Fascínio pela química da vida

Apaixonada por observar detalhes de insetos e plantas com uma lupa na infância, Tayana Mazin Tsubone, vencedora do prêmio ‘Para Mulheres na Ciência’, hoje se dedica a desenvolver terapias que usam luz para eliminar tumores e microrganismos

CRÉDITO: FOTO CEDIDA PELA AUTORA

Quando criança, adorava observar coisas pequenas com uma lupa: ficava horas examinando os detalhes de uma joaninha ou as terminações nervosas de uma folha. Também gostava de utilizar a lente da lupa para queimar papel com a luz do Sol. Anos depois, os conceitos básicos dessas brincadeiras, de certa forma, voltaram a aparecer na minha vida: hoje minha principal linha de pesquisa utiliza luz visível para eliminar células indesejadas (tumorais ou microrganismos). E, para investigar os efeitos da luz nas células, realizo alguns experimentos que envolvem observação em microscópio.

As disciplinas que eu mais gostava no colégio eram química e biologia. Fui influenciada por um professor de química a prestar vestibular para esse curso e, em 2008, comecei a cursar química na Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná. Logo no primeiro ano de graduação, me interessei por um grupo de pesquisa que estudava possíveis fármacos com potencial para tratamento de câncer utilizando luz. Como sempre fui fascinada pelos processos realizados pelos organismos vivos envolvendo luz e química, vi a oportunidade de me inserir em um ambiente de pesquisa que relacionava a química com aplicações biológicas. 

Ao terminar a graduação, decidi fazer doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Durante esse período, enriqueci minha formação consolidando conhecimentos em bioquímica, biofísica e biologia celular e agregando novos conceitos à experiência que tive na iniciação científica na área de fotoquímica, fotofísica e físico-química. Vivenciar a rotina de um laboratório multidisciplinar de bioquímica, interagindo com biólogos, biomédicos, farmacêuticos, bioquímicos e químicos, intensificou ainda mais minha paixão e meu fascínio pela química da vida.