Expedição jovem à antártica

Os amigos João e Marcelo estão de volta. Os protagonistas de Na terra dos titãs, romance de aventura lançado em 2007 pelo paleontólogo Alexander Kellner, agora partem rumo à Antártica, onde encontrarão fósseis de árvores, de pinguins e até de dinossauros.

Com pitadas de paixão, desafios e muitas surpresas, a nova aventura da dupla – Mistério sob o gelo – é uma boa pedida para leitores que querem se divertir e aprender um pouco mais sobre o passado e o presente do continente gelado.

Livro: 'Mistério sob o gelo'
A capa do livro retrata momento dramático da expedição, que teve barraca destruída após forte tempestade (reprodução).

Pesquisador do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e titular da coluna Caçadores de Fósseis, da CH On-line, Kellner escreveu o livro em seis semanas e se inspirou em uma experiência real.

No fim de 2006, ele comandou uma expedição à Antártica que durou dois meses e meio, dos quais 37 dias foram passados em um acampamento na ilha James Ross (mais tarde, a viagem foi objeto de uma exposição no Museu Nacional).

Eis o ponto de partida de Mistério sob o gelo: um grupo de adolescentes é selecionado para o projeto Pesquisador Júnior na Antártica, liderada pelo professor Adalberto, do Museu Nacional. João precisa esconder seu namoro com Lu, que começara na expedição ao Mato Grosso (retratada em Na terra dos titãs).

Marcelo e Paty se detestam, mas precisam cooperar para vencer os desafios. Carlos é o pirralho chato, porém talentoso, e que contribui com uma importante teoria sobre os ataques dos monstros. 

A trama é o pretexto para que os leitores também descubram curiosidades surpreendentes

Com cada aventura vivida, os personagens aprendem sobre aquecimento global, programas militares, sobrevivência num lugar inóspito e, principalmente, a importância do trabalho em equipe. 

A trama é o pretexto para que os leitores também descubram curiosidades surpreendentes. O livro introduz informações sobre os equipamentos usados na expedição, como as piquetas, barracas e marfinetes. Mostra ainda como a natureza, para se proteger, pode ser tão hostil à vida humana.

Você sabia que o tempo máximo de sobrevivência nas águas da Antártica é de 90 segundos? Ou que na era dos dinossauros, os répteis marinhos eram os plesiossauros, mosassauros e ictiossauros?

No vídeo abaixo, Alexander Kellner fala sobre seu novo livro e lê um trecho da obra.

Vida real

Nos 37 dias em que ficou acampado com sua equipe na ilha de James Ross, Alexander Kellner enfrentou condições extremas de temperatura e viveu situações de grande perigo. Essas experiências deram origem a alguns dos desafios enfrentados pelos protagonistas do livro.

“A viagem guarda várias surpresas para os jovens, que encontram muito mais do que apenas fósseis na Ilha James Ross”, garante o autor.

Árvore fossilizada na Antártica
A descoberta de uma árvore fossilizada durante a expedição foi incorporada ao livro (foto: Alexander Kellner).

O monstro que eles enfrentam, por exemplo, foi inspirado pelas dezenas de focas mortas e crateras no gelo que Kellner avistou assim que chegou à ilha. “São três os aspectos mais impressionantes da Antártica: a beleza, a fragilidade e agressividade”, conta.

Com uma narrativa dinâmica, marcada por diálogos ágeis e bem-humorados, Mistério sob o gelo prende a atenção do leitor por toda a trama ao mesmo tempo em que transmite informações científicas de uma maneira original e acessível ao público de várias idades. 

E a aventura está longe de terminar: Kellner avisa que outro livro está a caminho. O cenário da próxima aventura será o Irã: que mistérios aguardarão a dupla João e Marcelo?

Larissa Rangel
Ciência Hoje On-line