Corrija o mapa

GEOINFORMAÇÃO
Corrija o mapa

“As voltas que a terra plana dá…” Essa frase, que se inspira no popular termo “o mundo dá voltas”, se trata de uma ironia em relação ao equivocado movimento terraplanista. Porém, planificar a superfície de nosso planeta, que nada tem a ver com esse movimento, é uma ação útil para, por exemplo, nos orientar, planejar rotas e estudar o território através de mapas. 

Mas você sabia que não existe mapa perfeito? No texto “Corrija o mapa”, publicado na coluna “Geoinformação” de CH 425, são abordados vários elementos acerca da representação da superfície do planeta Terra sobre um plano. A partir dele, será possível explorar conceitos matemáticos sobre geometria plana e espacial – em especial, áreas de superfícies, transformações e planificações –, bem como discutir sobre questões geopolíticas que levam à construção de mapas.

Possibilidades de abordagem:

  • Identificar figuras espaciais e suas planificações, reconhecendo distorções e representações equivocadas;
  • Utilizar conceitos de geometria plana e espacial para entender as limitações e possibilidades da representação cartográfica;
  • Resolver e elaborar problemas que envolvem conceitos matemáticos da geometria espacial, utilizando o contexto de deslocamentos e posicionamentos;
  • Analisar criticamente a representação da superfície terrestre em mapas, considerando as implicações geopolíticas e culturais envolvidas;
  • Debater, no contexto de aulas de matemática, aspectos da Lei 10639/03 e do ensino da história da cultura afrobrasileira e africana.

Proposta de atividade:

Esta proposta pode ser trabalhada em todas as séries do Ensino Médio, uma vez que apenas conhecimentos básicos de geometria plana e espacial são necessários. Recomenda-se que a aula seja iniciada com a proposta da leitura do texto “Corrija o mapa”, publicado na coluna “Geoinformação” de CH 425. Na sequência, promova um debate com os estudantes, buscando, inicialmente, destacar os temas que aparecem no texto, como: i) o fato de que é a União Africana que lidera a campanha por correção do mapa-múndi e não os países europeus, por exemplo; ii) a dificuldade em se representar perfeitamente uma esfera em um plano e o porquê de isso ocorrer; iii) as diferenças entre as representações de Mercator, do século XVI, e a Equal Earth, de 2018. 

Muito provavelmente, os estudantes trarão ideias relativas aos motivos pelos quais os países e regiões do hemisfério norte possuem as maiores diferenças entre as versões dos mapas. Nesse momento, pode ser importante falar sobre o eurocentrismo presente na estruturação do conhecimento, em especial, no que se refere ao conhecimento matemático escolar. Após essa discussão inicial apresente, de forma impressa, a atividade abaixo:

Proposta de atividade:

Esta proposta pode ser trabalhada em todas as séries do Ensino Médio, uma vez que apenas conhecimentos básicos de geometria plana e espacial são necessários. Recomenda-se que a aula seja iniciada com a proposta da leitura do texto “Corrija o mapa”, publicado na coluna “Geoinformação” de CH 425. Na sequência, promova um debate com os estudantes, buscando, inicialmente, destacar os temas que aparecem no texto, como: i) o fato de que é a União Africana que lidera a campanha por correção do mapa-múndi e não os países europeus, por exemplo; ii) a dificuldade em se representar perfeitamente uma esfera em um plano e o porquê de isso ocorrer; iii) as diferenças entre as representações de Mercator, do século XVI, e a Equal Earth, de 2018. 

Muito provavelmente, os estudantes trarão ideias relativas aos motivos pelos quais os países e regiões do hemisfério norte possuem as maiores diferenças entre as versões dos mapas. Nesse momento, pode ser importante falar sobre o eurocentrismo presente na estruturação do conhecimento, em especial, no que se refere ao conhecimento matemático escolar. Após essa discussão inicial apresente, de forma impressa, a atividade abaixo:

ATIVIDADE 1:                                                                                                                        

O desenho ao lado, que apresenta uma representação diferente da usual da América do Sul, é do artista uruguaio Joaquín Torres-García, e o texto abaixo é uma adaptação do trecho do livro do mesmo artista.

