses. Para mim, a quest&atilde;o mais interessante &eacute;: o que &eacute; a mat&eacute;ria escura? [tipo de mat&eacute;ria que forma grande parte do universo e cuja natureza ainda &eacute; desconhecida]. A pesquisa em neutrinos fez grandes avan&ccedil;os nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, especialmente por causa do estudo das oscila&ccedil;&otilde;es dos neutrinos [fen&ocirc;meno no qual um neutrino muda de tipo enquanto se desloca].</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Qual sua rotina di&aacute;ria? O senhor ainda vai de bicicleta para o CERN? Quais s&atilde;o seus interesses al&eacute;m da f&iacute;sica?</strong></p>
<p>N&atilde;o, n&atilde;o venho mais ao CERN em minha bicicleta. Agora, pego o trem. Nos 20 anos em que pedalei, eu percorri o equivalente a duas voltas ao redor de nosso planeta [totalizando cerca de 80 mil km]. Tento me manter a par dos avan&ccedil;os de algumas &aacute;reas da astrof&iacute;sica e cosmologia. Antes, eu tinha v&aacute;rios <em>hobbies</em>, como jogar t&ecirc;nis, montanhismo e m&uacute;sica de c&acirc;mara, mas tive que desistir deles por conta da idade. Um dos grandes problemas da idade avan&ccedil;ada &eacute; que seus amigos morrem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>C&aacute;ssio Leite Vieira</strong><br />
Ci&ecirc;ncia Hoje/ RJ</p>

		</div> 
	</div> </div></div></div></div></div></div>
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		<title>Serpentes atlânticas</title>
		<link>https://cienciahoje.org.br/serpentes-atlanticas/</link>
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				<pubDate>Sat, 24 Dec 2016 00:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Instituto Ciência Hoje]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Herpetologia]]></category>
		<category><![CDATA[Mata atlântica]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>

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				<description><![CDATA[Estudo revela como esses répteis se distribuem pela mata atlântica.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div      class="vc_row wpb_row section vc_row-fluid  grid_section" style=' text-align:left;'><div class=" section_inner clearfix"><div class='section_inner_margin clearfix'><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner "><div class="wpb_wrapper">
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			<p>A mata atl&acirc;ntica, que j&aacute; se estendeu por mais de um milh&atilde;o de quil&ocirc;metros quadrados do Piau&iacute; ao Rio Grande do Sul, hoje se encontra completamente fragmentada, reduzida a 16% de sua exuber&acirc;ncia original, de acordo com as estimativas otimistas. Ainda assim, essa floresta mant&eacute;m parte de sua grandiosidade, abrigando uma rica biodiversidade, da qual uma fra&ccedil;&atilde;o significativa &eacute; end&ecirc;mica, ou seja, n&atilde;o existe em outro lugar.</p>
<p>A vegeta&ccedil;&atilde;o da mata atl&acirc;ntica varia ao longo de sua extens&atilde;o devido &agrave; presen&ccedil;a de climas variados, com regimes de temperatura e precipita&ccedil;&atilde;o diferentes em cada regi&atilde;o. Portanto, &eacute; de se esperar que a fauna que nela habita tamb&eacute;m apresente varia&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>Para entender melhor como a fauna est&aacute; organizada em uma regi&atilde;o t&atilde;o ampla e diversa como a mata atl&acirc;ntica, &eacute; necess&aacute;rio aplicar uma t&eacute;cnica conhecida como regionaliza&ccedil;&atilde;o. Por meio dela, &eacute; poss&iacute;vel dividir uma regi&atilde;o geogr&aacute;fica em por&ccedil;&otilde;es menores com base nos grupos de esp&eacute;cies de cada &aacute;rea.</p>
<div class="pullquote">Foram compiladas 218 localidades, que juntas contabilizaram 198 esp&eacute;cies de serpentes</div>
