Surucucus em perigo

Ao contrário do que se pensava, as maiores serpentes peçonhentas que habitam a Amazônia e a Mata Atlântica são espécies diferentes. Cruciais para o equilíbrio das florestas, elas enfrentam riscos, como o desmatamento e a perseguição humana

CRÉDITO: RENATA NUNES

Surucucu da Amazônia (Lachesis muta) na natureza, no Pará

Figura 1. Surucucu da Amazônia (Lachesis muta) na natureza, no Pará

Entre o medo e o fascínio, as surucucus, também conhecidas como pico-de-jaca, bico-de-jaca ou malha-de-fogo, estão entre as serpentes mais emblemáticas das florestas brasileiras. São consideradas as maiores serpentes peçonhentas das Américas, podendo ultrapassar 2 metros de comprimento.

Com um papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas das florestas úmidas, acreditou-se, por muito tempo, que todas pertenciam a uma única espécie. Mas um estudo recente revelou que as surucucus da Amazônia e da Mata Atlântica são espécies diferentes. A descoberta tem impactos diretos na conservação, uma vez que elas enfrentam ameaças, como o desmatamento e a perseguição humana.

As florestas úmidas, como a Amazônia e a Mata Atlântica, abrigam mais de 35 espécies de serpentes peçonhentas da família das víboras (Viperidae), cobras com um grande dente móvel, inoculador de peçonha, conhecidas como cascavéis, jararacas e surucucus.

Os corpos das surucucus apresentam coloração alaranjada, com manchas pretas triangulares, uma combinação de cores que permite uma perfeita camuflagem entre as folhas secas do solo das florestas. Suas escamas são rugosas e protuberantes, lembrando a casca de jaca, e a ponta da cauda possui escamas eriçadas, terminando em um espinho. Seu grande tamanho e o interesse médico conferem grande fama às surucucus, um tesouro para a fauna das florestas úmidas das Américas.

As serpentes provocam diversos sentimentos e reações nas pessoas. Em culturas orientais, são vistas como símbolos de prosperidade e fertilidade, mas, em civilizações ocidentais, costumam ser associadas a perigo, medo e repulsa.

Surucucu da Mata Atlântica (Lachesis rhombeata) fotografada em seu ambiente natural, no Ceará

Figura 2. Surucucu da Mata Atlântica (Lachesis rhombeata) fotografada em seu ambiente natural, no Ceará

CRÉDITO: THABATA CAVALCANTE