“Quem dita o que é o Norte e o Sul? E com que interesse os determina? Defendo a chamada Escola do Sul, pois na realidade nosso norte é o Sul. Não deve existir Norte, senão em oposição ao nosso Sul. Por isso, colocamos o mapa ao revés, porque, desta forma, teremos a justa ideia de nossa posição, e não como querem no resto do mundo. A ponta da América assinala insistentemente o Sul, nosso norte”.

TORRES-GARCÍA, J. Universalismo constructivo. Buenos Aires: Poseidón, 1941. (Adaptado)

Indique quais transformações podem ser realizadas para que a figura fique disposta de maneira similar a como a América do Sul está no mapa tradicional.

Dica: Pense em rotações e reflexões. Não se esqueça de indicar em relação a qual referencial esses movimentos acontecem.

Após a realização dessa atividade, apresente o título da imagem, “América invertida”, e peça para que a turma se divida em grupos de 5 ou 6 estudantes para realização de outra atividade em sala de aula. 

ATIVIDADE 2 (EM GRUPO)

– ETAPA 1 – Análise da Obra “América Invertida”. Os grupos devem discutir e responder as seguintes questões: O que vocês percebem na imagem? Por que o artista pode ter escolhido a América do Sul de forma invertida e não outra região? Quais são as implicações geopolíticas e culturais dessa representação?

– ETAPA 2 – Comparação de respostas: Solicite que os grupos troquem suas respostas entre si. Permita que cada grupo disponha de aparelhos celulares ou computadores com acesso à internet para utilização de Inteligência Artificial (IA) e peça que eles façam as mesmas perguntas da Etapa 1 para a IA.  Por fim, cada grupo deve elaborar um texto relatando como as respostas dadas na etapa 1 se relacionam com as respostas dadas pela IA. 

Ao final dessa atividade em grupo, que pode ser ampliada para participação de professores de outras disciplinas, como Geografia e História, espera-se que os estudantes tenham desenvolvido um olhar crítico sobre a representação da superfície terrestre em mapas, considerando as implicações geopolíticas e culturais envolvidas. 

Recursos utilizados:

  • Texto do artigo “Corrija o mapa”, publicado na coluna “Geoinformação” da CH 425, impresso ou disponibilizado digitalmente;
  • Celulares ou computadores com acesso à internet; 
  • Atividades 1 e 2 impressas.

Explore +

SILVA, Dinair Andrade da. Roteiro de análise de fonte primária – América Invertida. In: Histórias das Américas. Disponível em: https://historiasdasamericas.com/america-invertida/. Publicado em: 21/09/2021. Acesso em outubro de 2025;

União Africana pede mapa-múndi que mostre real tamanho do continente. Por Catarina Demony e Ayendeng Bior (Reuters). Agência Brasil – EBC. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=oFtQfEMpDiU  Publicado em 14/08/2025. Acesso em outubro de 2025; 

A Geometria do Globo Terrestre.  Por Sergio Alves. Apostilas OBMEP. Disponível em: http://www.obmep.org.br/docs/apostila6.pdf  . Acesso em outubro de 2025; 

As aventuras do Geodetetive 5: como viajar e chegar no dia anterior. GEOMETRIA E MEDIDAS. M3 Matemática Multimídia, UNICAMP. Disponível em: https://m3.ime.unicamp.br/recursos/1106   . Acesso em outubro de 2025;

O Mapa da África vai mudar? . África em Pauta. Ep. 107. Disponível em:  https://open.spotify.com/episode/1Ss8G6UOK2tNBkuURh9OrR?si=d1iZGuWxT16btSqo32vMCA&t=2074 (A partir de 34:34). Acesso em outubro de 2025.