<p>Em um estudo recente, analisamos quais processos causariam a regionaliza&ccedil;&atilde;o das serpentes na mata atl&acirc;ntica. Procuramos informa&ccedil;&otilde;es sobre as serpentes da mata atl&acirc;ntica na literatura especializada e consultamos dezenas de especialistas que colaboraram com dados valiosos sobre estudos que conduziram.</p>
<p>Ao final, foram compiladas 218 localidades, que juntas contabilizaram 198 esp&eacute;cies de serpentes. Esse n&uacute;mero sobe para 219 esp&eacute;cies se considerarmos algumas serpentes que n&atilde;o foram encontradas pelos invent&aacute;rios compilados &ndash; esp&eacute;cies end&ecirc;micas de ilhas, como a jararaca-ilhoa (<em>Bothrops insularis</em>) ou muito raras, como a jiboia-de-Cropan (<em>Corallus cropanii</em>).</p>
<div class="image-center"><img alt="" src="http://www.cienciahoje.org.br/uploads/ckeditor-ckfinder-integration/uploads/images/2016/12/serpentes02.jpg" style="height:445px; width:750px" /><br />
A caninana (<em>Spilotes pullatus</em>) pode ser encontrada ao longo de todo o bioma da mata atl&acirc;ntica. (foto: Ant&ocirc;nio Bordignon)</div>
<p>Os resultados encontrados mostram que as comunidades de serpentes na mata atl&acirc;ntica podem ser divididas em seis sub-regi&otilde;es. Embora algumas esp&eacute;cies sejam observadas por quase todo o bioma, como a cobra-cip&oacute; (<em>Philodryas olfersii</em>) e a caninana (<em>Spilotes pullatus</em>), h&aacute; serpentes que s&oacute; vivem no norte da mata atl&acirc;ntica, como a corredeira-da-mata (<em>Dendrophidion atlantica</em>) e outras encontradas apenas no sul, como a nariguda-da-praia (<em>Xenodon dorbignyi</em>). H&aacute; tamb&eacute;m esp&eacute;cies t&iacute;picas de outros biomas que podem ser encontradas no oeste da mata atl&acirc;ntica, como a cobra-d&rsquo;&aacute;gua-de-Herrmann (<em>Hydrodynastes bicinctus</em>).</p>
<p><img alt="" src="http://www.cienciahoje.org.br/uploads/ckeditor-ckfinder-integration/uploads/images/2016/12/MapaSerpentes.jpg" style="height:350px; width:750px" /></p>
<p>A pesquisa tamb&eacute;m indicou que a organiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica dessas seis sub-regi&otilde;es pode estar ligada ao clima, especialmente &agrave;s varia&ccedil;&otilde;es na temperatura e na quantidade de chuvas ao longo da mata atl&acirc;ntica. Serpentes s&atilde;o animais ectot&eacute;rmicos e, como tal, dependem das condi&ccedil;&otilde;es ambientais para regular a temperatura do corpo. Em regi&otilde;es tropicais, a dificuldade das serpentes n&atilde;o &eacute; se manter aquecidas, mas refrigeradas. Por isso, a quantidade de chuvas tamb&eacute;m &eacute; importante, pois serpentes bem hidratadas estariam menos sujeitas ao superaquecimento.</p>
<p>Outro achado interessante &eacute; que a varia&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica ao longo dos &uacute;ltimos mil&ecirc;nios tamb&eacute;m ajuda a explicar como as diferentes esp&eacute;cies de serpentes se distribuem na mata atl&acirc;ntica nos dias de hoje. &Aacute;reas com relevo complexo, como regi&otilde;es serranas, teriam sido menos afetadas pelas mudan&ccedil;as ambientais no passado, possuindo maior estabilidade clim&aacute;tica e possibilitando a sobreviv&ecirc;ncia hist&oacute;rica de esp&eacute;cies adaptadas a esse tipo de h&aacute;bitat, como a mu&ccedil;urana-da-serra (<em>Mussurana montana</em>).</p>
<p>A regionaliza&ccedil;&atilde;o das serpentes da mata atl&acirc;ntica &eacute; um passo importante para compreendermos melhor v&aacute;rios aspectos da biologia desses animais. Se fatores clim&aacute;ticos como a temperatura e a chuva influenciam a distribui&ccedil;&atilde;o e a sobreviv&ecirc;ncia das serpentes, o que poder&aacute; acontecer se o cen&aacute;rio de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas sob influ&ecirc;ncia humana n&atilde;o for controlado? Pesquisas que busquem responder essas e outras perguntas poder&atilde;o auxiliar no planejamento de estrat&eacute;gias para a conserva&ccedil;&atilde;o dessa exuberante floresta tropical e de sua rica biodiversidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Henrique Caldeira Costa</strong><br />
