Na estante setembro

Da ideia de República

Valendo-se de larga experiência como historiadora e cientista política e de seu incontestável talento como pesquisadora, Heloísa Starlingretoma discussões políticas e filosóficas em torno da ideia de República na época moderna, adaptando-as ao ambiente colonial, de uma ponta a outra das Américas.Há de se considerar o fato de que as apropriações do termo estavam relacionadas às experiências individuais e coletivas de grupos que acreditavam deter certo capital intelectual para promover as mudanças que julgavam necessárias. Dessa forma, os debates assumiram contornos bastante específicos, ainda que possuíssem raízes em comum.

Heloisa Starling envereda-se por esse terreno de forma magistral. Sua obra está dividida em sete engenhosos capítulos. No primeiro deles propõe uma análise das nuances adquiridas pelo conceito de República, no contexto da repressão ao Quilombo dos Palmares, por D. Pedro de Almeida. O então governador de Pernambuco se utilizou do termo “para nomear uma experiência de autogoverno em uma comunidade instalada” na América portuguesa. Importante sublinhar a sua polissemia: a autora parte da res publica de Cíceroaté chegar à república de Jean Bodin, esta com íntimas relações com o processo de fortalecimento das monarquias modernas durante o século 16.

Claudia Cristina Azeredo Atallah

Departamento de História
Universidade Federal Fluminense (Campos dos Goytacazes)

Autora do livro “Da justiça em nome d’El Rey: Justiça, ouvidores e Inconfidência no centro sul da América Portuguesa”, editado pela EdUERJcom financiamento FAPERJ.

Ser republicano no Brasil Colônia: a história de uma tradição esquecida
Heloísa M. Starling
São Paulo, Companhia das Letras, 2018, 376 p.