Muito além de aranhas e escorpiões

Os aracnídeos são muito mais do que os populares escorpiões e aranhas. Esse vasto grupo de animais inclui criaturas tão fascinantes quanto desconhecidas do público geral, como os amblipígios, os opiliões, os ácaros, os solífugos e os falsos-escorpiões. Embora não sejam tão notórios, suas adaptações ao ambiente terrestre e seu papel crucial nos ecossistemas os tornam essenciais para o equilíbrio da natureza.

CRÉDITO: LEONARDO SOUSA CARVALHO

Figura 1. Este amblipígio da espécie Heterophrynus longicornis apresenta os pedipalpos avermelhados – que indicam se tratar de um animal juvenil. O primeiro par de pernas extremamente longo confere à espécie o nome popular de ‘aranha-chicote’

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Aranhas, escorpiões, ácaros, opiliões e muitos outros animais pertencem a um mesmo grande grupo e são frequentemente conhecidos como aracnídeos. O que pouca gente sabe é que, por trás dessa etiqueta, se esconde uma diversidade impressionante de formas de vida. Entre as muitas ordens de aracnídeos, destacam-se as aranhas (Araneae) e os escorpiões (Scorpiones), mas há muito mais a explorar. 

Os amblipígios, por exemplo, são aracnídeos noturnos e incrivelmente discretos, com aparência que lembra a de uma aranha. Fãs de Harry Potter talvez se lembrem da cena clássica do filme Harry Potter e o Cálice de Fogo, quando um animal estranho aparece na testa de Rony. Trata-se de um amblipígio em seu breve momento de fama. 

Embora lembrem as aranhas, esses animais têm comportamento e ecologia bem distintos. Os amblipígios são popularmente conhecidos como ‘aranhas-chicote’, pois o seu primeiro par de pernas é extremamente longo e funciona como uma antena sensorial (figura 1). 

Apesar de pouco coloridos, é possível encontrar exemplares juvenis com pedipalpos – estruturas que parecem pernas e auxiliam na captura de presas – bastante avermelhados, coloração que desaparece na fase adulta.

Figura 2. Opilião macho da espécie Discocyrtanus oliveiroi. Na imagem, é possível ver os espinhos pelo corpo e duas grandes gotas de substâncias repugnatórias, que, com seu cheiro forte – o que justifica o apelido de ‘aranha-bode’ –, protegem esse aracnídeo de predadores

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Já os opiliões, conhecidos como ‘aranhas-bode’, são animais muito mais inclinados a viver em áreas de florestas úmidas do que em locais secos ou abertos. Esse curioso nome se explica pela capacidade que alguns opiliões têm de liberar substâncias com cheiros muito fortes, que funcionam como uma ótima estratégia de defesa contra certos predadores (figura 2). 

Algumas espécies costumam ser encontradas em grandes aglomerados, com dezenas ou centenas de indivíduos. A maioria, no entanto, leva uma vida solitária. Os machos de várias espécies de opiliões são dotados de uma armadura forte e cheia de espinhos, que usam para duelar entre si e conquistar territórios ou disputar por fêmeas no período reprodutivo. 

Figura 3. Aglomerado de juvenis de Cryptocellus jamari, espécie de ricinúleo encontrada exclusivamente em Rondônia, no norte do Brasil

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Por vezes, vemos machos, fêmeas e filhotes vivendo em uma colônia, por curtos períodos de tempo. Comportamento semelhante é encontrado também nos aracnídeos conhecidos como ricinúleos (figura 3). 

Esses animais representam um grupo com distribuição muito restrita no Brasil, sendo encontrados apenas na Amazônia. Cegos, eles vivem em meio às folhas caídas no chão, onde a umidade é muito elevada. Os ricinúleos, assim como os opiliões, possuem um esqueleto extremamente forte e rígido, que os ajuda na proteção contra predadores.