Departamento de Zoologia<br />
Universidade Federal de Minas Gerais<br />
<strong>Ant&ocirc;nio Jorge S. Arg&ocirc;lo</strong><br />
Departamento de Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas<br />
Universidade Estadual de Santa Cruz<br />
<strong>Mario Ribeiro Moura</strong><br />
Instituto de Biologia<br />
Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia</p>

		</div> 
	</div> </div></div></div></div></div></div>
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		<title>Esperança contra tumores cerebrais</title>
		<link>https://cienciahoje.org.br/esperanca-contra-tumores-cerebrais/</link>
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				<pubDate>Tue, 06 Dec 2016 21:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Instituto Ciência Hoje]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[Células-tronco]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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				<description><![CDATA[Pesquisa da UFMG testa células-tronco neurais associadas a HIV modificado no tratamento de tumores do sistema nervoso central.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div      class="vc_row wpb_row section vc_row-fluid  grid_section" style=' text-align:left;'><div class=" section_inner clearfix"><div class='section_inner_margin clearfix'><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner "><div class="wpb_wrapper">
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			<p>Glioblastomas multiformes (GBM) s&atilde;o os tumores mais comuns do sistema nervoso central e tamb&eacute;m os mais agressivos. Infiltram-se com facilidade, migrando para diferentes &aacute;reas do c&eacute;rebro e produzindo incapacidade progressiva. Em pacientes submetidos a cirurgia para retirada total deste tipo de c&acirc;ncer, a recidiva &eacute; muito alta. Neste cen&aacute;rio de desalento, desponta uma esperan&ccedil;a: testes em camundongos que utilizaram c&eacute;lulas-tronco neurais derivadas do tecido muscular em associa&ccedil;&atilde;o com o v&iacute;rus HIV modificado exterminaram o tumor original e seus derivados.</p>
<p>A realidade &eacute; cruel. No Brasil, a incid&ecirc;ncia de tumores do sistema nervoso central &eacute; de aproximadamente sete em cada 100 mil habitantes. A m&eacute;dia de sobrevida, a partir do diagn&oacute;stico, &eacute; geralmente menor que um ano e a maioria dos pacientes (90% a 95%) evoluir&aacute; para &oacute;bito em dois anos. Hoje, tenta-se reduzir o potencial de recidiva dos GBMs malignos com a combina&ccedil;&atilde;o de radioterapia p&oacute;s-operat&oacute;ria e quimioterapia. Mas, mesmo tendo sido extirpado cirurgicamente e tratado com esta dupla de procedimentos, existe grande probabilidade de recorr&ecirc;ncia do tumor, porque sua capacidade infiltrativa favorece o surgimento de tumores sat&eacute;lites. &Eacute; bem verdade que algumas drogas apresentam efic&aacute;cia contra as c&eacute;lulas tumorais de GBM em cultura de c&eacute;lulas e at&eacute; em animais experimentais, por&eacute;m, os tumores sat&eacute;lites permanecem dificultando a elimina&ccedil;&atilde;o das c&eacute;lulas malignas.</p>
<p>Conseguir combater o foco original do c&acirc;ncer e seus derivados &eacute; o ponto central da pesquisa que desenvolvemos no Departamento de Patologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Um novo caminho come&ccedil;ou a ser trilhado com o isolamento de c&eacute;lulas-tronco neurais a partir de tecido muscular de animais. A vantagem de se utilizar esse tecido &eacute; que ele representa aproximadamente 50% do corpo e &eacute; facilmente acess&iacute;vel para bi&oacute;psias, sem gerar danos ao doador. Mas o melhor &eacute; que as c&eacute;lulas-tronco neurais derivadas do m&uacute;sculo esquel&eacute;tico se mostraram capazes de sobreviver ap&oacute;s serem injetadas no c&eacute;rebro sem o risco de formar tumores.</p>
