Um planeta de sensações

Em seus estimados 4,6 bilhões de anos, a Terra teve sua atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera modificadas. Foram múltiplas mutações que nem mesmo um viajante do tempo poderia reconhecer. Mas quem já não imaginou poder atravessar a história de nosso planeta e vivenciar esses grandes momentos? Ou, ainda melhor, senti-los?

A mostra possibilita uma viagem sensorial para compreender como era o planeta há bilhões de anos

Se você já imaginou uma viagem assim, não perca a exposição Sensações do passado geológico da Terra, na Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A mostra, inaugurada no dia 8 de fevereiro, ficará aberta ao público e à visitação de escolas e professores até o final de maio.

“A mostra faz um paralelo entre tempo geológico e tempo antropológico, o que possibilita uma viagem sensorial para compreender como era o planeta há bilhões de anos”, afirma o paleontólogo Ismar de Sousa Carvalho, curador da exposição. “O passado é sempre presente e se materializa continuamente por meio de nossa audição, olfato, visão, tato e paladar”.

O que Carvalho tenta explicar fica bem mais fácil de entender por meio dos estímulos sensoriais. Ao longo da exposição, podemos nos deixar levar por imagens, sons, cores, texturas, sabores e diversos aromas.

No início da viagem, é aberto o caleidoscópio do tempo presente. Essa ‘ferramenta’ nos guia pelo tempo geológico. Como uma referência à modernidade, o hoje é representado por uma sala coberta de sucata e lixo eletrônico. No caminho, ainda é possível acompanhar a evolução do homem desde os tempos de primata até o Homo sapiens.

Um planeta de sensações
Projeção de pegadas de um iguanodonte: o herbívoro foi um dos primeiros dinossauros capazes de mastigar. (foto: divulgação)

Em seguida, observamos as pegadas de um dinossauro projetadas no chão. São de um iguanodonte, herbívoro de até 10 metros de altura e um dos primeiros dinossauros capazes de mastigar. Chegamos a 150 milhões de anos atrás.

Voltamos mais alguns milhões de anos no tempo ao encontrarmos registros da separação dos continentes. Nessa sala, sentimos o aroma das primeiras flores que surgiam no planeta. A magnólia é uma delas.

Mais outros passos e aprendemos que, segundo estudos científicos, antes do surgimento dos dinossauros, os mares ocupavam grande parte do que hoje são os continentes. Nesse período (Devoniano – 385 milhões de anos atrás), existia uma grande massa de terra chamada Gondwana, formada por Brasil, África, Antártida e Austrália. Com o passar do tempo, ela se separou e deu origem à formação atual do planeta.

Nova linguagem

O visitante ainda poderá experimentar as sensações de um terremoto, tocar em rochas de bilhões de anos e explorar instalações multimídia sobre o surgimento do oxigênio. “Em geral, exposições sobre esse tema se resumem a apresentação de fósseis”, destaca o curador e paleontólogo Ismar Carvalho. “Optamos por trazer uma nova linguagem interativa, por meio da qual o espectador pudesse vivenciar algumas sensações daquela época”. 

O visitante experimenta a sensação de um terremoto

A brincadeira tecnológica continua com o ‘truque’ da realidade aumentada: na exposição, recebemos um panfleto com uma imagem do réptil Baurusuchus salgadoensis. O visitante é instigado a, quando voltar para casa, colocar a imagem em frente de uma webcam. A surpresa: o réptil “ganha  vida” e pula para frente da tela do computador por meio da tecnologia 3D. Não deixa de ser uma forma de levar a exposição para fora do museu.

Carvalho acrescenta que atividades paralelas serão desenvolvidas durante o período que a exposição permanecer em cartaz. “Teremos um laboratório de atividades sensoriais, que inclui vídeos, debates, palestras, oficinas, contação de histórias e atividades para alunos e professores.” 

Sensações do passado geológico da Terra
Casa da Ciência da UFRJ 
Rua Lauro Müller, 3, Botafogo 
Terça a sexta-feira, das 9h às 20h
Sábado, domingo e feriados, das 10h às 20h
Agendamento: (21) 2542-7494 begin_of_the_skype_highlighting (21) 2542-7494 end_of_the_skype_highlighting / 2598-3051
Entrada gratuita
Até 15 de maio de 2011

 

Ana Paula Monte
Ciência Hoje On-line

Matéria publicada em 14.02.2011

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