Rumo à amazônia de wallace

Asa de papagaio-do-mangue (Amazona amazonica) coletada por Alfred Wallace durante sua passagem pelo Brasil (o original está hoje exposto no Museu de História Natural de Londres). O material trazido por Wallace é objeto da exposição de fotos “O evolucionista esquecido”, que passou por Manaus (foto: Fred Edwards).

Era para ser apenas a divulgação do trabalho do naturalista inglês Alfred Russel Wallace (1823-1913), co-autor da teoria da evolução pela seleção natural. Mas o fotógrafo inglês Fred Langford Edwards aproveitou sua ida a Manaus – onde expôs um trabalho fotográfico sobre Wallace – para ver de perto a natureza que tanto encantou e inspirou o naturalista em sua viagem à floresta amazônica, entre os anos de 1848 e 1852.

Conterrâneo de Wallace e interessado em sua vida e obra, o fotógrafo se inspira em lugares visitados pelo naturalista para compor seus trabalhos fotográficos e usa seu conhecimento sobre fotografia para mostrar em suas imagens a relevância da biodiversidade do planeta.

Para comemorar os 150 anos da teoria da evolução, Edwards decidiu estudar a jornada de Wallace, que desenvolveu a hipótese da seleção natural em paralelo a Charles Darwin (1809-1882). “Apesar de a história ter favorecido Darwin, a contribuição de Wallace foi crucial para a criação da teoria da evolução das espécies”, justifica o fotógrafo. E completa: “Meu trabalho busca promover sua contribuição para a ciência e homenageá-lo.”

Este ano, Edwards escolheu visitar a floresta amazônica e refazer a viagem de Wallace ao longo do rio Negro até o rio Uapés, em São Gabriel da Cachoeira, município que faz fronteira com Colômbia e Venezuela. “Sonho em visitar a floresta desde criança e estou adorando trabalhar nos trópicos, especialmente aqui na Amazônia, que está muito ligada à obra de Wallace”, conta Edwards, que esteve no Brasil pela primeira vez.

Exposição fotográfica
Além disso, o fotógrafo trouxe diretamente do Museu de História Natural de Londres para Manaus sua exposição “Alfred Wallace – O evolucionista esquecido”, composta por 50 fotografias, que foram exibidas durante todo o mês de outubro. O trabalho retrata o material coletado por Wallace em suas viagens e os desenhos feitos por ele a partir de suas observações e que fazem parte da coleção do Museu.

A exposição também inclui fotos de desenhos feitos por Wallace a partir de suas observações na Amazônia, como o desse peixe encontrado pelo naturalista no rio Negro (foto: Fred Edwards).

Para a produção do ensaio, o fotógrafo usou técnicas especiais para explorar cada detalhe dos objetos e desenhos. “Sempre estou modificando meu equipamento e mudando a iluminação para atingir a melhor direção de luz e, assim, melhorar o resultado das imagens”, diz. “Gosto de criar efeitos naturalistas, mas também busco realçar as características visuais do objeto de maneira poética ou retórica.”

Algumas das fotografias de Edwards documentam exemplares levados por Wallace da Amazônia para a Inglaterra. O fotógrafo conta que, por pouco, os ingleses não puderam ver esse material, pois grande parte do que foi coletado na Amazônia se perdeu em um naufrágio no mar do Caribe em agosto de 1852. Mas, nove dias depois, o naturalista e a tripulação tiveram a sorte de ser resgatados.

Apesar do contratempo, Wallace descreveu em detalhes as características de relevo, clima e biodiversidade da região amazônica na obra Narrativas da viagem à Amazônia e ao Rio Negro (Londres, 1853). Além de coletar animais e descrever a geografia da região, Wallace teve contato com muitas tribos indígenas na Amazônia, também retratadas em desenhos e na exposição fotográfica.

Depois de sua viagem pelo rio Negro, Edwards visitará o arquipélago Malaio, na Indonésia, onde Wallace também coletou espécimes.

Juliana Marques
Ciência Hoje On-line
30/12/2008