Estudo da demência

As demências estão entre as principais causas mundiais de mortalidade e morbidade. Entretanto, ainda não existe cura ou prevenção para a doença. A falta de completo entendimento dos fatores de risco contribui substancialmente para esse cenário. Até o momento, verifica-se que doenças cardiovasculares têm sido associadas à maior probabilidade de desenvolver demência. Aterosclerose de artérias carótidas e cerebrais têm sido relacionadas a maior risco de demência em estudos clínicos de longo prazo.

Até o momento, verifica-se que doenças cardiovasculares têm sido associadas à maior probabilidade de desenvolver demência

Embora sejam de extrema importância, esses estudos longitudinais apresentam limitações. É particularmente difícil o diagnóstico da causa da demência, principalmente a diferenciação entre doença de Alzheimer (DA) e demência vascular (DV). Além disso, a mensuração da doença cardiovascular é feita por métodos de imagem, não sendo possível a medida direta do grau de obstrução arterial ou do tipo de placa que a causou.

Os estudos de autópsia são importantes para avançar o conhecimento nessa área, mas, até então, limitaram-se a descrever a associação entre aterosclerose de artérias cerebrais e lesões neuropatológicas de DA, não havendo descrição da associação com artérias não cerebrais. Isso se deve à dificuldade de obtenção desse material, devido à baixa quantidade de autópsias realizadas mundialmente.

O Grupo de Estudos em Envelhecimento Cerebral da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (GEEC-FMUSP) realiza estudos de autópsia e tem acesso a grande quantidade de cérebros e artérias. O desafio é investigar a associação de aterosclerose carotídea e coronariana e alterações neuropatológicas relacionadas à DA e à DV, medindo diretamente o grau de obstrução arterial e o tipo de placa de lipídeos nas artérias carótidas e coronárias. Pretende-se também quantificar as lesões relacionadas à DA e DV, superando algumas das limitações dos estudos clínicos longitudinais e expandindo o conhecimento gerado por estudos de autópsia anteriores.

 

Claudia Suemoto
Grupo de Estudos em Envelhecimento Cerebral
Faculdade de Medicina
Universidade de São Paulo

Matéria publicada em 10.11.2016

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