Os conhecimentos tradicionais ligados à etnofarmacologia aliados à ciência moderna podem gerar resultados maravilhosos no enfrentamento de doenças como a malária. Sim, os protozoários do gênero Plasmodium criaram resistência e por isso fez-se necessária a procura por novos medicamentos. O texto da coluna “Elementais” de CH 432, intitulado “A guerra, a malária e uma receita tradicional chinesa”, nos conduz à saga dos cientistas pela busca de novos fármacos que combatessem a malária, uma vez que o agente causador desenvolveu resistência à cloroquina, principal remédio à época.
A sensibilidade da cientista chinesa Tu Youyou em seguir informações na medicina tradicional chinesa levou-a até a Artemisia annua L., cujo princípio ativo, a artemisinina, mostrou ser um promissor fármaco no combate à malária. O farmacóforo da molécula do sesquiterpeno artemisinina é o grupo endoperóxido, porém, a modificação estrutural em outras porções da molécula resultou em derivados mais potentes.
Este caso nos mostra que as propriedades medicinais de produtos naturais e de seus derivados têm aplicações que valem a pena ser discutidas em sala de aula de química.
A dica de química para os professores é reforçar o reconhecimento dos grupos funcionais orgânicos em moléculas simples e complexas, além de discutir o valor da modificação estrutural de moléculas bioativas para a melhoria do desempenho de um fármaco. Primeiramente, a turma pode exercitar o reconhecimento de grupos funcionais orgânicos (carbonila, hidroxila, carboxila, metoxila, etoxila etc.) por meio de um jogo virtual chamado “Wordwall”, utilizando o modelo “Abra a caixa”. Previamente o(a) professor(a) prepara a atividade exemplificando moléculas simples e fornecendo opções sobre o tipo de função orgânica presente na molécula. O jogo pode ser individual (uso pedagógico do telefone celular ou computador) ou uma projeção para toda a turma participar junta.
Após o reforço dos conhecimentos por meio da atividade, deve ser contada à turma a trajetória da cientista chinesa Tu Youyou que a levou à descoberta da artemisinina como antimalárico a partir dos conhecimentos tradicionais.
Em seguida, um novo desafio deve ser dado aos estudantes: comparar a molécula da artemisinina (ART) com os derivados sintéticos (Figura 1) e identificar as funções orgânicas resultantes da modificação estrutural.

Essas modificações nas moléculas tiveram como objetivo melhorar a potência do medicamento, alterar a solubilidade e aumentar o tempo de meia-vida no organismo.
Além desses, outros derivados da artemisinina e moléculas contendo o grupo endoperóxido também foram desenvolvidos. Este é um exemplo de como o conhecimento tradicional aliado à ciência moderna são capazes de trazer muitas soluções para problemas de saúde pública.
WORDWALL. Jogo. Disponível em: https://wordwall.net/pt-br/community/jogo. Acesso em julho de 2026.
OLIVEIRA, R. G. de et al. Artemisinina e derivados: descoberta, estratégias sintéticas e obtenção industrial. Química Nova, São Paulo, v. 45, n. 7, p. 831-846, 2022. Disponível em https://doi.org/10.21577/0100-4042.20170888. Acesso em julho de 2026.