Ecos de cultura e ciência em São Luís

O incentivo ao diálogo entre cientistas e representantes de comunidades tradicionais e à aproximação entre ciência e cultura marcou a 64ª Reunião Anual da SBPC e está refletido no que foi dito e ouvido nas conferências e mesas-redondas realizadas durante o evento, entre 22 e 27 de julho.

Confira abaixo uma seleção das melhores frases – nem todas sobre o tema principal do encontro – que ecoaram pelos corredores da Universidade Federal do Maranhão.

“A aproximação do mundo cientificamente estabelecido e do conhecimento letrado com os modos de vida das populações é o caminho necessário para a conquista de direitos fundamentais e de condições subjetivas de sobrevivência.” José Pereira Peixoto Filho, educador da Fundação Universidade de Itaúna e da Universidade do Estado de Minas Gerais, sobre a necessidade de diálogo entre os saberes tradicionais e científicos.

 

 “A ciência tradicional costuma apagar as marcas do saber tradicional no seu trabalho.” Alfredo Wagner Berno de Almeida, da Universidade do Estado do Amazonas.

 

“Não sou coitadinho. Índio não é coitadinho. Não quero que tenham pena de mim, nunca. Não quero que vocês, “brancos”, cuidem de nós. Vocês precisam mesmo é cuidar de vocês.” Álvaro Tukano, um dos líderes do movimento indígena brasileiro, sobre a relação entre índios e “brancos”.

 

“Qual a doença do branco, hoje? A doença do branco se chama dinheiro.” Marcos Terena, liderança indígena nacional, sobre a nossa civilização.

 

“O contato inicial foi, muitas vezes, com o que há de pior em nossa civilização: madeireiros, garimpeiros e traficantes.” Txai Terri Aquino, antropólogo da Funai, sobre os indígenas isolados do Brasil.

 

“São José dos Campos só se tornou o maior polo tecnológico do Brasil graças a investimentos constantes em centros de excelência e capital intelectual, a exemplo do trabalho de base realizado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. O resultado indireto foi nada menos que a Embraer – uma das mais importantes empresas do mundo em seu segmento. E vocês sabem o que a Embraer fez em São José dos Campos? Construiu lá a melhor escola de ensino tecnológico do Brasil, que forma alunos brilhantes e devolve à sociedade o benefício do conhecimento; ensino privado, mas gratuito. Cabe então perguntar: aqui, o que é que a Vale, por exemplo, fez pela sociedade maranhense?” José Raimundo Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira, sobre a relação entre a empresa Vale e o Maranhão, em paralelo com a relação entre Embraer e São Paulo.

 

“Alcântara já teve muitos projetos. E nenhum funciona. Gostaria, sim, que dessem certo, mas, até hoje, tudo que vi, além de problemas sociais para minha comunidade, foram dois foguetes explodindo no espaço.” Leonardo dos Anjos, representante do Movimento dos Atingidos pela Base Espacial (Mabe), sobre o empreendimento de Alcântara.

 

“Paradigmas científicos, muito frequentemente, estão errados.” Daniel Shechtman, vencedor do Prêmio Nobel de Química de 2011, sobre história da ciência.

 

“Ouvir sua palestra foi como estar em um show dos Beatles ou do Elvis Presley.” Aluna do ensino médio, ao final da palestra de Daniel Shechtman.

 

“É estranho que, num evento científico de grande porte, em uma universidade federal, o acesso à internet dependa de um pedacinho de papel. Foram distribuídas milhares de senhas, mas por que não liberar o acesso de uma vez?” Nelson Pretto, da Universidade Federal da Bahia, sobre as senhas distribuídas aos participantes da reunião.

 

“Se há alguém que pode fazer a diferença para uma criança, em especial para aquelas que não tenham uma base familiar sólida, é o professor.” Roseli de Deus Lopes, da Universidade de São Paulo.

 

“O problema é achar que todos calçam 40.” Paulo Cysneiros, educador e professor da Universidade Federal de Pernambuco, sobre as políticas públicas de inclusão digital nas escolas de diversos estados brasileiros.

 

“Para quem a usina hidrelétrica de Belo Monte está sendo construída? Para as empresas de alumínio, que usarão grande parte da energia gerada por esse empreendimento.” Philip M. Fearnside, biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

 

“Esse registro rico está todo enterrado na rocha e, acima dessa rocha, o que temos é muita pobreza.” Manoel Alfredo Araújo Medeiros, paleontólogo da Universidade Federal do Maranhão, sobre a riqueza paleontológica do estado.


Equipe ICH