Nova espécie de saurópode descoberta nos eua

Uma nova espécie de dinossauro foi descoberta no estado de Montana, noroeste dos EUA. Batizado de Suuwassea emiliae pelos paleontólogos da Universidade da Pensilvânia, o réptil tinha aproximadamente 15 metros de comprimento e viveu na região há mais 150 milhões de anos. Esse achado foi publicado em maio na revista trimestral Acta Paleontologica Polonica .

Reconstituição artística do esqueleto do Suuwassea emiliae (imagem: Universidade da Pensilvânia)

A espécie recém-descoberta pertence ao grupo dos saurópodes — dinossauros herbívoros que estiveram entre os maiores que já pisaram sobre a Terra. Nessa categoria, incluem-se o brontossauro e o apatossauro, mas também o Amazonsaurus maranhensis , que viveu há mais de 110 milhões de anos na Amazônia e foi recentemente descrito por paleontólogos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O saurópode norte-americano foi descoberto por acaso pelo médico veterinário William Donawick, da Universidade da Pensilvânia, enquanto cavalgava com seu genro nas proximidades do rancho da família no estado de Wyoming, próximo à fronteira com Montana. Parte do esqueleto do réptil estava exposta e sofreu bastante com a erosão da chuva e do vento. Mesmo assim, pedaços do crânio foram recuperados. Geralmente, apenas ossos mais pesados e densos, como o fêmur, são preservados.

A nova espécie foi batizada com um nome peculiar: Suuwassea emiliae . Na língua de um grupo de índios de Montana, ‘suuwassea’ quer dizer ‘trovão antigo’. ‘Emiliae’ é uma referência a Emilie deHellebranth, que ajudou a financiar a escavação em que o fóssil foi encontrado.

Uma característica do S. emiliae nunca antes observada no crânio de outros saurópodes norte-americanos tem intrigado os cientistas: a existência de um segundo orifício no seu crânio. Seus parentes mais próximos, como o Diplodocus , têm apenas um orifício com função respiratória. Os paleontólogos ainda não encontraram uma explicação plausível para a existência desse segundo orifício, também encontrado em três outras espécies de saurópodes, duas da África e uma da América do Sul.

Diversas outras características do esqueleto do dinossauro asseguram que se trata da descoberta de uma nova espécie: vértebras do final do rabo menores e mais achatadas, assim como proporções diferentes de outras vértebras e ossos da perna.

O fóssil foi encontrado numa região árida conhecida como formação Morrison, que vai do Novo México até Montana. Há mais de 150 milhões de anos, essa formação geológica se encontrava bem perto da costa de um mar longo e raso chamado Sundance. Na mesma região, os cientistas acreditam ter encontrado também uma nova espécie de dinossauro carnívoro, mas o material ainda está sendo avaliado.

Liza Albuquerque
Ciência Hoje On-line
14/05/04