<div class="pullquote">Quando as c&eacute;lulas tumorais foram expostas &agrave;s c&eacute;lulas-tronco neurais produzindo a tal prote&iacute;na, observou-se que as c&eacute;lulas tumorais morriam</div>
<p>Uma nova e positiva surpresa foi verificar que as c&eacute;lulas-tronco neurais apresentavam tropismo &ndash; tend&ecirc;ncia para migrar &ndash; em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s c&eacute;lulas tumorais de GBM. Assim, elas foram usadas como ve&iacute;culos para levar medicamentos &agrave;s c&eacute;lulas tumorais no c&eacute;rebro. O procedimento consistiu em injetar c&eacute;lulas-tronco neurais marcadas com fluoresc&ecirc;ncia verde em um lado do c&eacute;rebro de camundongos, enquanto as c&eacute;lulas tumorais estavam marcadas com fluoresc&ecirc;ncia vermelha e localizadas no lado oposto. O resultado foi que as c&eacute;lulas-tronco neurais migraram tanto para o tumor prim&aacute;rio como para os sat&eacute;lites distantes dele.</p>
<p>Em seguida, valendo-se da engenharia gen&eacute;tica, a equipe da UFMG utilizou um v&iacute;rus HIV modificado, isto &eacute;, sem potencial de causar AIDS, para inserir uma sequ&ecirc;ncia que codifica uma prote&iacute;na antitumoral (TRAIL) dentro do DNA destas c&eacute;lulas-tronco neurais. Quando as c&eacute;lulas tumorais foram expostas &agrave;s c&eacute;lulas-tronco neurais produzindo a tal prote&iacute;na, observou-se que as c&eacute;lulas tumorais morriam.</p>
<p>Usar um v&iacute;rus normalmente patog&ecirc;nico para uma finalidade ben&eacute;fica desponta como uma possibilidade interessante para a biomedicina. N&atilde;o se descarta, portanto, a possibilidade de que o v&iacute;rus da Zika, que apresenta tropismo para o sistema nervoso central, possa ser usado no futuro como ve&iacute;culo de transporte para drogas em certas regi&otilde;es do c&eacute;rebro com a finalidade de combater doen&ccedil;as neurodegenerativas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Alexander Birbrair</strong><br />
Departamento de Patologia<br />
Instituto de Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas<br />
Universidade Federal de Minas Gerais</p>

		</div> 
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		<title>Quem era o homem de Anticítera?</title>
		<link>https://cienciahoje.org.br/quem-era-o-homem-de-anticitera/</link>
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				<pubDate>Mon, 28 Nov 2016 22:04:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Instituto Ciência Hoje]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Arqueologia]]></category>
		<category><![CDATA[Genética]]></category>
		<category><![CDATA[Paleoantropologia]]></category>

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				<description><![CDATA[Restos de homem que permaneceu 2 mil anos sob as águas nas redondezas de uma ilha grega podem fornecer DNA para análise genética detalhada e confiável, capaz de gerar pistas sobre sua ancestralidade e o movimento de populações no mundo.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div      class="vc_row wpb_row section vc_row-fluid  grid_section" style=' text-align:left;'><div class=" section_inner clearfix"><div class='section_inner_margin clearfix'><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner "><div class="wpb_wrapper">
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			<p>Um peda&ccedil;o de cr&acirc;nio, com tr&ecirc;s dentes; dois ossos de bra&ccedil;o; lascas de costelas; dois f&ecirc;mures. Antrop&oacute;logos est&atilde;o radiantes com esses restos de um homem que permaneceu 2 mil anos sob as &aacute;guas nas redondezas da diminuta e bela ilha grega de Antic&iacute;tera. Tudo indica que, pela primeira vez, ser&aacute; poss&iacute;vel extrair de um humano com essa idade material gen&eacute;tico de boa qualidade &ndash; e sem contaminantes.</p>
<p>A descoberta desses restos humanos foi feita recentemente pela equipe de antrop&oacute;logos mergulhadores que estudam o que talvez seja o navio afundado mais famoso do mundo. Com cerca de 40 metros de comprimento, a embarca&ccedil;&atilde;o mercante, descoberta em 1900 por ca&ccedil;adores de esponjas, tornou-se famosa pelo fato de nela ter sido encontrado o chamado &lsquo;mecanismo de Antic&iacute;tera&rsquo;.</p>
