Todo fim de semana a cena se repete: um som carregado no baixo – o chamado batidão – reverbera nas caixas de som de clubes e quadras de escolas de samba localizadas em favelas e bairros pobres do Rio de Janeiro, contagiando uma massa negra a dançar e se esquecer das agruras cotidianas. Eis o funk carioca: ritmo que cresceu espontaneamente, sem dar a mínima para os mecanismos tradicionais da indústria cultural e à margem dos grandes veículos de comunicação.
Batidão: uma história do funk, do jornalista Silvio Essinger, traz mais um pouco de luz a esse fenômeno carioca, atendo-se mais a sua evolução musical e à história dos seus artistas. O livro retorna até a década de 1970, no começo dos bailes, época que o funk norte-americano influenciou uma série de DJs cariocas. Silvio cita reportagem do Jornal do Brasil de 1976, da jornalista Lena Frias, para explicar o fenômeno: “uma cidade de cultura própria desenvolve-se dentro do Rio”.Batidão: uma história do funk, tem um texto agradável, bem apurado e cheio de boas histórias. O livro não se propõe investigar os fatores sociológicos que possibilitaram o surgimento desse fenômeno, mas traça uma cuidadosa genealogia de alguns de seus principais protagonistas. Falta-lhe apenas um índice remissivo e mapas para auxiliar o leitor a se achar na explosiva e dançante arquitetura dos morros cariocas.
Batidão – uma história do funk
Silvio Essinger
Rio de Janeiro, 2005, Editora Record
Fone: (21) 2585-2000
292 páginas – R$ 42,90
Denis Weisz Kuck
Especial para a CH On-line
14/06/05