Mineral extraterrestre

Wassonite é o nome do mais novo mineral descoberto. O material, encontrado em um meteorito de cerca de 4,5 bilhões de anos, se soma à lista de mais 4.500 minerais já descritos e pode ser mais uma peça do quebra-cabeça que é o nosso sistema solar.

Segundo pesquisadores, o meteorito veio do cinturão de asteroides que fica entre a órbita de Júpiter e Marte e foi coletado por uma expedição japonesa na Antártica em 1969. Desde a sua descoberta, os Estados Unidos e o Japão intensificaram as buscas na região e, até hoje, recolheram mais de 40 mil meteoritos no continente.

Pesquisadores da agência espacial americana (Nasa) já haviam encontrado outros minerais ‘estranhos’ no mesmo pedaço de asteroide, como a olivina, a troilita e a osbornita. Mas, por ser muito pequeno, o wassonite demorou 32 anos para ser notado.

Só agora, com o uso de um avançado microscópio eletrônico de transmissão, os pesquisadores conseguiram enxergar um grão do material, cem vezes menor do que a espessura de um fio de cabelo – mais precisamente de 50×450 nanômetros.

Wassonite
Um grão de wassonite visto através do microscópio eletrônico de transmissão da Nasa. (foto: Nasa)

“O wassonite é um dos menores e mais importantes minerais já encontrados nessa amostra”, conta o mineralogista da Nasa Keiko Nakamura-Messenger. Segundo ele, o material é composto apenas de enxofre e titânio e possui uma estrutura que nunca havia sido observada.

“Embora esses dois elementos sejam facilmente encontrados na Terra, essa combinação não existe na natureza”, conta Nakamura-Messenger. “Para mim, o mais interessante dessa descoberta é poder ver o tipo de estrutura que essa simples composição química pode gerar. Surpreendentemente é uma estrutura bem complexa e incomum.”

Janela para o passado

Segundo Nakamura-Messenger, o estudo da estrutura do wassonite pode revelar a temperatura e as condições físicas da época em foi formado. Essa informação ajudaria a completar as lacunas da história do sistema solar. 

O estudo da estrutura do wassonite pode revelar a temperatura e as condições físicas da época em que foi formado

“Estamos planejando medir a composição isotrópica do mineral, o que vai nos permitir chegar a informações mais exatas sobre as condições físicas, o local e o tempo de formação não só desse mineral, mas também do meteorito quando ainda era um asteroide.”

O novo mineral também pode ter aplicações para a indústria. Nakamura-Messenger conta que, desde que anunciou a descoberta, já foi contatado por muitos engenheiros interessados no mineral.

Curiosamente, engenheiros de materiais e metalúrgicos produzem em laboratório e estudam as mesmas propriedades desse mineral desde os anos 1960 sem saber que o wassonite já existia, há muito tempo, fora da Terra.

Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line