<div class="image-center"><img alt="" src="http://www.cienciahoje.org.br/uploads/ckeditor-ckfinder-integration/uploads/images/2016/11/anticitera02.jpg" style="height:500px; width:750px" /><br />
Mecanismo de Antic&iacute;tera, capaz de reproduzir o movimento do sol, da lua e dos planetas. (foto: Wikimedia Commons)</div>
<p>Datado como sendo do ano 65 a.C., o artefato &eacute; tido como um &lsquo;computador primitivo&rsquo; capaz de modelar os movimentos do Sol, da Lua e dos planetas. A engenhosidade da m&aacute;quina &ndash; que lembra o mecanismo de um despertador &ndash; &eacute; tal que, ao longo deste &uacute;ltimo s&eacute;culo, ela tem causado um misto de espanto, mist&eacute;rio e admira&ccedil;&atilde;o. Um <a href="http://antikythera.whoi.edu/artifacts/antikythera-mechanism/" target="_blank">filme sobre ela</a> (em ingl&ecirc;s) est&aacute; dispon&iacute;vel na internet. Vale a pena ver.</p>
<p>Viajando pelo Mediterr&acirc;neo, o navio levava itens de luxo (vidros, pe&ccedil;as de bronze, jarros, joias, jogos etc.) &ndash; provavelmente, para Roma.</p>
<p>Outros restos humanos j&aacute; foram encontrados em outros navios naufragados &ndash; por exemplo, &lsquo;Mary Rose&rsquo; e &lsquo;Vasa&rsquo;, embarca&ccedil;&otilde;es com tr&ecirc;s ou quatro s&eacute;culos de idade. Mas, at&eacute; agora, n&atilde;o foi poss&iacute;vel fazer uma an&aacute;lise gen&eacute;tica detalhada e confi&aacute;vel desse material, por problemas t&eacute;cnicos. Muitas dessas pe&ccedil;as acabaram lavadas, mantidas em conservantes e a temperaturas inadequadamente altas, sem contar a poss&iacute;vel contamina&ccedil;&atilde;o do DNA antigo com novo, o que n&atilde;o pode ser separado em m&eacute;todos como o chamado PCR.</p>
<div class="image-center"><img alt="" src="http://www.cienciahoje.org.br/uploads/ckeditor-ckfinder-integration/uploads/images/2016/11/anticitera03.jpg" style="height:500px; width:750px" /><br />
Pesquisador manipula osso encontrado na embarca&ccedil;&atilde;o. (foto: Brett Seymour)</div>
<p>Segundo especialistas, as partes relativas ao cr&acirc;nio s&atilde;o as mais promissoras para a extra&ccedil;&atilde;o de DNA. Por que &eacute; t&atilde;o importante assim obter o sequenciamento do material gen&eacute;tico de uma pessoa que provavelmente viveu antes de Cristo?</p>
<div class="pullquote">Caso os pesquisadores norte-americanos e gregos consigam extrair e sequenciar o DNA, eles poder&atilde;o inferir, por exemplo, a idade, a cor dos olhos e do cabelo, a ancestralidade e mesmo a origem daquele homem</div>
<p>Caso os pesquisadores norte-americanos e gregos consigam extrair e sequenciar o DNA, eles poder&atilde;o inferir, por exemplo, a idade, a cor dos olhos e do cabelo, a ancestralidade e mesmo a origem daquele homem &ndash; que, por sinal, foi batizado Pamphilos, em refer&ecirc;ncia a um nome encontrado num copo de vinho em meio aos destro&ccedil;os. Com esses dados, ser&aacute; poss&iacute;vel levantar hip&oacute;teses sobre varia&ccedil;&atilde;o e movimento de popula&ccedil;&otilde;es, por exemplo.</p>
<p>&Eacute; poss&iacute;vel que Pamphilos tenha sido um escravo, pois seus ossos t&ecirc;m uma colora&ccedil;&atilde;o avermelhada, t&iacute;pica da a&ccedil;&atilde;o do ferro de grilh&otilde;es sobre eles.</p>
<p>Acredita-se que o navio tenha sido jogado contra as rochas em uma tempestade, e que o evento tenha sido r&aacute;pido, a ponto de n&atilde;o permitir que escravos acorrentados sa&iacute;ssem da embarca&ccedil;&atilde;o. Ou, quem sabe, Pamphilos seja o astr&ocirc;nomo respons&aacute;vel pelo &ndash; ou construtor do &ndash; mecanismo de Antic&iacute;tera.</p>
