O Cais do Valongo foi o centro de desembarque do maior número de africanos escravizados que chegaram vivos às Américas. Definido enquanto patrimônio mundial em 2017, a memória e resistência da diáspora africana reconhecida por este patrimônio não está restrita apenas ao cais em si. Seu entorno, conhecido como a “Pequena África”, carrega em suas esquinas e ruas as transformações sociais, econômicas, políticas e culturais promovidas pela população negra no Brasil.
Neste sentido, a seção “Pequenas perguntas, grandes questões” publicada em CH 412 nos ajuda a olhar para esse território e desvendar as transformações urbanas que aconteceram em séculos de história e continuam a acontecer cotidianamente.
Esta proposta pedagógica pode ser realizada em uma sequência didática de três tempos de 50 minutos em qualquer uma das três séries do Ensino Médio, pois dialoga com distintas temáticas que são abordadas ao longo deste segmento.
Inicialmente, sugere-se apresentar para a turma o vídeo “Cais do Valongo”, produzido pelo canal Cultne e indicado no Box Explore+. Neste vídeo é possível compreender mais elementos sobre a ocupação desta área, além de observar imagens do local e entrevistas cedidas por intelectuais – inclusive pela autora do artigo “Qual entorno do Cais do Valongo é considerado Patrimônio Mundial?”, publicado em CH 412. Após a apresentação do vídeo, é interessante sistematizar em um quadro ou em um cartaz as palavras que mais chamaram a atenção da turma durante a exibição do material.
Tendo encerrado esta etapa, sugere-se utilizar a ferramenta Google Street View (disponível no site https://www.google.com.br/maps/preview ) e realizar uma articulação entre a imagem presente no artigo e as imagens de satélite e fotografias da área. É possível realizar a mesma ação utilizando também o site ou o aplicativo Google Earth. Incentive que a turma navegue pelo mapa, busque reconhecer os lugares indicados na imagem disponível no artigo e procure observar se existe similaridade entre as paisagens observadas e seu cotidiano.
A partir desta aproximação com o território da “Pequena África”, no encontro seguinte organize a turma em grupos e divida os pontos elencados na imagem presente no artigo entre os grupos. Cada um ficará responsável por apresentar aquele ponto para o restante da turma, considerando, dentre diversos aspectos, as seguintes questões:
a) A história do lugar pesquisado;
b) O que mais chamou a atenção do grupo ao conhecer esse local;
c) Quais foram as principais transformações urbanas pelas quais o lugar pesquisado passou;
d) A importância do lugar para a cultura brasileira e;
e) principais protagonistas negras/os vinculadas/os àquela localidade.
Sugere-se que o resultado das pesquisas feitas pelos grupos sejam apresentados para a turma. Um caminho interessante é debater com os estudantes sobre as estratégias utilizadas para o apagamento da cultura negra nos espaços urbanos brasileiros. Um olhar, por exemplo, sobre as reformas urbanas ocorridas no Rio de Janeiro sem estabelecer uma articulação com as relações raciais nos impede de compreender a complexidade do racismo no Brasil. Certamente, o mesmo acontece em outras cidades brasileiras.
Também é importante refletir com a turma sobre as presenças e ausências destas narrativas nos livros didáticos e nos conteúdos escolares. Por fim, indica-se buscar no município em que a escola está inserida outros lugares de memória e de resistência importantes para a diáspora africana e para a população negra e visitá-los com a turma através de uma saída de campo. Para isso, o site ‘Passados presentes” (indicado no box Explore+) pode ser utilizado como ferramenta de pesquisa sobre a espacialidade da memória da escravidão no Brasil.
Cais do Valongo. Canal Cultne. Disponível em https://youtu.be/kYGYKA6GSjs?si=3ZWCUKliQlMuKV76 ;
Passados presentes. Disponível em: http://passadospresentes.com.br/