<p>Os pesquisadores &ndash; que s&atilde;o do Minist&eacute;rio da Cultura e dos Esportes da Gr&eacute;cia e da Institui&ccedil;&atilde;o Oceanogr&aacute;fica de Woods Hole (EUA) &ndash; acham que pode haver mais restos humanos sob os escombros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>C&aacute;ssio Leite Vieira</strong><br />
Ci&ecirc;ncia Hoje/ RJ</p>

		</div> 
	</div> </div></div></div></div></div></div>
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		<title>Hipertensão: aliança global</title>
		<link>https://cienciahoje.org.br/hipertensao-alianca-global/</link>
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				<pubDate>Mon, 21 Nov 2016 22:41:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Instituto Ciência Hoje]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Epidemiologia]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde pública]]></category>

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				<description><![CDATA[Relatório propõe 10 ações prioritárias, tanto em nível individual quanto no da saúde pública, para combater a principal causa de morte no mundo.]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<div      class="vc_row wpb_row section vc_row-fluid  grid_section" style=' text-align:left;'><div class=" section_inner clearfix"><div class='section_inner_margin clearfix'><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner "><div class="wpb_wrapper">
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			<p>Nos tempos pr&eacute;-&shy;internet &ndash; quando eram escassas informa&ccedil;&otilde;es sobre sa&uacute;de para o grande p&uacute;blico &ndash;, os adultos costumavam se referir como &lsquo;mal s&uacute;bito&rsquo; &agrave; causa de mortes inesperadas &ndash; ou seja, a pessoa parecia estar bem, sem sintomas aparentes e, de repente,&#8230; ca&iacute;a morta.</p>
<p>O tal &lsquo;mal&rsquo; tinha e tem nome: hipertens&atilde;o, a principal causa de morte no mundo. Agora, a Comiss&atilde;o para a Hipertens&atilde;o da [revista m&eacute;dica] <em>The Lancet</em> resolveu aprimorar o combate a esse inimigo n&uacute;mero 1 da vida e, com base em uma an&aacute;lise de grande porte, lan&ccedil;ou um relat&oacute;rio, no &uacute;ltimo encontro da Sociedade Internacional de Hipertens&atilde;o, com 10 a&ccedil;&otilde;es priorit&aacute;rias que deveriam ser adotadas pelas autoridades mundiais de sa&uacute;de, tanto em n&iacute;vel individual (do paciente) quanto no da sa&uacute;de p&uacute;blica.</p>
<p>O documento &ndash; <a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(16)31134-5/fulltext" target="_blank">publicado <em>on-line</em> em <em>The Lancet</em></a> (23/09/16) &ndash; prop&otilde;e uma &ldquo;alian&ccedil;a global&rdquo; contra a hipertens&atilde;o, com base em cinco frentes amplas: mudan&ccedil;as no estilo de vida; mais acesso &agrave; medida da press&atilde;o arterial; melhorias no diagn&oacute;stico; expans&atilde;o do monitoramento e da preven&ccedil;&atilde;o farmacol&oacute;gica; fortalecimento dos sistemas de sa&uacute;de.</p>
<div class="pullquote">Um ter&ccedil;o dos adultos do mundo s&atilde;o hipertensos</div>
<p>H&aacute; no documento tamb&eacute;m os fatores de risco para a hipertens&atilde;o: sedentarismo, &aacute;lcool, sal, dieta muito cal&oacute;rica (sem frutas e legumes) etc.</p>
<p>Um dado pelo menos impressiona no relat&oacute;rio: um ter&ccedil;o dos adultos do mundo s&atilde;o hipertensos. Vale lembrar que a hipertens&atilde;o n&atilde;o &eacute; facilmente detectada, pois n&atilde;o tem sintomas &ndash; da&iacute;, talvez, o adjetivo &lsquo;s&uacute;bito&rsquo;.</p>
<p>Mais do que uma cole&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es, o relat&oacute;rio, depois de analisar evid&ecirc;ncias experimentais e epidemiol&oacute;gicas, prop&otilde;e quais t&oacute;picos t&ecirc;m bom suporte experimental e quais deveriam ser objeto de mais pesquisa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>C&aacute;ssio Leite Vieira</strong><br />
Ci&ecirc;ncia Hoje/ RJ</p>

		</div> 
	</div> </div></div></div></div></div></div>
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